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Categoria: Mundo

Atriz trans critica Trump por passaporte vir como “masculino”

FOTO: REPRODUÇÃO

Na última semana, Hunter Schafer, atriz de Euphoria, criticou o governo de Donald Trump ao receber seu novo passaporte que a identifica como gênero “masculino” em vez de “feminino”. Um decreto do republicano reconhece a existência de apenas dois gêneros, sendo esses definidos ao nascer.

A atriz, de 26 anos, disse que preencheu os papéis para o novo documento se identificando como do sexo feminino, mas quando recebeu o passaporte, estava como masculino.

– Nunca tive minha certidão de nascimento alterada, então isso me levou a acreditar que estão cruzando os dados com as referências de certidões de nascimento – afirmou a atriz.

Hunter explicou que não enfrentou problemas com sua identidade de gênero desde que fez a alteração há cerca de dez anos. Ela acredita que novas regras de Trump deixará a vida das pessoas trans mais difíceis.

– Nós [pessoas trans] nunca vamos parar de existir, eu nunca vou parar de ser trans, uma letra no passaporte não pode mudar isso. E f***-se essa administração. Eu realmente não tenho uma resposta sobre o que fazer sobre isso, mas sinto que era importante compartilhar – completou ela no vídeo.

Pleno News

Demi Moore é eleita melhor atriz do ano e elimina todas as chances de Fernanda Torres

FOTO: DIVULGAÇÃO

A temporada de premiações está chegando ao fim. Foram anunciados neste domingo, 23, os vencedores do Sindicato dos Atores dos Estados Unidos, o Screen Actors Guild Awards (SAG), premiando as produções de cinema e TV. O SAG é a última grande premiação antes do Oscar 2025 — e grande termômetro para a Academia —, que acontece no próximo domingo, 2 de fevereiro. Levando-se em conta os resultados de outras importantes premiações até aqui, as apostas para o Oscar se tornam cada vez mais claras e certeiras.

O drama Conclave, dirigido por Edward Berger, levou o prêmio de Melhor Elenco em Filme. Demi Moore, do terror/comédia A Substância, foi eleita a Melhor Atriz, assumindo seu favoritismo ao prêmio da Academia. Ou seja, a brasileira Fernanda Torres possivelmente deverá voltar para casa de mãos abanando. Kieran Culkin de A Verdadeira Dor e Zoe Saldaña de Emilia Pérez, que têm conquistado absolutamente tudo até o momento, ganharam os prêmios de Melhor Ator e Atriz Coadjuvante, respectivamente. Portanto, é praticamente certa a vitória de ambos no Oscar 2025.

Conheça a lista completa dos premiados do SAG Awards 2025.

Melhor elenco de filme
Conclave

Melhor ator em filme
Timothée Chalamet, Um Completo Desconhecido

Melhor atriz em filme
Demi Moore, A Substância

Melhor ator coadjuvante em filme
Kieran Culkin, A Verdadeira Dor

Melhor atriz coadjuvante
Zoe Saldaña, Emilia Pérez

Melhor elenco de dublês em filme
O Dublê

Melhor elenco em série de drama
Xógum

Melhor atriz em série de drama
Anna Sawai, Shogum

Melhor ator em série de drama
Hiroyuki Sanada, Shogum

Melhor elenco em série de comédia
Only Murders in the Building

Melhor atriz em série de comédia
Jean Smart, Hacks

Melhor ator em série de comédia
Martin Short, Only Murders in the Building

Melhor atriz em minissérie ou filme para TV
Lily Gladstone, Under the Bridge

Melhor Ator em minissérie ou filme para TV
Colin Farrell, Pinguim

Melhor elenco de dublês em séries de TV
Shogun

Revista Oeste

Trump celebra vitória conservadora na Alemanha: ‘Grande dia’

FOTO: GETTY

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (foto), classificou o resultado das eleições legislativas na Alemanha como um “grande dia” para o país europeu e para os EUA.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que, assim como os americanos, os alemães “se cansaram da agenda sem bom senso, especialmente em energia e imigração”.

Como mostramos, as eleições registraram vitória do bloco conservador, formado pela União Democrata-Cristã (CDU) e pela União Social-Cristã (CSU), com cerca de 29% dos votos, segundo projeções divulgadas pela televisão pública alemã.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido da direita radical, obteve desempenho histórico, com 19,5% dos votos — quase o dobro dos 10,4% obtidos em 2021.

