5 de março de 2025 às 13:45
5 de março de 2025 às 12:07
FOTO: REPRODUÇÃO
Um casal provocou a fúrias de internautas após deixar o seu bebê sozinho num carrinho para que os dois pudessem curtir a atração Guardiões da Galáxia, na Disneylândia, na Califórnia (EUA).
A cena, obviamente, acabou registrada por alguém.
Uma usuária do TikTok, mãe de três filhos, ficou chocada quando viu movimento em um carrinho que parecia não ter supervisão.
E não tinha mesmo. O carrinho estava coberto por um cobertor do Homem-Aranha, que começou a se mover, indicando a presença de uma criança embaixo dele.
Os pais foram para a fila da atração a cerca de 20 metros de dsitância do carrinho.
“Sinceramente, nunca vi isso acontecer”, reclamou ela, afirmando ter ouvido um dos pais dizer: “Ah, coloque uma cadeira ali para bloquear esse lado”.
“Aquele carrinho ali, tem um bebê lá, como vocês podem ver. O filho de alguém está lá, e os pais entraram em ‘Guardiões’ e ainda não voltaram”, disse a tiktoker no vídeo.
A mulher alertou funcionários, que imediatamente foram dar assistência ao bebê.
“Isso é absolutamente insano. Não importa o quão ‘segura’ a Disney seja, eu nunca deixaria meus filhos sozinhos”, protestou uma internauta.
“E no sol, sob um cobertor, sozinho é loucura”, escreveu outra.
“O segurança deveria ter levado o bebê para uma sala, deixá-los (os pais) entrar em pânico por 5 minutos, porque que esses 5 minutos pareceriam uma eternidade”, postou uma terceira.
A autora do vídeo não registrou o retorno dos pais da criança deixada sozinha.
5 de março de 2025 às 13:15
5 de março de 2025 às 11:44
FOTO: REPRODUÇÃO
influencer espanhol Jesus Soriano, que compartilha várias situações inusitadas que acontecem no setor de alimentação e de hotelaria, fez mais uma publicação que se tornou viral.
Soriano publicou a reclamação de uma cliente que se deslocou a uma cafeteria para beber café com leite. Quando a conta chegou à mesa reparou que o valor não era o que estava à espera.
Um olhar mais atento aos valores cobrados, levou a verificar que tinham-lhe sido pedidos 5 euros pelo consumo de… luz e do acesso à rede wi-fi.
“Uma mulher esteve horas sentadas em um café com o computador ligado à eletricidade e usando a rede wi-fi do espaço, e só pediu um café com leite. Quando recebeu a conta tinha este detalhe. O que acham?”, questiona o influenciador aos seus seguidores, promovendo um debate sobre o tema.
Muitos internautas consideraram ser justo, lembrando as muitas pessoas que passam horas – muitas vezes em trabalho remoto- em cafés e pedem apenas uma café ou um suco. “Não seja ‘mão de vaca’ e pede mais qualquer coisa”, escreveu uma pessoa.
Outros consideram que ao fazê-lo, os espaços comerciais deveriam avisar os clientes dessa situação. Além disso, muitos lembram que alguns destes espaço já costumam cobrar valores elevados por produtos, que noutros locais seriam mais baratos, precisamente para incluir já custos adicionais.
5 de março de 2025 às 12:00
5 de março de 2025 às 10:30
FOTO: GETTY
Mary Kate Cornett, uma estudante universitária norte-americana, está em uma batalha em busca de provar a verdade e até já acionou o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos. Isso porque notícias falsas caíram na rede alegando que a jovem estava traindo o namorado com o sogro.
Tudo começou a partir da postagem de uma foto em que Cornett aparece abraçada ao sogro. A imagem gerou uma onda de especulações de que o momento traduzia uma intimidade exagerada. A partir de então, as notícias falsas foram apenas ganhando força, impulsionadas por imagens geradas por inteligência artificial (IA).
“Fui vítima de um ataque cibernético deliberado e coordenado que espalhou informações categoricamente falsas e difamatórias. Capturas de tela parcial e totalmente editadas, vídeos falsos gerados por IA e fotografias manipuladas foram promovidos por participantes irresponsáveis de mídia social e amplificados por milhares de contas falsas”, escreveu Cornett em uma declaração divulgada nas redes sociais.
