SELO BLOG FM (4)

Categoria: Economia

Controladora da Refinaria Clara Camarão eleva preços da gasolina e do diesel nesta quinta 22

FOTO: DIVULGAÇÃO

A Brava Energia, controladora da unidade de produção, promoveu novos reajustes nos preços dos combustíveis comercializados na Refinaria Clara Camarão, em Guamaré, unidade responsável por suprir parcela relevante do mercado potiguar de combustíveis. No intervalo entre os dias 15 e hoje, 22 de janeiro de 2026, a Gasolina A acumulou dois reajustes consecutivos na refinaria.

No primeiro movimento, a partir de 15 de janeiro, o preço do produto passou de R$ 2,4287 para R$ 2,5662, uma elevação de R$ 0,1375 por litro. Já no segundo reajuste, vigente a partir desta quinta-feira, 22, o valor subiu novamente, alcançando R$ 2,6015, o que representa um acréscimo adicional de R$ 0,0353 por litro.

Juntos, os dois aumentos elevaram em quase R$ 0,18 por litro a gasolina retirada em Guamaré.

No caso do Diesel A S500, houve aumento apenas no segundo reajuste. O preço, que vinha sendo praticado a R$ 3,1965, passou para R$ 3,2375 a partir de hoje, com variação de R$ 0,0410 por litro.

Vale destacar que esses reajustes ocorrem no nível da refinaria e impactam a cadeia de distribuição, refletindo custos adicionais para o setor.

Blog do BG

Natal registra queda de 6,25% na cesta básica e se mantém entre as capitais mais baratas

FOTO: DIVULGAÇÃO

Natal encerrou 2025 com uma redução de 6,25% no preço da cesta básica de alimentos. O valor médio passou de R$ 636,95 em junho para R$ 597,15 em dezembro, uma diminuição de R$ 39,80. A capital potiguar registrou a 10ª maior queda entre todas as capitais brasileiras e figura como a quinta cidade com a cesta mais barata do país. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (20) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Entre os itens que compõem a cesta, os maiores recuos foram do tomate (-28,91%), arroz (-19,24%) e açúcar (-9,50%). Também registraram queda relevante o café (-8,11%), a banana (-7,92%) e a farinha (-3,88%). Por outro lado, apenas o pão (+1,23%) e o óleo (+8,44%) tiveram aumento de preço no período.

Para Ediran Teixeira, técnico do Dieese no RN, a queda reflete maior abastecimento interno e aumento da produção agrícola. “Houve uma redução das exportações de carne e outros produtos, que foram canalizados para o mercado interno. O aumento na produção de hortaliças, especialmente do tomate, fez com que os preços caíssem em todas as capitais”, explicou.

Ele destacou ainda que fatores sazonais, como clima, área plantada e demanda internacional, influenciam a variação dos preços. Segundo Teixeira, a tendência é que os valores se mantenham estáveis em 2026, levando em conta a possível atualização do salário mínimo e a oferta interna de alimentos.

Supermercados percebem impacto positivo

Gilvan Mikelyson, presidente da Associação dos Supermercados do RN (Assurn), ressaltou que a queda nos preços beneficiou o setor. “Muitos produtos tiveram rebaixa devido à maior oferta, tanto industrializados quanto do agro. Sem isso, o segundo semestre teria sido muito mais difícil”, afirmou.

Segundo Mikelyson, o crescimento das vendas no acumulado do ano até novembro ficou pouco acima de 4%, acompanhando praticamente a inflação, graças à redução do custo da cesta básica.

Tendência nacional

A queda em Natal acompanha uma tendência observada nas 26 demais capitais brasileiras. O levantamento faz parte da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Conab em parceria com o Dieese, que monitora variações de preços e impactos no orçamento das famílias em todo o país.

Pecuária leiteira no RN atinge produção diária em torno de um milhão de litros

FOTO: DIVUGAÇÃO

O Rio Grande do Norte quase dobrou, em quatro anos, o valor em Reais da produção de leite, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), edição de 2024. O levantamento mostra que em 2020 a produção anual saiu de cerca de R$538 milhões para mais de R$981 milhões em 2024, em todo o Estado. Um dado significativo para o setor que mostra a importância da pecuária leiteira para a economia.

