28 de janeiro de 2025 às 13:00
28 de janeiro de 2025 às 08:04
FOTO: REPRODUÇÃO
A brasileira Nayara Andrejczyk, que vive nos Estados Unidos, desmentiu os boatos de que teria sido deportada do país. Nayara viralizou em outubro de 2024, quando foi atendida pelo então candidato à Presidência norte-americana, Donald Trump, em uma unidade da franquia de restaurantes McDonald’s.
“Não fui deportada porque sou cidadã americana”, explicou ela, em transmissão ao vivo pelo seu perfil no Instagram. Nas imagens, é possível identificar que a brasileira está nos EUA, ao analisar fatores como as ruas cobertas de neve, a vegetação típica do país e a arquitetura das casas.
“Não tem neve no Brasil, né?”, ironizou a brasileira. “Vocês estão vendo a neve aí. Dá pra ver aqui atrás também um pouquinho, aqui atrás de mim tem neve, tá tudo branquinho ali, tá vendo? Então, isso é só pra eu falar que estou nos Estados Unidos, tá?”
Ela ainda definiu o perfil de brasileiro que foi deportado pelo país norte-americano. “Não é o trabalhador brasileiro que está sendo deportado, o trabalhador aqui nos Estados Unidos, não”, explica Nayara.
“Eles estão passando o facão mesmo nos criminosos”, diz. “Traficantes de droga, assassinos que fugiram aí do Brasil e vieram para cá. É esse tipo de gente. Se você anda com a sua vida correta, você não tem nada a temer.”
A brasileira ainda revelou que se divertiu com os boatos. “Hoje foi um dia de muita risada”, disse. “Estou me divertindo pra caramba com os comentários. A minha página, não sei o que aconteceu aí no Brasil, mas a minha página está bombando hoje.”
Boato nasceu em perfis de esquerda
A informação falsa de que Nayara havia sido deportada dos EUA surgiu em perfis ligados à esquerda. O principal deles foi a conta no Twitter/X de Marilu Rodrigues, presidente do Psol de Osasco (SP).
“Lembrando aqui da brasileira que passou no drive thru que o Trump estava servindo lanche e ela falou que queria ele como nosso presidente”, disse a psolista no último sábado, 25. “Foi deportada a póbi.”
A publicação foi desmentida pelas Notas da Comunidade, sistema colaborativo de checagem do Twitter/X. “Até o momento, não há nenhuma informação de que a mesma foi deportada nem de que sequer vive ilegalmente nos EUA”, destaca.
Horas depois, Marilu sugeriu que não tinha provas da deportação ao dizer que “viveu pra ver bolsonarista pedindo a fonte” da informação. Ela ainda admitiu que estaria “adotando o modus operandi da direita”, ao insinuar que os conservadores produzem notícias falsas.
28 de janeiro de 2025 às 11:30
28 de janeiro de 2025 às 04:55
FOTO: REPRODUÇÃO
Uma modelo do OnlyFans foi presa na Turquia após anunciar publicamente seu plano de quebrar um recorde no país e transar com mais de 100 homens em um dia. Azranur AV, cujo nome verdadeiro é Ezra Vandan, foi acusada de obscenidade, resistência a policial em serviço e calúnia.
“Meu objetivo é quebrar primeiro o recorde turco e, depois, o mundial”, escreveu a jovem de 23 anos no X (antigo Twitter). Azranur postou uma foto com os olhos fechados em uma cama, usando lingerie vermelha, com a seguinte legenda: “Meu objetivo é quebrar um recorde turco primeiro, depois um recorde mundial! Estou começando com 100 homens em 24 horas.”
A publicação acabou chamando a atenção do Departamento de Moralidade, que integra a Diretoria de Segurança de Istambul.
A influencer foi presa em um hospital enquanto aguardava para fazer uma cirurgia plástica em Atasehir. Imagens de uma televisão turca capturaram o momento em que ela foi arrastada escada abaixo por dois policiais.