No relato, a jovem acrescentou que além das mensagens difamatórias, ela ainda está sendo ameaçada. “O mais alarmante é que minhas informações pessoais de contato foram anexadas e compartilhadas ilegalmente em público, colocando minha segurança pessoal em risco. Recebi milhares de chamadas e mensagens de texto de assédio de natureza doentia e demente, algumas das quais sugerem que eu até tirei minha própria vida.”
O namorado da estudante, Evan Solis, ficou do lado da amada e condenou as alegações de traição. “Os rumores inacreditáveis sobre minha família e a de Mary Kate são inaceitáveis e precisam ser abordados”, ele escreveu em uma postagem no Instagram.
“As acusações são inequivocamente falsas. Além disso, minha fé em meu pai e em nosso relacionamento é inabalável. Ele é totalmente inocente e está sendo injustamente caluniado, sem oportunidade de falar em seu próprio nome antes dessas declarações horrendamente falsas.”
O caso ganhou ainda mais destaque após apresentadores de um programa esportivo nos Estados Unidos comentarem e divulgarem as notícias falsas. Em sua postagem nas redes sociais, Cornett aproveitou para criticar especificamente Pat McAfee, personalidade da ESPN; Antonio Brown, ex-jogador da NFL; e a Barstool Sports por amplificarem as “mentiras completas e absolutas”.
Ao The Post, a ESPN não quis comentar o caso, enquanto o CEO da Barstool Sports, Dave Portnoy, negou que sua empresa tenha tido participação na disseminação da notícia falsa.
5 de março de 2025 às 09:00
5 de março de 2025 às 08:53
FOTO: DIVULGAÇÃO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), exortou o Congresso norte-americano a aprovar a pena de morte para quem matar policiais. A declaração foi dada pelo republicano durante seu discurso em sessão conjunta da Câmara dos Representantes e do Senado na 3ª feira (4.mar.2025).
“Eu já assinei um decreto pedindo a pena de morte obrigatória para qualquer um que assassinar um policial, e esta noite eu estou pedindo ao Congresso que torne essa política uma lei permanente”, afirmou Trump.
O presidente se referiu ao decreto “Restaurar a pena de morte e proteger a segurança pública”. O texto não exige a pena de morte, mas instrui o chefe do DOJ (Departamento de Justiça dos EUA) a, sempre que possível e em acordo com a lei, aplicar essa penalidade para assassinos de policiais.
O decreto, assinado por Trump em 20 de janeiro, inclui a defesa da pena de morte também para crimes capitais cometidos por “um estrangeiro presente ilegalmente” nos EUA.
5 de março de 2025 às 08:30
5 de março de 2025 às 08:45
FOTO: GETTY
Uma guerra comercial eclodiu no mundo, neste Carnaval, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a vigência de novas tarifas de importação para produtos do México, do Canadá e da China. Declarações e atos do republicano também ampliaram a lista de produtos que podem sofrer sobretaxa, entre eles alguns que afetam o Brasil.
Madeira
Um dos alvos são produtos de madeira. Ordem executiva assinada no sábado (1º/3) por Trump determinou o início de investigação sobre esses artigos, incluindo madeira serrada e seus derivados. A análise pode resultar na elevação de tarifas.
O republicano alegou que esse é um tema de segurança nacional dos EUA. Em nota, a Casa Branca informou: “A indústria de produtos de madeira, composta de madeira serrada e derivados (como produtos de papel, móveis e armários), é uma indústria de manufatura crítica, essencial para a segurança nacional, força econômica e resiliência industrial dos Estados Unidos”.
Investigação
Agora, o Departamento de Comércio dos EUA vai realizar a apuração, levando em conta o impacto de subsídios estrangeiros, as práticas de comércio predatórias e a viabilidade de aumentar a produção doméstica. A análise deve ser concluída em até 270 dias e deve conter recomendações sobre as medidas a serem adotadas, como tarifas ou cotas de importação.
O comunicado da Casa Branca acrescentou que “a indústria de madeira desempenha papel vital nas principais indústrias civis, incluindo a construção”. Ainda de acordo com o documento, a investigação tem como respaldo a Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio, de 1962.