Com relação ao ano anterior (2023), o aumento na produção no Estado foi de 2,4% em volume de litros. Neste último levantamento, no ano passado, o volume da produção anual atingiu 394,5 milhões de litros de leite, o que representa uma média diária de 1,09 milhão de litros. Na mesma faixa de produção do Rio Grande do Norte estão os estados do Pará, do Tocantins, de Alagoas e do Rio de Janeiro. No Nordeste, o RN fica à frente do Maranhão, Piauí e Paraíba.

Ainda sobre os dados do Rio Grande do Norte, entre os municípios com maior produção estão Caicó, com 41 milhões de litros, liderando o ranking, seguido de outras cidades do Seridó. Mas o Estado registra produções expressivas nos municípios das regiões Oeste, como Mossoró; Agreste, Nova Cruz, e Ceará-Mirim, região metropolitana de Natal.

Quadro nacional

O valor de produção nacional na PPM 2024 chegou à marca de R$132,8 bilhões, uma alta de 8,8% em relação a 2023, segundo relatório do IBGE. E a produção estimada de leite de vaca foi de 35,7 bilhões de litros, deixando a região Nordeste em terceira colocação em termos de produção, respondendo por 18% do total nacional. Com 6,4 bilhões de litros e um aumento de 4,5%, o Nordeste sustenta uma trajetória de crescimento desde 2017.

Diário do RN

Mercosul-UE: café e frutas terão tarifa zero; para carnes e açúcar, cotas e tarifas reduzidas

FOTO: GETTY

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), assinado hoje pelos blocos, prevê a exportação de frutas como abacates, limões, limas, melões, melancias, uvas de mesa e maçãs, além de café do Mercosul para a UE, sem tarifas e sem cotas, segundo informações do governo brasileiro divulgadas em factsheet. As condições previstas no tratado foram acordadas entre os blocos ao fim de dezembro de 2024. Outros produtos agropecuários do Mercosul estarão sujeitos a cotas e tarifas reduzidas em relação aos tributos atuais, com condições como uma desgravação mais gradual.

Com o acordo de livre comércio entre Mercosul e UE, o agronegócio brasileiro deve obter melhores condições tarifárias para acesso ao seu segundo maior destino. Atualmente, a União Europeia responde por 14,9% de todas as exportações do agronegócio brasileiro, com US$ 25,2 bilhões exportados em 2025. Alguns produtos terão desgravação gradual, enquanto outros entrarão com acesso preferencial, com cotas divididas entre os países do Mercosul e tarifas inferiores às atualmente vigentes.

Os pontos relativos ao comércio de produtos agrícolas, dentro do capítulo sobre comércio de bens, são os mesmos anunciados em 2019 pelos blocos e confirmados na conclusão das negociações em 2024. A livre entrada de produtos agropecuários do Mercosul na Europa era uma das principais preocupações de países produtores do bloco europeu, que temiam perda de competitividade. Por isso, o tratamento com adoção de cotas e redução gradual de tarifas foi aplicado principalmente a itens do setor agrícola e da agroindústria considerados sensíveis pela UE. Para cada produto, haverá um cronograma específico de desgravação, que pode chegar a tarifa zero após alguns anos. Excedido o volume da cota, os produtos estarão sujeitos às tarifas atualmente em vigor.

Para cafés verde, torrado e solúvel, cuja alíquota atual varia de 7,5% a 11%, a retirada das tarifas ocorrerá em um período de quatro a sete anos. No caso do café, haverá exigência de que 40% do café verde e entre 40% e 50% do café solúvel sejam originários do Brasil.

Para uvas frescas de mesa, atualmente taxadas em 11%, haverá retirada imediata das tarifas, com livre comércio. Para abacates, hoje sujeitos a uma alíquota de 4%, a desgravação ocorrerá ao longo de quatro anos, até zerar a tarifa. Limões e limas, com tarifa atual de 14%, melancias, com alíquota de 9%, e melões, também com 9%, terão eliminação das tarifas em sete anos. No caso das maçãs, cuja alíquota é de 10%, a retirada da tarifa ocorrerá em um prazo de dez anos.