O 6º Juizado Criminal de Paz de Istambul disse que a pena de prisão era apropriada porque suas postagens eram “prejudiciais aos valores morais” e “provocativas à sociedade“, segundo o Daily Mail.
Em 2023, a Turquia bloqueou o acesso ao OnlyFans no país por questões morais, destacou o jornal britânico.
28 de janeiro de 2025 às 10:15
28 de janeiro de 2025 às 03:55
FOTO: EFE
Vários oficiais que trabalharam nas investigações criminais contra Donald Trump foram demitidos, segundo fontes próximas ao assunto.
Uma carta do procurador-geral interino James McHenry para os oficiais afirmava que eles não podiam ser “confiáveis” para “implementar fielmente” a agenda de Trump.
“Vocês desempenharam um papel significativo na acusação do Presidente Trump“, dizia a carta. “O funcionamento adequado do governo depende criticamente da confiança que os superiores depositam em seus subordinados. Dado o seu papel significativo na acusação do Presidente, não acredito que a liderança do Departamento possa confiar em vocês para ajudar na implementação fiel da agenda do Presidente. Como resultado, nos termos do Artigo II da Constituição e das leis dos Estados Unidos, o seu emprego no Departamento de Justiça está, por meio deste, encerrado, e vocês são removidos do serviço federal com efeito imediato.”
Alguns dos indivíduos trabalharam com o procurador especial Jack Smith, cujo escritório foi fechado depois que ele desistiu dos dois casos criminais contra Trump.
28 de janeiro de 2025 às 09:30
28 de janeiro de 2025 às 03:30
FOTO: REPRODUÇÃO
O ex-candidato republicano ao Senado por Utah, Sam Parker, pediu publicamente a deportação da cantora e atriz Selena Gomez. A declaração foi feita nesta segunda-feira (27), em uma postagem na rede social X, onde ele escreveu: “Deportem Selena Gomez”.
O comentário veio após Gomez publicar um vídeo emocionado no Instagram. Na gravação, ela lamentava as deportações em massa de imigrantes ilegais e criminosos durante o governo de Donald Trump, dizendo:
– Eu só quero dizer que sinto muito. Meu povo está sendo atacado. As crianças, eu não entendo. Queria poder fazer algo – disse a artista chorando, mas logo ela apagou o vídeo.
Parker reforçou sua posição ao conectar sua conta principal no X, @SamParkerSenate, a outra conta, @BasedSamParker, onde acusou Gomez de apoiar imigrantes ilegais em vez dos cidadãos americanos.
– Selena Gomez escolheu apoiar imigrantes ilegais em vez dos Estados Unidos porque ela é neta de imigrantes mexicanos ilegais que conseguiram cidadania com a anistia de 1987. Ela tem uma postura de direito em relação aos EUA, assim como seus avós ilegais. Talvez Selena também devesse ser deportada, não acha? – escreveu ele na segunda conta.
28 de janeiro de 2025 às 09:15
28 de janeiro de 2025 às 03:32
FOTO: EFE
O governo do presidente da Argentina, Javier Milei, instalará uma cerca de arame farpado de 200 metros na fronteira com a Bolívia para evitar a passagem ilegal de pessoas, de acordo com uma licitação, publicada nesta segunda-feira (27) no Diário Oficial da província argentina de Salta, para a realização da obra.
A medida faz parte do plano “Fronteiras Blindadas” do Ministério da Segurança da Argentina, que também visa mobilizar mais de 300 homens das forças de segurança federais nas regiões fronteiriças.
A licitação inclui a construção de uma “cerca perimetral” na passagem da fronteira com a Bolívia no rio Bermejo, que compartilha com a Argentina.
A cerca de 2,5 metros de altura será instalada entre o escritório de migração argentino, localizado na cidade de Aguas Blancas, em Salta, e o terminal de ônibus, com o objetivo de conter o fluxo de migrantes que chegam da cidade boliviana de Bermejo, na província boliviana de Arce.