O Partido Social-Democrata (SPD), do chanceler Olaf Scholz, ficou em terceiro lugar, com aproximadamente 16%. Os Verdes obtiveram entre 12,4% e 13%, enquanto a Esquerda (Die Linke) alcançou 8,5%. Liberais do FDP e a nova legenda Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) ficaram abaixo do percentual mínimo de 5% para ingressar no Parlamento.

Friedrich Merz, de 69 anos, deve ser indicado para o cargo de chanceler, mas precisará negociar uma coalizão de governo.

A taxa de participação foi a mais alta desde a reunificação alemã, em 1990, atingindo entre 83% e 84%. O recorde anterior havia sido registrado em 1987, com 83,4%.

Apoio à AfD

O crescimento da AfD na Alemanha ganhou impulso com o apoio explícito do vice-presidente dos EUA, JD Vance, e do bilionário Elon Musk, ambos próximos a Trump.

Vance, durante a Conferência de Segurança de Munique, afirmou que a “maior ameaça à Europa não é Vladimir Putin, mas a corrosão dos próprios valores democráticos”, criticando o isolamento político imposto ao partido alemão.

Musk também se posicionou favoravelmente à AfD em diversas publicações no X e participou de transmissões ao vivo com a líder do partido, Alice Weidel.

O bilionário foi acusado pelo governo alemão de espalhar desinformação durante a campanha.

O antagonista

Trump critica Biden por comprar petróleo à Venezuela e “fortalecer” Maduro

FOTO: GETTY

Para o presidente norte-americano, seu antecessor não deveria ter continuado comprando petróleo venezuelano, quando seu país tem “o melhor petróleo bruto do mundo”.

Trump fez essas declarações em um evento na Casa Branca ao se referir à compra de petróleo venezuelano por empresas americanas. O petróleo bruto venezuelano é especialmente pesado e é processado em refinarias em Houston, no Texas.

Trump aludiu à decisão do governo Biden, em novembro de 2022, de autorizar a petroleira norte-americana Chevron a expandir sua produção na Venezuela, em um movimento que reverteu parte das sanções impostas durante seu primeiro mandato.

A esse respeito, insistiu que Maduro “estava pronto para partir”, mas que “Biden o fortaleceu”.

“Então você tem uma pessoa sentada aí com muito petróleo. Essa não é uma boa situação, mas estamos conversando sobre isso”, disse Trump, acrescentando: “Podemos tornar a Venezuela forte novamente”.

No final de janeiro, em declarações à imprensa na Casa Branca, Trump já havia avisado que não permitirá a compra de petróleo venezuelano como fez Biden. “Biden foi e eles compraram milhões de barris de petróleo. Não vou permitir que algo tão estúpido aconteça novamente”, disse ele na ocasião.

Trump reforçou essa posição em 18 de fevereiro, em uma coletiva de imprensa na Flórida, onde garantiu que está considerando suspender a licença que permite à Chevron operar na Venezuela.

Noticias ao Minuto

Papa segue em estado crítico e com insuficiência renal leve

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O papa Francisco segue em estado crítico na Policlínica Gemelli, em Roma, embora não tenha tido nenhuma nova crise respiratória, com alguns exames de sangue mostrando uma insuficiência renal inicial leve, atualmente sob controle, de acordo com o último boletim médico divulgado pelo Vaticano neste domingo (23).

Ainda de acordo com o relatório médico, o pontífice, que está hospitalizado desde 14 de fevereiro com uma pneumonia bilateral, recebeu duas unidades de concentrado de hemácias, o que aumentou seu nível de hemoglobina. De acordo com fontes ligadas ao caso, a trombocitopenia, ou seja, o baixo nível de plaquetas detectado em Francisco neste sábado (22), “permaneceu estável”.

– Alguns exames de sangue mostram uma insuficiência renal inicial leve, atualmente sob controle – ressaltou o boletim médico do líder católico.

A terapia de oxigênio de alto fluxo em Francisco continua através de cânulas nasais depois que o papa sofreu uma crise respiratória no sábado. Ainda segundo o relato dos médicos, o pontífice continua alerta e bem orientado.

– A complexidade do quadro clínico e a espera necessária para que as terapias farmacológicas deem alguma resposta fazem com que o prognóstico permaneça reservado – completou o boletim.

Durante a manhã deste domingo, no apartamento do 10° andar do centro de saúde, Francisco participou da missa com todos os que estão cuidando dele nestes dias de internação.