Produtos agrícolas
Na segunda-feira (3/3), Trump prometeu aplicar tarifas de importação sobre produtos agrícolas a partir de 2 de abril. O presidente dos EUA pediu que os agricultores americanos que se preparem para vender seus produtos no mercado interno, suprindo possível queda de oferta de importados.
Na rede social Truth Social, o mandatário escreveu: “Aos Grandes Fazendeiros dos Estados Unidos: Preparem-se para começar a fazer muitos produtos agrícolas para serem vendidos DENTRO dos Estados Unidos. As tarifas serão aplicadas a produtos externos em 2 de abril. Divirtam-se!”.
Aço e alumínio
A Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio, de 1962, citada pela Casa Branca para justificar a investigação sobre artigos de madeira, foi a mesma usada pelo governo americano para impor tarifas globais de 25% sobre aço e alumínio, o que também pode afetar a indústria brasileira. Em 10 de fevereiro, Trump assinou decretos estabelecendo sobretaxas para esses produtos a partir de 12 de março.
Na ocasião, o republicano afirmou que o objetivo é proteger a indústria americana, que estaria sendo prejudicada “pelas práticas comerciais desleais e a superprodução global” (os empresários brasileiros do setor também reclamam de superprodução, mas, nesse caso, por parte da China).
Brasil é 2º exportador
De acordo com o Departamento do Comércio americano, cerca de 25% do aço usado no país é importado. Em 2024, o Brasil foi o segundo maior fornecedor do produto para os EUA em volume, ficando atrás apenas do Canadá.
Os números do ano passado foram os seguintes: o Canadá exportou 6 milhões de toneladas de aço para os EUA, e o Brasil ficou na segunda posição, com 4,1 milhões de toneladas. O México ocupou o terceiro lugar, com 3,2 milhões de toneladas.
Note-se que o Brasil é o nono maior produtor de aço bruto do mundo, atrás de China, Índia, Japão, EUA, Rússia, Coreia do Sul, Alemanha e Turquia. Em 2023, os americanos compraram 18% de todas as exportações brasileiras de ferro fundido, ferro ou aço, segundo o governo brasileiro.
Esta não foi a primeira vez que Trump tentou taxar o aço e o alumínio importados para os EUA. Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, ele criou tarifas e outras restrições para a importação desses produtos, mas todas foram posteriormente retiradas.
Etanol
No dia 13 de fevereiro, Trump colocou o etanol brasileiro na mira de sua agenda de tarifas, ao anunciar seu plano para um comércio internacional “justo e recíproco”.
“A tarifa dos EUA sobre o etanol é de apenas 2,5%. Mesmo assim, o Brasil cobra das exportações de etanol dos EUA uma tarifa de 18%”, escreveu o republicano, num memorando sobre o tema. “Como resultado, em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil, enquanto os EUA exportaram apenas US$ 52 milhões em etanol para o Brasil”.
Críticas geral às tarifas brasileiras
A agência de representação comercial americana (USTR, na sigla em inglês) também cita as tarifas brasileiras como um exemplo do desequilíbrio nas relações com os EUA – contra os americanos. De acordo com a Agenda de Política Comercial 2025, a Organização Mundial do Comércio (OMC) tem sido “incapaz de reduzir disparidades e desequilíbrios” nas trocas internacionais.
O documento menciona que a tarifa consolidada nos EUA foi de 3,4%, e a aplicada, de 3,3% na média em 2023. No caso brasileiro, a consolidada ficou em 31,4%, e a aplicada, em 11,2%. Na Coreia, os números foram, respectivamente, 17% e 13,4%. No caso da Índia, 50,6% e 17%.
Promessa de campanha
A política tarifária de Trump é parte de suas promessas de campanha. Para “tornar a América grande novamente” — seu slogan eleitoral —, Trump prometeu aumento de tarifas em diversos produtos importados, para privilegiar as empresas americanas contra a concorrência internacional.
5 de março de 2025 às 08:15
5 de março de 2025 às 08:41
FOTO: REPRODUÇÃO
“Nós acabamos com a tirania da chamada diversidade, equidade, inclusão, e suas políticas em todo o governo federal, no setor privado e, também, em nossas forças militares. E nosso país não mais será engajado no chamado ‘woke’. Nós acreditamos que você deve ser contratado baseado apenas nas suas habilidades e competências, e não por raça ou gênero.