– Todos chegam a Aguas Blancas por diferentes meios e de lá pulam um pequeno muro, que é um muro para evitar inundações, e partem para Puerto Chalana, atravessam para a Bolívia, compram e de lá retornam sem passar pela Migração. Eles entram e saem ilegalmente – disse à emissora “Radio Mitre” Adrián Zigarán, que atua como autoridade máxima na ausência de um intendente ou de um prefeito.
A cerca faz parte das medidas incluídas no chamado Plano Güemes, apresentado pela ministra da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, no início de dezembro em Salta, que, segundo ela, visa combater o tráfico de drogas, o contrabando e o tráfico de pessoas.
De acordo com o ministério, 310 policiais de diferentes forças federais serão destacados e designados para setores considerados “críticos”, como o rio Bermejo e a Rota Nacional 34, popularmente conhecida como a “rota das drogas”.
Zigarán acrescentou que o objetivo é que, com a cerca, os agentes possam impedir a circulação de pessoas ao sul do terminal de ônibus. Isso forçaria as pessoas a caminhar ao longo da cerca perimetral em direção à Migração.
A Bolívia expressou sua preocupação com a cerca e, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, observou que as questões de fronteira devem ser tratadas por meio de “mecanismos de diálogo bilateral estabelecidos entre os Estados para encontrar soluções coordenadas para questões comuns”.
– Qualquer medida unilateral pode afetar a boa vizinhança e a coexistência pacífica entre povos irmãos – disse o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia em comunicado.
O interventor respondeu que o governo boliviano “está mal informado”.
– Mas é bom que eles estejam preocupados agora, porque temos duas passagens na cidade, uma pela ponte internacional e a outra pelo porto de Chalana. São dois controles integrados, nós temos quatro ou cinco funcionários de imigração e a Bolívia tem apenas um – declarou Zigarán.
28 de janeiro de 2025 às 03:17
28 de janeiro de 2025 às 03:11
FOTO: EFE
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nessa segunda-feira (27/1), que o Brasil é um “tremendo criador de tarifas”. No discurso, feito em um encontro com republicanos na Flórida, Trump fala sobre a necessidade de imputar tarifas em outros países, que, segundo ele, querem prejudicar os EUA.
“Vamos colocar tarifas em outros países e pessoas de fora que realmente querem nos prejudicar. Eles querem nos prejudicar, mas eles basicamente querem tornar seu país bom. Olhem o que os outros fazem. A China é um tremendo criador de tarifas e a Índia e Brasil, tantos países”, listou Trump.
No discurso, Trump diz que a necessidade de criar tarifas para outros países é uma maneira de “sempre colocar a América em primeiro lugar”. “Vamos estabelecer um sistema muito justo em que o dinheiro vai entrar em nossos cofres, e a América vai ser muito rica novamente. E vai acontecer muito rapidamente”, ameaçou.
Trump ainda disse que a política econômica externa do governo dele vai retornar ao passado, quando o país era mais rico. “É hora dos Estados Unidos voltarem para o sistema que nos tornou mais ricos e mais poderosos do que nunca. Você sabe, os Estados Unidos entre 1870 e 1913 taxavam tudo. E esse foi o período mais rico da história dos Estados Unidos”, frisou.
Após ser reeleito, Trump ameaçou, em dezembro de 2024, taxar os produtos brasileiros. “A Índia taxa muito, o Brasil nos taxa muito. Se eles querem nos taxar, tudo bem, mas vamos taxá-los da mesma forma”, declarou ele à época.
Havia expectativa de que logo ao assumir o governo, Trump iniciasse a emissão de ordens para taxar os parceiros comerciais. No entanto, pelo menos em um primeiro momento, isto não aconteceu. A conjuntura levou a uma queda do dólar, que voltou a operar abaixo dos R$ 6.
