17 de agosto de 2025 às 11:05
17 de agosto de 2025 às 11:05
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizou, neste sábado (16/8), exames laborais e de imagem para investigar um quadro recente de febre, tosse, persistência de episódios de refluxo gastroesofágico e soluços.
O boletim divulgado pelo Hospital DF Star mostra que os exames evidenciaram imagem residual de duas infecções pulmonares recentes, possivelmente relacionadas a episódios de broncoaspiração.
“A endoscopia mostrou persistência da esofagite e da gastrite, agora menos intensa, porém com a necessidade de tratamento medicamentoso contínuo. Deverá seguir com o tratamento da hipertensão arterial, do quadro de refluxo e medidas preventivas de broncoaspiração, sendo liberado às 13h58”, diz o boletim.
Bolsonaro deixou o hospital após mais de quatro horas fazendo exames no local. Ele chegou ao hospital por volta das 9h. Agora, o ex-presidente retornará para a sua residência no Condomínio Solar de Brasília, onde cumpre prisão domiciliar.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto por ordem de Moraes, e esta é foi a primeira vez que ele deixa sua casa para exames externos.
O quadro de saúde do ex-presidente se agravou três dias após a prisão, e os advogados pediram visitas frequentes de médicos.
Um dos médicos de Bolsonaro, o cardiologista Leandro Echenique, destacou a bateria intensa de exames realizada e que o tratamento agora é medicamentoso, sem necessidade de cirurgia. “[Bolsonaro] Teve quadro de esofagite, mas exige tratamento contínuo, permanente”, disse.
EXAMES REALIZADOS
coleta de sangue para realização de exames bioquímicos diversos;
coleta de urina;
endoscopia digestiva alta em função de CID 10 K20;
tomografia computadorizada de tórax, para controle evolutivo de CID 10 J15;
tomografia computadorizada de abdome para controle evolutivo de CID K46.9;
tomografia computadorizada de pelve para controle evolutivo de CID 10 K56;
ecocardiograma transtorácico para controle evolutivo de CID 10 I10;
ultrassonografia doppler de carótidas para controle evolutivo de CID 10 I65.2; e
ultrassonografia de próstata e vias urinárias para controle evolutivo de CID10 N40.
Bolsonaro deixou a residência, no Jardim Botânico (DF), por volta das 8h30, com monitoramento eletrônico no tornozelo e autorização do ministro Alexandre de Moraes.
A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) acompanhou o deslocamento para certificar que não houve descumprimento de medida cautelar.
5 de agosto de 2025 às 13:15
5 de agosto de 2025 às 08:58
FOTO: DIVULGAÇÃO
O mundo pode enfrentar sérios desafios de saúde caso o avanço da obesidade não seja controlado. Um estudo publicado na noite desta segunda-feira (3/3), na conceituada revista científica The Lancet, estima que seis em cada dez adultos (60%) e quase um terço das crianças e adolescentes viverá com sobrepeso ou obesidade até 2050.
“A epidemia global de sobrepeso e obesidade é uma tragédia profunda e um grande fracasso social”, afirma a principal autora do estudo, Emmanuela Gakidou, professora do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, em comunicado.
Em 2021, o número de adultos com sobrepeso ou obesidade já havia ultrapassado os 2 bilhões, enquanto cerca de 493 milhões de crianças e adolescentes estavam nas mesmas condições. O novo estudo aponta que a obesidade infantil e adolescente deve crescer ainda mais rápido do que o sobrepeso, com aumentos expressivos esperados até 2030.
Sem uma reforma política e ações urgentes, prevê-se que cerca de 3,8 bilhões de adultos (60%) e 746 milhões de crianças e adolescentes (31%) viverão com excesso de peso ou obesidade em 25 anos.
A pesquisa analisou dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2021, utilizando 1.350 fontes de informação, incluindo pesquisas nacionais e multicontinentais. O estudo faz parte do Global Burden of Disease BMI Collaborators.
Os autores classificaram o sobrepeso e a obesidade com base no índice de massa corporal (IMC). Em adultos, o sobrepeso corresponde a um IMC entre 25 e 29,9, enquanto obesidade se refere a valores iguais ou superiores a 30. Para menores de 18 anos, os critérios seguem os padrões dos critérios da International Obesity Task Force.
Entre os países mais afetados atualmente, oito nações concentram mais da metade dos adultos com sobrepeso ou obesidade: China (402 milhões), Índia (180 milhões), Estados Unidos (172 milhões), Brasil (88 milhões), Rússia (71 milhões), México (58 milhões), Indonésia (52 milhões) e Egito (41 milhões).