(…) Nós retiramos das nossas escolas públicas o veneno da teoria de raça, e assinamos um decreto fazendo com que seja política oficial nos Estados Unidos apenas dois gêneros: masculino e feminino”, disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu primeiro discurso no Congresso depois de eleito para o segundo mandato.
5 de março de 2025 às 08:00
5 de março de 2025 às 08:38
FOTO: DIVULGAÇÃO
Um tribunal de Barcelona começou a julgar nessa terça-feira (4/2), pela primeira vez na história da Espanha, um caso sobre o direito à morte assistida, após uma jovem paraplégica ter a execução de sua eutanásia suspensa a pedido de seu pai.
Noélia, de 24 anos, confirmou nessa terça sua opção pela eutanásia e disse ao juiz que sofria “coerção” de seu entorno. A jovem foi a primeira a depor na audiência realizada no 12º Tribunal Administrativo de Barcelona. Seus pais, assim como suas duas irmãs, são contra a eutanásia.
Especialistas da Comissão Catalã de Garantia e Avaliação decidiram em julho que seu pedido correspondia às exigências da lei, que estabelece que qualquer pessoa em posse de suas faculdades e sofrendo de uma “doença grave e incurável”, ou de uma condição “crônica e incapacitante”, pode solicitar assistência para morrer.
No entanto, pouco antes da data prevista para sua eutanásia, em 2 de agosto, a justiça aceitou um recurso da associação ultraconservadora Avogados Cristianos (Advogados Cristãos), que representa seu pai, pedindo a paralisação do processo.
A jovem esclareceu, durante a audiência, que não mudou de ideia, mas que encontrou oposição da família, que encheu seu quarto “com santinhos e terços”.
O advogado José María Fernández, que representa o pai, negou, após a audiência, a suposta coação, embora tenha dito que “logicamente havia pessoas lutando por sua vida, insistindo para que ela renunciasse à sua decisão”, e reconheceu que alguns amigos lhe deram uma cruz.
Ele alega que a jovem sofre de um transtorno obsessivo-compulsivo, com pensamentos suicidas e um transtorno de personalidade borderline que “anula sua decisão”. Além disso, o advogado afirma que a paraplegia que sofre não causa dor nem sofrimento insuportável, não se enquadrando nas causas exigidas por lei.
O advogado acrescentou que a jovem “teve pensamentos suicidas praticamente toda a sua vida” e que já tentou se matar em diversas ocasiões.
Noélia ficou paraplégica após se jogar do quinto andar em uma tentativa de suicídio em 2022 e havia pedido oficialmente a eutanásia em abril do ano passado.
Os profissionais de saúde e outros funcionários do governo envolvidos no processo de aprovação da eutanásia confirmaram que Noélia atende aos requisitos estabelecidos na lei e que suas capacidades estão intactas.
Pouco antes da execução da eutanásia em agosto, o pai de Noélia pediu ao juiz que interrompesse o processo e forneceu um vídeo para tentar provar que sua filha conseguia andar com a ajuda de muletas e que poderia melhorar de sua lesão.
A juíza suspendeu a eutanásia da jovem por não considerá-la portadora de “uma doença grave, crônica e debilitante”, apesar de Noélia já ter recebido aval médico.
Conforme solicitado pelo Ministério Público, a juíza convocou a jovem, profissionais de saúde e especialistas para depor na terça-feira e decidir sobre o caso.
Temores sobre contestação do direito de morrer O parlamento espanhol aprovou em 2021 a lei que descriminaliza a eutanásia, tornando a Espanha um dos poucos países que permite que um paciente incurável receba ajuda para morrer.
No entanto, as regras para isso permanecem rígidas: o candidato deve estar “apto e consciente” no momento do pedido, que deve ser feito por escrito e reconfirmado posteriormente, e deve obter autorização de um comitê de avaliação.
Desde que a lei foi aprovada, vários casos foram levados aos tribunais, mas nenhuma audiência foi realizada até agora.
“Estamos preocupados com a normalização da possibilidade de contestar judicialmente resoluções administrativas que aprovam a eutanásia”, lamentou a Associação pelo Direito de Morrer com Dignidade em um comunicado à imprensa.
“A lei da eutanásia defende um direito fundamental e estritamente pessoal no âmbito da vida privada, onde não deve haver interferência de terceiros”, lembrou a organização, sugerindo que “certas forças políticas” tentavam obstruir a lei cuja aprovação no Parlamento não conseguiram impedir.