Há expectativa de que estas medidas possam começar a ser colocadas em prática, mas a partir de fevereiro. Técnicos estariam estudando os registros estatísticos para a elaboração das medidas.
28 de janeiro de 2025 às 03:06
27 de janeiro de 2025 às 16:48
FOTO: ILUSTRAÇÃO/GETTY
A Suíça é um dos países com um os salários mais altos do mundo. Desta forma, aqueles que estão em busca de vagas de emprego no país europeu devem ficar atentos para aproveitar a escassez de profissionais. Além disso, há vagas para quem fala português na Suíça e, dependendo da área, os salários médios em vagas na Suíça chegam aos CHF 5.000 francos por mês, o equivalente a 5.296,07 euros.
Todos os anos, muitos profissionais buscam por vagas na Suíça, especialmente trabalhadores portugueses. Desta forma, o país europeu que conta com um dos salários mais altos do mundo, oferece vagas de emprego para trabalhadores estrangeiros de diferentes profissões, especialmente da construção civil, de hotéis e restaurantes.
Desta forma, a Suíça, para combater a escassez de profissionais, busca profissionais que falam português para atuarem em várias áreas.
Há diversas vagas para quem fala português na Suíça e estão publicadas no portal da Rede EURES. Entre elas estão:
Camareira / Pessoal de Limpeza – Berna;
Operadores de Guindaste SUVA – St. Gallen;
Estucador – Gesseiro – Schaffhausen;
Trabalhador da Construção Civil / Cofragem – Turgóvia;
Isolador de Fachada – Grisões;
Trabalhador da Construção Civil / Cofragem – Aargau e Valais;
Instalador de Fachadas – Zurique;
Auxiliar de Lavanderia / Lavadora / Passadeira – Grisões;
Auxiliar de Cozinha – Berna;
Trabalhador de Armazém – Schaffhausen;
Auxiliar Administrativo – Zurique;
Trabalhador da Construção Civil C – Grisões;
Trabalhador da Construção Civil B – Grisões;
Auxiliar Administrativo com Conhecimento em Contabilidade – Zurique.
Como se candidatar às vagas para quem fala português na Suíça?
Aqueles que ficaram interessados nas vagas de emprego e desejam aproveitar a escassez de profissionais, as vagas na Suíça estão disponíveis no portal da Rede EURES. Por isso, depois de acessar o portal, selecione a oportunidade de trabalho na Suíça de interesse, leia todos os requisitos e, caso os cumpra, envie o seu currículo diretamente para a empresa que está recrutando.
Confira também todas as vagas na Suíça anunciadas pela plataforma LinkedIn. Contudo, tenha em conta que é fundamental sempre se candidatar no idioma em que a vaga na Suíça está publicada. Além disso, aquele que não é cidadão de um país da UE ou EFTA, entre no portal oficial do governo da Suíça para ter acesso aos requisitos para a solicitação de um visto de trabalho e residência no país europeu.
Segundo um portal de RH, um trabalhador da construção civil na Suíça recebe, em média, por ano, um salário bruto de CHF 59.809,23 francos suíços. Desta forma, ganha CHF 4.984,10 francos por mês, porém os valores podem ser diferentes dependendo da experiência do profissional, do cantão onde trabalha e até mesmo da área de especialização.
Quais línguas são faladas na Suíça?
É fato que um dos maiores desafios para aqueles que desejam concorrer às vagas para quem fala português na Suíça é a língua. Inclusive, a questão dos idiomas falados na Suíça é considerado um problema cultural e até de política no país europeu. Desta forma, as quatro línguas nacionais faladas na Suíça são o alemão, o francês, o italiano e o romanche.
Desta forma, as três primeiras estão em uso oficial na Confederação Suíça, já o romanche é utilizado em dois cantões. Sendo assim, pode-se dizer que existem quatro Suíças, pois o plurilingualismo enraizado no país resulta de questões históricas de neutralidade e da vontade política às quais se fundem os cantões. Com isso, mesmo sendo pequeno, o território suíço conta com quatro áreas linguísticas, onde a língua maioritária determina o idioma usado.