Também terão tarifas zeradas de forma gradual, mas com cotas, as exportações de açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Para o açúcar, o Mercosul poderá exportar à UE um volume de 180 mil toneladas com tarifa zero já na entrada em vigor do acordo. O volume excedente à cota ficará sujeito às alíquotas atuais, que variam entre 11 euros e 98 euros por tonelada. Para o etanol industrial, a cota será de 450 mil toneladas sem tributo na entrada em vigor do acordo. Já para o etanol destinado a outros usos, incluindo combustível, a cota será de 200 mil toneladas, com um terço sujeito à tarifa europeia, de 6,4 ou 3,4 euros por hectolitro, em volume crescente ao longo de seis estágios em cinco anos.

No caso do arroz, poderão ser exportadas 60 mil toneladas pelo Mercosul com tarifa zero, válidas a partir da entrada em vigor do acordo, também em volume crescente em seis estágios ao longo de cinco anos. Para o mel, a cota com imposto zerado será de 45 mil toneladas, com vigência imediata e crescimento em seis estágios em cinco anos. Para milho e sorgo, os países do Mercosul poderão exportar 1 milhão de toneladas isentas de tarifa na entrada em vigor do acordo, com volume crescente em seis estágios anuais ao longo de cinco anos. No caso dos ovos, poderão ser exportadas 3 mil toneladas com tarifa zero, com crescimento em seis estágios anuais em cinco anos, tratamento igual ao concedido à ovoalbumina.

Já as proteínas exportadas pelo Mercosul à UE estarão sujeitas a cotas com alíquotas reduzidas. Para a carne bovina, poderão ser exportadas 99 mil toneladas em peso carcaça, sendo 55% resfriada e 45% congelada, com tarifa de 7,5% e volume crescente em seis estágios. Para o volume já destinado à cota Hilton, de 10 mil toneladas, a tarifa passará de 20% para zero na entrada em vigor do acordo. Atualmente, a tarifa máxima aplicada à carne bovina exportada pelo Brasil chega a 178,4%.

Para a carne de aves, a cota será de 180 mil toneladas em peso carcaça, com tarifa zero, sendo 50% com osso e 50% desossada, também com crescimento em seis estágios. No caso da carne suína, poderá ser exportada uma cota de 25 mil toneladas, com tarifa de 83 euros por tonelada e volume crescente em seis estágios. Hoje, a alíquota varia de 46,7 euros por tonelada a 86,9 euros por tonelada.

As cotas previstas para a exportação de produtos agrícolas do Mercosul à UE serão posteriormente distribuídas entre os países do bloco. Outros produtos, como suco de laranja, cachaça, fumo, queijos, iogurte e manteiga, terão tratamentos específicos nas exportações do Mercosul para o mercado europeu.

Noticias ao Minuto

CPF dos imóveis começa a ser exigido e muda regras para imóveis no RN

FOTO: DIVULGAÇÃO

Imóveis no Rio Grande do Norte já começaram a entrar no novo Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), conhecido como “CPF dos imóveis”, que passou a ser exigido por órgãos federais e cartórios. A mudança começa a produzir efeitos práticos em 2026 e impacta diretamente proprietários, inquilinos e investidores, especialmente em cidades como Natal, onde o mercado de aluguel é um dos mais aquecidos do Nordeste.

No RN, a mudança ganha relevância prática porque o estado concentra um mercado imobiliário com forte presença de imóveis alugados e propriedades de veraneio, muitas vezes operados com contratos informais ou sem registro atualizado.

Dados do Censo Demográfico 2022 mostram que 21,7% dos domicílios no Rio Grande do Norte são ocupados por aluguel. Em Natal, esse percentual sobe para 31,4%, o maior entre as capitais do Nordeste, segundo o mesmo levantamento. Ao mesmo tempo, o mercado de locação na capital segue aquecido: em 2025 o preço médio do aluguel residencial em Natal subiu 10,13%, acima da inflação acumulada no ano, e a cidade se destacou como a 3ª capital do Nordeste em rentabilidade de aluguéis residenciais.

Com o CPF dos imóveis, contratos de aluguel que antes circulavam fora dos registros oficiais passam a ser facilmente confrontados com as bases da Receita Federal, dificultando a omissão de rendimentos no Imposto de Renda e ampliando a transparência das operações. Isso significa que o Fisco poderá cruzar contratos, escrituras e declarações, e identificar diferenças entre o que foi declarado e o que de fato está registrado.

O cadastro cria um identificador único para cada imóvel, que será usado também na verificação de tributos como IPTU, ITBI e ITCMD. A partir de 2026, prefeituras terão mais ferramentas para identificar imóveis cujos valores declarados não correspondem ao valor de mercado, abrindo caminho para revisões nos cálculos tributários.