5 de março de 2025 às 07:48
5 de março de 2025 às 07:59
FOTO: EFE
Em seu segundo mandato, o presidente norte-americano fez duas declarações sobre o Brasil até o presente momento. Na primeira, no começo de dezembro de 2024, mencionou a tentativa dos Brics de usar uma moeda que não seja o dólar. Na segunda, assim que retornou ao Salão Oval, indagado sobre o Brasil, declarou em tom de deboche que teria “excelentes” relações com o país, já que o Brasil depende da América em tudo, e a América não depende do Brasil em nada.
O tom mostra ainda mais do que as palavras como é a relação do governo Lula 3 com os EUA, principal parceiro comercial do Brasil: nula. Mauro Vieira, o chanceler oficial, e Celso Amorim, que exerce de fato a função de relações exteriores, não possuem contato algum com a Casa Branca. Que está, em contrapartida, em contato constante com… Eduardo Bolsonaro. Filho do ex-presidente, o deputado também é um nome presidenciável e alguém que está denunciando os desmandos autoritários do Brasil para toda a imprensa e, principalmente, autoridades norte-americanas.
Se a América não é mais o principal aliado comercial do Brasil desde 2009, tendo perdido o posto para a China, isto não significa que os norte-americanos são irrelevantes para o Brasil, como tenta fazer crer Lula. Os EUA ainda são líderes do mundo livre, e, para azedar de vez nossa diplomacia, a ditadura chinesa está em estagnação.
Mas há ainda uma sigla no meio do caminho que pode deixar o Brasil na pior situação possível. Aquela citada na primeira declaração de Trump: o Brics.
Brics, o motivo da discórdia
O bloco, que nasceu como acrônimo dos melhores países para se investir em 2001, segundo a visão de Jim O’Neill, do Goldman Sachs, é hoje tratado pelo próprio criador do termo como algo sem sentido — quem investiria na Rússia, em guerra, hoje, fora do sistema Swift, esperando bom retorno financeiro? O Brics, afinal, eram apenas países com boas perspectivas para investir há 20 anos — não havia nenhuma afinidade cultural, geográfica nem histórica que os unisse.
De repente, o bloco tornou-se um peso geopolítico — algo do qual o Brasil pouco pode se orgulhar, se tenta se vender ao mundo como uma democracia, cujos “poderes extraordinários” surgiriam apenas para “combater antidemocráticos”. Virou um discurso ridículo a ser sustentado diante dos EUA e do Ocidente, quando seus aliados internacionais são Rússia, China e, agora, quitutes como Egito, Etiópia, Indonésia e… Irã. Não se trata de bom alvitre enquanto Alexandre de Moraes cogita reter o passaporte de Eduardo Bolsonaro por denunciar o totalitarismo brasileiro nos EUA.
Diga-me com quem andas e direi quem és
Nesta festa estranha com gente esquisita, da qual Celso Amorim é um dos principais arquitetos, o Brasil teria pouco a fazer, além de passar vergonha. Seria até interessante fazer parte de alguma reunião com mandachuvas como a Rússia e a China — mesmo ditatoriais, o Brasil estaria a portas fechadas com os grandes jogadores do tabuleiro, podendo constantemente ser o fiel da balança num mundo que caminha para a guerra.
Hoje, com os Novos Brics, dividindo a posição com África do Sul, Emirados Árabes, Indonésia e Etiópia, o Brasil é apenas mais um peso morto em uma sala cheia de ditadores dispostos a destruir o Ocidente (isso porque a Argentina, tão logo Milei assumiu, resolveu não passar a vergonha e recusou fazer parte do Brics).
A situação do Brasil, pavoneando “independência”, proclamando “soberania” e papagaiando “democracia” sem convencer ninguém, tem gerado constrangimentos inimagináveis em nossa história.
O primeiro foi em 2023, quando o governo Lula 3, sabe-se lá Deus por que cargas d’água, resolveu permitir que dois navios militares iranianos ancorassem em Copacabana, com apoio de Celso Amorim.