Como um brasileiro pode trabalhar na Suíça?
Trabalhar na Suíça como brasileiro é uma oportunidade que pode ser concretizada com planejamento e atenção às exigências legais do país. A Suíça é conhecida por sua economia estável e alta qualidade de vida, mas também por ser rigorosa quanto à entrada de trabalhadores estrangeiros.
Para conseguir um emprego no país, o primeiro passo é obter uma oferta de trabalho de uma empresa suíça. Essa oferta é essencial, pois o empregador deve justificar que não encontrou um profissional qualificado dentro da Suíça ou da União Europeia para preencher a vaga, já que cidadãos suíços e europeus têm prioridade.
Após receber a oferta, é necessário solicitar um visto de trabalho, que deve ser aprovado pelas autoridades suíças. Além disso, é importante verificar as qualificações exigidas pela profissão e, se necessário, validar diplomas ou certificações para que sejam reconhecidos na Suíça.
Profissionais de áreas como tecnologia, saúde, engenharia e hotelaria têm maior chance de encontrar oportunidades, especialmente se dominarem idiomas como alemão, francês ou italiano, além do inglês.
Brasileiros com cidadania europeia possuem mais facilidade, pois não precisam de autorização prévia para trabalhar. Por fim, buscar consultoria especializada e estudar o mercado de trabalho local pode facilitar o processo e aumentar as chances de sucesso.
27 de janeiro de 2025 às 14:30
27 de janeiro de 2025 às 09:24
FOTO: EFE
Assim que tomou posse, na última segunda-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto retirando o país do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.
Imediatamente, o porta-voz do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Stephane Dujarric, divulgou uma declaração reconhecendo a relevância do país na liderança de questões ambientais e destacando a importância da continuidade dessa condução por estados e empresas norte-americanas.
Oficialmente, a decisão de Trump ainda não chegou às mãos do depositário do tratado internacional, secretário-geral da ONU, António Guterres, conforme prevê o artigo 28 do próprio Acordo de Paris.
“A qualquer momento após três anos da data em que este Acordo entrou em vigor para uma Parte, essa Parte pode se retirar deste Acordo mediante notificação por escrito ao Depositário”, diz o documento.
No caso dos Estados Unidos, os três anos começaram a contar em 4 de novembro de 2016, como para a maioria dos países signatários que aderiram ao tratado ainda em 12 de dezembro de 2015, quando o instrumento foi adotado oficialmente durante a COP21, em Paris.
Por essa razão, apesar de Trump anunciar a primeira saída do país, em 2017, o pedido oficial só foi enviado em novembro de 2019, para que tivesse validade.
Da mesma forma, o artigo 28 do Acordo de Paris, também determina que “qualquer retirada entrará em vigor no prazo de um ano a partir da data do recebimento pelo Depositário da notificação de retirada, ou em data posterior conforme especificado na notificação de retirada”.
Assim, a decisão só foi efetivada dois meses antes de Trump deixar a Casa Branca em seu primeiro mandato, quase não restando tempo para que o impacto fosse significativo antes do presidente, então eleito, Joe Biden revogar a medida.
Embora tenha manifestado uma série de medidas antiambientalistas antes mesmo de ser reeleito, Trump, como no mandato anterior, anunciou a saída apenas do Acordo de Paris e não da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que teria como consequência a saída dos dois tratados.
Para a gerente sênior de ação climática da WRI Brasil, Míriam Garcia, quando a saída dos Estados Unidos for efetivada, o país permanecerá mantendo compromissos globais para enfrentamento da mudança do clima.
“Nas diferentes trilhas de negociação, você tem algumas trilhas que são referentes ao Acordo de Paris e a operacionalização do Acordo de Paris, e você tem algumas trilhas que são dadas à questão de orçamento da própria convenção ou de estrutura da convenção. Então, em todas essas esferas, os Estados Unidos ainda continuam”, avalia.