EFE

Direita vence na Alemanha e Merz deve ser o novo chanceler

FOTO: DIVULGAÇÃO

Neste domingo (23), após os resultados da pesquisa de boca de urna, o candidato Friedrich Merz, da União Democrática Cristã (CDU), partido conservador tradicional, se declarou vencedor das eleições legislativas da Alemanha. Segundo a boca de urna, a legenda teve 29% dos votos, seguida pelo partido também de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), liderado por Alice Weidel, que ficou com 19,5%. É o melhor resultado para a direita alemã desde a Segunda Guerra Mundial. O Partido Social-Democrata (SPD), do atual chanceler Olaf Scholz, ficou em terceiro lugar, com 16%.

Tradicionalmente, o candidato do partido que obtém o maior número de votos se torna o novo chanceler, mas essa definição só ocorrerá após as negociações para a formação de uma coalizão, que devem acontecer nas próximas semanas. Após os resultados das eleições, os principais partidos tentarão formar uma aliança estável para governar, já que é difícil que um partido consiga 50% dos votos, o que garantiria o controle do Bundestag.

Todos os grandes partidos do sistema político da Alemanha se recusaram a trabalhar com o AfD, uma estratégia criada desde o fim da 2ª Guerra para impedir o retorno de extremistas ao poder após a derrota do nazismo.

Merz, vencedor pela boca de urna e que se autodenomina um conservador social e liberal econômico, levou os democratas-cristãos mais para a direita, principalmente em relação à imigração, desde que sucedeu a ex-chanceler Angela Merkel como líder do partido em 2021. Merkel criticou abertamente Merz no mês passado por ter contado com o apoio da direita para aprovar uma moção não vinculante sobre migração no parlamento.

Merz deve ter um caminho difícil para formar um governo na Alemanha, mas prometeu iniciar rapidamente as conversas com o intuito de restaurar a liderança alemã na Europa.

– O mundo exterior não está esperando por nós – disse ele aos apoiadores.

– E também não está à espera de longas conversas e negociações de coligação. Agora devemos ser capazes de agir rapidamente novamente para que possamos fazer a coisa certa.

O chanceler Olaf Scholz também reconheceu a derrota de seu partido em um discurso na sede da legenda.

– É um sentimento amargo – discursou Scholz diante de uma multidão.

COALIZÃO

É incerto se Merz terá maioria para formar uma coalizão com o partido de Scholz ou se precisará de um terceiro partido para formar governo. O líder conservador disse que “o mais importante é restabelecer um governo viável na Alemanha o mais rápido possível”.

– Estou ciente da responsabilidade – disse Merz.

– Também estou ciente da escala da tarefa que temos pela frente. Abordo isso com o maior respeito e sei que não será fácil.

A líder do AfD, Alice Weidel, afirmou que a legenda está “aberta a negociações de coligação” com o partido de Merz. Mas o líder do CDU não deseja formar uma coalizão com a AfD.

TRUMP PARABENIZA MERZ
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parabenizou o resultado da União Democrática Cristã (CDU), o partido conservador tradicional. O republicano apontou que este domingo, 23, é “um grande dia para a Alemanha e para os Estados Unidos”.

– Assim como nos Estados Unidos, as pessoas na Alemanha se cansaram da agenda sem bom senso, especialmente em energia e imigração, que permaneceu por tantos anos – disse Trump em uma publicação escrita em maiúsculas em sua plataforma Truth Social.

– É um grande dia para a Alemanha – acrescentou.

Pleno News

Zelensky se diz disposto a deixar presidência “pela paz da Ucrânia”

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste domingo que estaria disposto a deixar o cargo “pela paz da Ucrânia” e pela adesão do país à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em resposta a uma pergunta sobre a possibilidade de renunciar em troca do fim do conflito. “Se precisarem que eu deixe esta cadeira, estou pronto para o fazer, e também posso trocá-la pela adesão da Ucrânia à OTAN”, disse Zelensky, segundo o The Guardian.

A posição do líder ucraniano surge após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusá-lo de ser um “ditador sem eleições”. Trump fez essa afirmação na última quarta-feira, criticando o adiamento das eleições presidenciais ucranianas, que estavam previstas para abril de 2024, mas foram postergadas devido à guerra contra a Rússia. A declaração do republicano gerou reações contrárias de países ocidentais, que reforçaram que Zelensky foi “democraticamente eleito”, ao contrário do presidente russo, Vladimir Putin.

A guerra na Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu o país sob o argumento de proteger minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o governo de Kyiv. Desde então, a Ucrânia tem buscado apoio militar e diplomático do Ocidente, aproximando-se da União Europeia e da OTAN.