O senador Ted Cruz, um dos mais influentes dos EUA e ex-presidenciável, asseverou que os navios ameaçavam norte-americanos. Até mesmo o governo Biden assegurou que Teerã enriquecia urânio para armas nucleares (projeto que contou com bizarro lobby de Celso Amorim) e que o Brasil enviava “mensagem errada” ao permitir tais navios em suas praias. Os navios, suspeitos de carregar armamento, estão agora na mira do governo Trump, que pode considerar que o Brasil é uma das nações financiadoras do terrorismo.
De novo: não se trata de uma mensagem muito agradável aos olhos norte-americanos, quando o governo brasileiro e, principalmente, o STF vão precisar justificar suas medidas antidemocráticas diante do centro do mundo livre — e enquanto cogitam até prender Eduardo Bolsonaro.
O dinheiro que manda no mundo
Outro ponto de atrito, como declarado por Donald Trump, é a tentativa de trocar as transações internacionais do bloco por uma moeda única (como foi aventado), tentando enfraquecer o dólar — política que é obsessão do governo Lula 3.
Na última semana, Lula escudou-se no discurso do protecionismo para fazer um anúncio tímido e burocrático: afirmou que “aumentar as opções de pagamento significa reduzir vulnerabilidades e custos. A Presidência brasileira está comprometida com o desenvolvimento de plataformas de pagamento complementares, voluntárias, acessíveis, transparentes e seguras”. Nada mais dos arroubos histriônicos, que usavam o Brics como salvaguarda para conversinhas de professor de geografia de ensino médio.
O anúncio de Donald Trump em novembro sobre a moeda do Brics, feito na Truth Social (uma das que enfrentam Alexandre de Moraes em tribunais norte-americanos), envolveu possível aumento de tarifas em 100%. Não parece apenas um blefe: apenas nesta terça-feira, 4, Trump aumentou as tarifas para a China em 50%, além de 25% para México e Canadá. Um aumento de 100% para o Brasil parece ser troco de pinga dentro do pacote do tarifaço. E para um país que pode ser encarado como patrocinador do terrorismo — e que “depende da América em tudo”.
Não contente com isso, duas facções criminosas brasileiras podem ser classificadas pelo governo norte-americano como terroristas. Mais uma vez, o STF é quem está na berlinda: a decisão sem lastro na Constituição de Edson Fachin de proibir operações policiais em favelas desde a pandemia pode ser entendida pelo governo norte-americano como conivência do STF — que, de fato, é quem governa — com o terrorismo.
A conjuntura não se concretiza em bom momento econômico para o Brasil. O dólar comercial ainda está acima de R$ 6 (o turismo chega a R$ 6,23), os preços internamente estão enterrando uma possível reeleição de Lula — que poderia terminar sua biografia perdendo uma eleição e com péssima aprovação popular. O risco de revolta popular também não está descartado — e, desta feita, com norte-americanos entendendo que todo o poder vem do STF, dominado por Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.
Para segurar o dólar, o governo petista vendeu US$ 33 bilhões em oito dias para conter 20 centavos de dólar, terminando com 7,1% a menos de reserva do Tesouro — a “poupança” que o Estado tem para negociar moeda. O governo petista quer mesmo se fiar em algo que não seja o dólar — mas tem se mostrado totalmente dependente da moeda norte-americana.
O Brasil tem enviado péssimos recados para Washington, num momento em que precisa justificar por que esculhambou a democracia — e, desta vez, não será o STF quem julgará o próprio STF. Além de dólar, Irã, terrorismo e STF, a última várzea tem a ver simplesmente com a China, principal rival norte-americana — e, de novo, tendo Eduardo Bolsonaro como pivô.
O plano da China para escapar de sua crise energética é conseguir urânio brasileiro, que poderia ser enriquecido com ajuda do Irã. O urânio é importante para a agricultura, a medicina e a própria energia nuclear, incluindo a fabricação de bombas nucleares. Os acordos entre a China e o Brasil estão sendo costurados para ser firmados por ocasião do G20, a ser realizado em 22 de novembro em Johannesburgo, na África do Sul.
Para tais acordos serem celebrados, firmando o Brasil como um parceiro nuclear com a China, nos primórdios de uma nova guerra mundial, é preciso aval do Congresso. Eduardo Bolsonaro, que será futuro presidente da Comissão de Relações Exteriores, terá papel fundamental. Washington observará as movimentações da PGR e do STF com lupa — como nunca observou tanto o Brasil.
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