Desta vez, caso o documento seja recebido pela ONU ainda em 2025, o prazo de um ano começará a contar e a decisão terá efeito já no segundo ano de mandato de Trump, em 2026.
Na avaliação do especialista em política internacional do Instituto ClimaInfo, Bruno Toledo, além dessa nova saída dos EUA do tratado ter maior duração, a medida também ocorre hoje em outro contexto.
“Lá em 2017, era a recém-aprovação do Acordo de Paris, apenas dois anos depois de 2015. Então, de uma certa maneira, digamos que o humor público era muito mais otimista por conta daquele sucesso”, destaca.
Acordo de Paris
O Acordo de Paris é uma das ferramentas da UNFCCC, que foi o primeiro tratado multilateral sobre o tema assinado pelos países na Eco92, no Rio de Janeiro.
“O Acordo de Paris é como se fosse um sub acordo, porque ele está dentro de um guarda-chuva maior, que é o da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima”, explica Bruno Toledo.
O especialista recorda que, após a criação desse primeiro tratado, em 1997, houve a criação do Protocolo de Kyoto, que foi a primeira ferramenta desenhada para reduzir as emissões globais.
“No Protocolo de Kyoto, apenas os países desenvolvidos, aqueles industrializados, que tinham compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa, mas infelizmente, por conta de questões políticas, logo em seguida os Estados Unidos, que era parte do protocolo, sai, durante o governo do George W. Bush em 2001, e nisso o tratado acaba perdendo bastante força.”
O protocolo também não alcançava grandes emissores, classificados como países ainda em desenvolvimento.
“A China nos anos 90 não estava entre os grandes emissores de gases de efeito estufa, mas toda aquela explosão de crescimento econômico que eles tiveram entre o final dos anos 90 e a segunda metade dos anos 2000 colocaram os chineses como um dos principais emissores do planeta”, recorda.
Metas
Divergências e tensões políticas entre a China e os Estados Unidos, em 2009, no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP15) em Copenhague (Dinamarca), travaram um novo acordo. E somente em 2015, as negociações resultaram no Acordo de Paris.
O tratado reúne em 29 artigos os objetivos, regras e metodologias para alcançar as metas de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, aumentar a capacidade de adaptação aos impactos negativos da mudança do clima e tornar os fluxos financeiros compatíveis com uma trajetória rumo a um desenvolvimento de baixa emissão de gases de efeito estufa e resiliente à mudança do clima.
Também prevê avaliações periódicas, como no artigo 14, que estabelece a elaboração de um Balanço Global para “avaliar o progresso coletivo em direção ao objetivo do Acordo e suas metas de longo prazo”. O primeiro documento foi entregue em Dubai, durante a COP28, em 2023.
Entre as avaliações, estão as estimativas para os esforços globais de mitigação das emissões, o avanço da capacidade de adaptação e os meios de implementação, como financiamento, por exemplo.
Diante dos primeiros resultados, os países partes do Acordo de Paris, terão até fevereiro de 2025 para a entrega da terceira geração da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC na sigla em inglês), que define as ambições para a redução de emissões de gases do efeito estufa. O Brasil se antecipou ao prazo, e assumiu o compromisso de diminuir o problema em seu território de 59% até 67%, em 2035.
Para a gerente da WRI Brasil, um bom termômetro para avaliar o engajamento dos países será as ambições apresentadas até a COP30, no Brasil, em novembro.
“Há uma expectativa de que uma boa parte dessas NDCs venham até setembro. E é mais importante ter boas NDCs do que ambições que não estejam tão boas no prazo. Então, é trabalhar para que a gente possa ver retratado nos compromissos que os países colocam para a comunidade internacional uma maior escala das ações de mitigação, um maior reconhecimento sobre a importância de adaptação e o papel do financiamento que cada um desses países colocará”, conclui.
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