Outro efeito esperado é sobre os conhecidos contratos de gaveta, muito frequentes no litoral potiguar. Sem matrícula atualizada ou registro formal, imóveis negociados informalmente podem enfrentar dificuldades em vender, financiar ou comprovar titularidade quando confrontados com as informações unificadas pelo CIB.

A migração para o novo cadastro não exige ação direta dos proprietários neste primeiro momento. O envio das informações é responsabilidade dos cartórios de registro de imóveis, que têm até o fim de 2026 para concluir a adaptação ao sistema. A partir de 2027, o CIB passa a ser exigido também por órgãos estaduais e municipais. Por isso, é recomendado que proprietários revisem seus dados cadastrais, escrituras e contratos de aluguel para evitar inconsistências que possam trazer problemas futuros.

Portal 96 FM

Vendas do comércio varejista no RN crescem 1,5% em novembro, diz IBGE

FOTO: MARCELLO CASAL JR

O índice de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Norte variou 1,5% em novembro, registrando crescimento após o cenário de estabilidade observado em outubro (0,4%) e setembro (0,1%). Em receita, a variação foi de 1,2% no período. Os índices potiguares ficaram acima das médias nacionais, que foram de 1% em vendas e em receita. A série considera ajuste sazonal. As informações são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a novembro de 2024, o crescimento no varejo no estado foi mais expressivo, e chegou a 8,3% na quantidade de vendas e 11,5% em receita nominal. O segmento inclui o comércio de bens não duráveis ou semiduráveis, como hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Já no comércio varejista ampliado, que inclui comércio de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas tiveram variação de 0,7% em novembro de 2025, número acompanhado por uma variação de 0,8% em receita. Frente a novembro de 2024, houve crescimento de 2,9% nas vendas e de 6,6% em receita.

Acumulado no ano e em 12 meses

No acumulado entre janeiro e novembro de 2025, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Norte cresceu 4,5% em novembro, em relação ao mesmo período de 2024, e a receita nominal cresceu 9,7%.

Já a variação acumulada em 12 meses foi de 4,1% para vendas, repetindo o crescimento de 9,3% em receita observado em outubro.

O comércio varejista ampliado também registrou altas. A variação acumulada no ano manteve-se em 2,4% para volume de vendas e 8,0% para receita nominal em novembro de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, o volume de vendas do segmento cresceu 2,3%, acompanhado por um crescimento de 7,9% em receita nominal.

Portal 98 FM

Indústria têxtil do RN cresce 98% e sustenta atividade industrial em novembro

FOTO: REPRODUÇÃO

A indústria do Rio Grande do Norte voltou a registrar retração em novembro de 2025, mas o desempenho da cadeia têxtil e de confecção evitou um resultado mais negativo. A produção industrial do Estado caiu 2,3% na comparação com o mesmo mês de 2024, a menor queda observada ao longo do ano, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional divulgada nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O principal destaque do período foi a confecção de artigos do vestuário e acessórios, que apresentou crescimento expressivo de 98% em novembro. Com esse resultado, o segmento têxtil potiguar registrou, pelo quinto mês consecutivo, a maior taxa de expansão do país, consolidando-se como o principal vetor de sustentação da indústria local em um ano marcado por perdas relevantes em outros ramos.

O desempenho positivo da confecção contrasta com a queda acentuada na fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 16,8% no mês e foi o principal fator de pressão negativa sobre o resultado agregado da indústria potiguar. Todos os demais segmentos pesquisados apresentaram crescimento em novembro, incluindo as indústrias extrativistas, com alta de 12,4%, e a fabricação de produtos alimentícios, que avançou 5,6%.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a indústria têxtil também lidera o desempenho setorial no Estado. A confecção de artigos do vestuário e acessórios cresceu 42,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando com folga os demais segmentos industriais. As indústrias extrativistas avançaram 13,2% e a fabricação de produtos alimentícios manteve crescimento de 5,8%. Ainda assim, o recuo de 23,2% na produção de coque e derivados de petróleo levou a indústria geral do Rio Grande do Norte a acumular queda de 11,8% no período.