Folhapress

Alemanha: com avanço da extrema direita, xenofobia ameaça brasileiros

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Um dos fatores por trás dos casos, segundo especialistas, é o discurso anti-imigração adotado por políticos, sobretudo pelo partido de ultradireita Alternativa para Alemanha (AfD), segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto (21%) para as eleições deste domingo (23/2).

“Tem situações que fico na dúvida se foi racismo, ou xenofobia, mas essa foi bem evidente”, conta Isabel, estudante brasileira em Düsseldorf. Em 2019, quando chegou ao país, ela precisou abrir uma conta em banco. Na ocasião, o atendente perguntou se ela preferia ler o contrato em inglês em vez de alemão, e ela respondeu que sim. “Ele disse que nesse caso aquele banco não era para mim, eu deveria virar as costas e ir embora. São experiências assim, nas entrelinhas.”

Os problemas não param por aí. Outros brasileiros têm dificuldade de acessar o serviço de saúde por conta do preconceito.

Ao procurar um endocrinologista para tratar um nódulo na tireoide, Alessandra obteve como resposta que não seria atendida, por não falar alemão. “Me mandou voltar na semana seguinte com uma tradutora. Depois desse dia, tenho a sensação que preciso colocar uma armadura diária porque não sei quem vai vir com pedras na mão para me atacar pelo fato de eu ser uma imigrante.”

Na avaliação da presidente da ONG Janaínas, que presta consultoria a brasileiras em casos de xenofobia, Evelyne Leandro, a vida dos imigrantes brasileiros pode ficar mais difícil no país com o aumento da participação política da AfD no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão). “O receio vai fazer parte das nossas vidas, as microagressões vão aumentar, talvez haja uma ausência de políticas públicas que nos protejam”, afirma.

Xenofobia em alta

Não há dados oficiais que indiquem o número de casos de xenofobia contra brasileiros na Alemanha. A Embaixada do Brasil em Berlim foi procurada, mas não informou se recebeu denúncias de situações desse tipo.

No entanto, um levantamento do Ministério do Interior alemão acompanha os registros de crimes de ódio no país. Entre eles, os de racismo e xenofobia. Os dados apontam para um crescimento de 813% dessas queixas entre 2019 e 2023. Elas passaram de 1,6 mil para 15 mil denúncias.

“Quando os políticos dão um sinal para população, a população se sente autorizada a tratar mal estrangeiros. Isso não é um fenômeno da Alemanha, isso acontece em qualquer outro país europeu onde a direita ganhou uma expressão”, explica o sociólogo da Universidade Livre de Berlim Sergio Costa.

Ele lembrou a tentativa do candidato a chanceler federal alemão Friedrich Merz, da União Democrata Cristã (CDU), de aprovar um projeto que pedia restrições à reunificação familiar e a rejeição de imigrantes nas fronteiras. Para aprovar a moção, ele contou com apoio da AfD. “Mesmo entre eleitores mais moderados, como aqueles que votam na democracia cristã, esse discurso xenófobo é alimentado por lideranças do partido, que apostam nesse discurso como uma maneira de não perder votos para a AfD.”

Dados compilados pela Statista revelam que, em 2024, 13,3% da população acreditava que o país estava em risco por causa dos estrangeiros. Ao todo, 15,6 milhões de imigrantes vivem na Alemanha e representam 19% da população. Ainda de acordo com a pesquisa, 15,3% dos alemães consideram que os estrangeiros só estão no país para se aproveitar de benefícios sociais, e 11% alegam que, em caso de desemprego, os estrangeiros devem ser deportados.

“Esse é o mal causado pela AfD. Ela conseguiu traduzir frustrações diversas e oferecer um discurso que explica as insatisfações e ressentimentos através da presença de estrangeiros”, pondera Costa. “São discursos muito vagos que acabam se valendo da desinformação para dar corpo a insatisfações que têm outras razões.”

No trabalho, na escola e em casa

Brasileiros que vivem em diversas cidades da Alemanha relatam casos de xenofobia que ocorrem nos habitantes mais variados. Cleuza foi alvo de preconceito por parte dos colegas na empresa em trabalhava. A tradutora mora na Saxônia, um dos estados de maior capilaridade da AfD, onde o partido conquistou 30,6% dos votos na última eleição estadual.

“Faziam de conta que não me entendiam, diziam que eu não falava alemão direito. Eu só queria ganhar meu pão e ir para casa. Foi bem difícil e no fim das contas, não quis mais trabalhar lá e pedi para sair, porque o ambiente era pesadíssimo. Sei que não foi pessoal porque outros também foram vítimas”, relata.

Já Solange conta que recorreu ao atendimento de psicologia escolar após o filho de 6 anos ser discriminado pela professora. “Ela começou a detoná-lo, dizer que ele não conseguia acompanhar a turma e que nunca iria para o ginásio. Conversando com outros pais, descobri que ela tinha a mesma atitude com outras duas famílias estrangeiras. Então foi sim racismo”, relata. “Tirei ele da escola e procurei ajuda do estado. Fiquei muito mal, porque temos o direito de ficar aqui e temos que passar por isso.”

Em Dresden, outro reduto da AfD, Daniela recebeu pelo correio o panfleto da sigla que imitava uma passagem de avião para deportação de imigrantes. “Foi violento porque sou estrangeira, meu marido viu que foi um homem idoso, de cabelo branco, que colocou na caixa de correio, que tem nosso sobrenome. Foi um choque de realidade ver esse comportamento. Já teve outras situações de gente cuspindo do meu lado ou de não me cumprimentarem de volta”, diz. “O fato de ser lida como branca no Brasil não me protegeu na Alemanha.”

AfD e o avanço da xenofobia

Os casos de xenofobia na Alemanha não começaram com o surgimento da AfD, fundada em 2013. Segundo Sergio Costa, a discriminação aumentou no país após a reunificação da Alemanha em 1990. Ele explica que com a integração, os estados da antiga Alemanha Oriental e as cidades industriais perderam relevância econômica no país.

Além disso, naquele período, agendas de diversidade social ganharam força no país. “Essa transformação não é aceita por todos os grupos. As pessoas veem na possibilidade de hostilizar estrangeiros uma forma ilusória de se rebelar contra uma influência perdida, a exemplo de homens que perderam parte da influência com o crescimento da igualdade de gênero”, afirma o pesquisador.

Por fim, nesse processo, estrangeiros, seus descendentes e alemães naturalizados passaram a ocupar espaços na sociedade alemã. “O discurso xenófobo é uma maneira fácil de traduzir essas insatisfações que tem outros motivos, como a globalização e a perda de importância econômica.”

Um dos que tentaram arregimentar esse discurso durante a reunificação foi o Partido Nacional-Democrático da Alemanha (NPD), que nunca obteve votos para chegar ao Bundestag. No caso da AfD, o partido não nasceu ultradireitista. No entanto, essa ala ganhou espaço na legenda, expulsou os fundadores moderados e eurocéticos e se promoveu sob uma plataforma de discriminação com estrangeiros.

Preconceito multifacetado

Evelyne Leandro ressalta que os 160 mil brasileiros na Alemanha são um grupo heterogêneo, por isso, a xenofobia tem várias camadas. “Quando você soma a raça à questão econômica, há mais microagressões”, afirma.

Rosa, moradora da Turíngia, onde o brasileiro Torben Braga se reelegeu deputado estadual pela AfD em 2024 e estado da maior proporção de votos para a sigla (32,8%), também já foi vítima de xenofobia. “Eu estava andando na rua com algumas amigas e alemães passaram de carro, gritando: ‘Fora! Alemanha para alemães”, conta.

Outra situação ocorreu em uma confraternização com amigos do marido, que é alemão. “Um homem perguntou para meu marido se meus pelos pubianos eram iguais ao meu cabelo. Por que ele se achou confortável para dizer isso? Levantei e fui embora.” Para ela, pesou o fato de ser uma mulher negra. “Se talvez eu fosse uma estrangeira de pele clara ele não faria esse tipo de pergunta. Naquele momento de impotência, foi traumático.”

Já Mayara, ao tentar entrar numa festa, foi barrada pelo segurança, que liberou a entrada das duas amigas que a acompanhavam, uma alemã e outra polonesa. “Pediu meus documentos, coisa que não fez com as outras duas. Perguntou minha idade, eu já tinha 30 anos, e depois de onde eu vinha e disse que eu não iria entrar. O caso foi parar na Justiça.”

Na Alemanha, vítimas de xenofobia podem procurar a Agência Alemã de Antidiscriminação. O órgão oferece aconselhamento aos imigrantes em casos de discriminação e indica quais as medidas judiciais podem ser tomadas. Ela foi criada em 2006, junto com uma lei antidiscriminação, que prevê o pagamento de indenização quando o autor é responsabilizado.

Metrópoles