A mesma dinâmica é observada na variação acumulada em 12 meses. Enquanto a confecção de vestuário e acessórios registrou expansão de 36,3%, as indústrias extrativistas cresceram 11,1% e o segmento de alimentos avançou 6,6%. Em sentido oposto, a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis caiu 23,4%, o que resultou em retração de 12,7% da indústria geral.

Produzida desde a década de 1970, a PIM-PF Regional acompanha mensalmente o comportamento da produção física das indústrias extrativas e de transformação em 17 unidades da Federação e no Nordeste como um todo, considerando Estados com participação mínima de 0,5% no valor da transformação industrial nacional. Os dados completos da pesquisa estão disponíveis no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). A próxima divulgação, referente a dezembro de 2025, está prevista para 10 de fevereiro de 2026.

Agora RN

Turismo do RN cresce com ‘agenda positiva’ e ocupação hoteleira sobe 12% em um ano

FOTO: JOÃO GILBERTO

A ocupação hoteleira no Rio Grande do Norte cresceu 12% na virada do ano, em relação ao Réveillon anterior, superando as expectativas do setor. De acordo com Edmar Gadelha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), a expectativa inicial já era alta, mas o desempenho acabou superando as projeções.

“Nós abrimos o mês de janeiro com uma expectativa de 90% para o Réveillon. Nós ultrapassamos os 90%, chegando a 92%”, afirmou Edmar, em entrevista ao Jornal da Mix, da rádio Mix, nesta terça-feira 13.

O dirigente da ABIH-RN acrescentou que os primeiros 10 dias de janeiro também apresentaram avanço significativo em relação a 2025. “Em relação ao mesmo período do ano passado, nós temos um crescimento real de 12%”, resumiu Edmar Gadelha.

Para o empresário, os números são resultado de um conjunto de fatores. Parte deles está ligada ao cenário internacional, mas há também efeitos diretos de ações de promoção turística realizadas ao longo de 2025. Entre os fatores externos, ele citou a recuperação da economia argentina e a desvalorização do Real frente a outras moedas.

Esse contexto, segundo Edmar, impulsionou o fluxo internacional para o Brasil como um todo e para o Rio Grande do Norte de forma específica. “Não é à toa que nós nunca chegamos a atingir 7 milhões de turistas internacionais ano no Brasil, e chegamos em 2025 a mais de 9 milhões”, disse.

O presidente da ABIH-RN avaliou que há um “movimento espontâneo do mercado”, mas frisou que o crescimento também decorre de um esforço coordenado entre poder público e iniciativa privada no Estado. “Nós temos desenvolvido aqui um trabalho de divulgação e promoção do destino, juntamente com o governo do estado e com os governos municipais que têm vocação turística”.

Na entrevista, Edmar ressaltou que um dos papéis centrais da ABIH-RN tem sido atuar como ponte entre o setor público e o privado. “Esse é um dos principais papéis da ABIH: fazer a articulação entre os poderes públicos e a iniciativa privada. Porque de nada adianta o poder público investir se a iniciativa privada não estiver junto, fechando negócios concretamente e trazendo esse turista para o melhor acolhimento possível aqui no nosso estado”.

Conexão para a Argentina

Um dos pontos destacados por ele como decisivos para o aumento do turismo internacional foi a ampliação da conectividade aérea. Para citar um exemplo, em 30 de dezembro de 2025, a companhia JetSmart começou a operar uma rota direta entre Buenos Aires e Natal, com voos diários na alta estação.

O impacto, segundo Edmar, é expressivo. “A JetSmart tem uma capacidade de aproximadamente 176 passageiros por voo, de modo que isso representa um incremento de quase 1.800 passageiros internacionais chegando ao destino do Rio Grande do Norte toda semana”.

O mercado argentino, de acordo com o presidente da ABIH-RN, já vinha demonstrando crescimento antes mesmo do voo direto, impulsionado por ações de marketing colaborativo. “Em relação ao mercado argentino, nós desenvolvemos uma ação de marketing colaborativo e tivemos um crescimento do mercado argentino ano passado de 27% em relação ao destino Natal”, afirmou. Para ele, o aumento da conectividade tende a criar um ciclo virtuoso. “Uma coisa chama a outra. Se o poder público faz o investimento, a iniciativa privada chega junto para concretizar negócios”.

Apesar do bom momento, Edmar fez críticas à deficiência histórica da malha aérea do Estado. “Essa malha aeroviária, que é tão deficitária aqui no nosso estado, só tem de crescer”, disse, defendendo planejamento conjunto e ações consistentes para ampliar a oferta de voos e reduzir custos.

Infraestrutura do Estado para receber turistas

Outro eixo central da entrevista foi a infraestrutura turística e urbana. Segundo Edmar, melhorias recentes têm sido determinantes para reposicionar Natal e o Rio Grande do Norte no mercado. Ele citou a participação da ABIH em feiras internacionais, como a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), onde o Estado apresentou avanços concretos.

Entre os exemplos, ele mencionou a recuperação de estradas, especialmente nos principais corredores turísticos. Ele reconheceu que as obras tiveram impacto positivo, assim como a melhoria nos indicadores de segurança pública. “Isso é uma coisa que o mercado internacional valoriza muito”, destacou Gadelha.

Nesse ponto, Edmar destacou o reconhecimento de Natal como a capital mais segura do Nordeste em 2024. “Percebíamos a surpresa dos operadores quando tomavam conhecimento de que Natal tinha sido considerada a capital mais segura do Nordeste no ano 2024”, afirmou. Ele também citou intervenções urbanas recentes, como a engorda da praia de Ponta Negra. “Na realidade, Ponta Negra foi devolvida à população do Natal, que já não conseguia mais usar”, disse.

A requalificação urbana, segundo ele, envolve uma série de ações complementares: recapeamento de vias, recuperação de praças, a entrega do terminal turístico da Redinha e melhorias em acessos rodoviários para destinos como Pipa e São Miguel do Gostoso. “É uma agenda positiva que a gente fala, que tem que levar para os operadores, para que eles percebam que o Natal tem sim sido muito bem cuidado”.

Edmar também chamou atenção para a necessidade de avançar na chamada zeladoria das praias urbanas, tema recorrente nas cobranças do trade turístico. “Em Natal nós temos a necessidade de implantação de uma zeladoria das praias urbanas. Já foi feito um decreto, está na iminência de implantar, e nós estamos constantemente cobrando isso do secretariado, cobrando isso do prefeito”, afirmou.

Outro tema abordado foi o alto custo das passagens aéreas para Natal, frequentemente apontado como entrave ao turismo. Para Edmar, a explicação é objetiva. “A explicação central é a lei da oferta da procura”, disse.

Ele argumentou que, apesar da forte demanda, o nível de investimento em promoção e subsídios no RN ainda é muito inferior ao de estados vizinhos. “Nós temos um nível de investimento que chega a aproximadamente 10% do estado de Alagoas, do estado de Pernambuco, do estado do Ceará”, comparou. Segundo ele, isso afeta diretamente a capacidade de negociação com companhias aéreas e operadoras.

Outras opções além do sol e mar

A diversificação da atividade turística foi outro ponto defendido pelo presidente da ABIH-RN. Ele ressaltou que o Estado não pode depender apenas do turismo de sol e mar e destacou o potencial do turismo de eventos. “Porque a gente não pode viver só do turismo de sol e mar”, afirmou, defendendo maior profissionalização na gestão de equipamentos como o Centro de Convenções e mais protagonismo da iniciativa privada.

No interior do Estado, Edmar destacou a importância da capilarização do turismo, com o fortalecimento de rotas alternativas e do turismo religioso. Um dos exemplos citados foi o Santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz. “É o maior monumento religioso do Brasil e que trouxe, como repercussão, como consequência, um aumento de 100 leitos para mais de 800 leitos na cidade de Santa Cruz”, relatou.

Edmar lembrou que o RN não possui uma base industrial forte, o que torna o turismo ainda mais estratégico. “Nosso Estado não tem uma economia fomentada no segmento da indústria. Então o turismo é a indústria sem chaminé. É a nossa principal indústria”, afirmou, defendendo mais investimentos públicos no setor.

Na entrevista, ele também projetou um calendário turístico cada vez mais robusto, com eventos distribuídos ao longo do ano, como Réveillon, Carnaval, São João, Carnatal e o Natal em Natal. “Nós sentimos que há uma necessidade de enveloparmos essas informações, esses produtos, para levar para a prateleira das principais feiras e roadshows que realizamos durante o ano”, disse, citando ainda ações digitais e a criação de conteúdos audiovisuais para promoção do destino.

Agora RN