Até 2050, China, Índia e EUA continuarão liderando essa lista, mas o crescimento mais significativo será registrado na África Subsaariana, onde os casos devem aumentar mais de 250%, chegando a 522 milhões de adultos.
Sobrecarga nos sistemas públicos de saúde
O avanço da obesidade terá consequências graves para a saúde pública e a economia global. Segundo o estudo, quase um quarto dos adultos com obesidade em 2050 terá 65 anos ou mais, o que deve sobrecarregar ainda mais os sistemas de saúde, especialmente em países de baixa renda.
Os pesquisadores destacam que as novas gerações estão ganhando peso mais rapidamente do que as anteriores e em idades cada vez mais precoces. Isso aumenta o risco de desenvolver doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer ainda na juventude.
“As taxas de obesidade estão disparando na África Subsaariana, com mais de 200 milhões de jovens projetados para 2050. Isso impõe uma carga dupla aos sistemas de saúde já sobrecarregados, que não estão preparados para lidar com a ascensão das doenças relacionadas à obesidade”, alertou o coautor do estudo, Awoke Temesgen, professor clínico associado do IHME.
Necessidade de ações urgentes
Os autores do estudo reforçam que, sem políticas públicas eficazes, o avanço da obesidade poderá ter impactos irreversíveis. A falta de estratégias concretas nas últimas décadas contribuiu para o aumento expressivo da condição, tornando urgente a adoção de medidas de prevenção.
“Governos e a comunidade de saúde pública podem usar nossas estimativas específicas por país para identificar populações prioritárias que enfrentam os maiores impactos da obesidade e necessitam de intervenção e tratamento imediato”, destacou Gakidou.
Entre as principais recomendações estão políticas para incentivar a alimentação saudável, regulamentação da indústria alimentícia, programas de educação nutricional e estímulo à prática de atividades físicas. Especialistas alertam que, sem mudanças estruturais, o mundo pode enfrentar uma crise de saúde pública sem precedentes nas próximas décadas.
21 de julho de 2025 às 13:00
21 de julho de 2025 às 09:06
FOTO: DIVULGAÇÃO
Uma vacina experimental de mRNA desenvolvida por cientistas da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, conseguiu potencializar os efeitos da imunoterapia e eliminar tumores em testes com camundongos. A descoberta, publicada na quinta-feira (18) na revista Nature Biomedical Engineering, é considerada um passo importante rumo à criação de uma vacina universal contra o câncer. Com informação do g1.
O diferencial do estudo está no fato de que a vacina testada não foi desenvolvida para atingir um tumor específico, mas sim para estimular o sistema imunológico de forma ampla, como se o corpo estivesse respondendo a um vírus. Esse estímulo provocou uma reação robusta das células de defesa, que passaram a reconhecer e atacar as células tumorais.
“A grande surpresa é que uma vacina de mRNA, mesmo sem ter como alvo um câncer específico, conseguiu gerar uma resposta imune com efeitos anticâncer bastante significativos”, explicou o oncologista pediátrico Elias Sayour, líder do estudo e pesquisador da UF Health.
Testes eliminaram tumores em modelos resistentes
Nos experimentos, os pesquisadores combinaram a nova vacina de mRNA com medicamentos já usados na imunoterapia, os chamados inibidores de checkpoint imunológico, como o anti-PD-1. Esses fármacos “liberam o freio” das células T, parte essencial da defesa do organismo, para que elas consigam atacar o tumor.
A combinação foi testada em camundongos com melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele, e apresentou resultados promissores, inclusive em tumores resistentes a tratamento. Em alguns modelos, os tumores desapareceram completamente. A equipe também obteve efeitos positivos em casos de câncer ósseo e cerebral.
A chave do sucesso, segundo os cientistas, foi forçar os tumores a expressarem a proteína PD-L1, que torna as células cancerígenas mais visíveis para o sistema imunológico. Essa “isca” aumentou a eficácia da imunoterapia.
Tecnologia similar à das vacinas da covid-19
A formulação da vacina experimental segue a mesma lógica das vacinas de mRNA contra a covid-19, como as da Pfizer e da Moderna. Ela usa uma molécula de RNA mensageiro envolta em nanopartículas lipídicas (pequenas partículas de gordura) para levar instruções às células e gerar uma resposta imunológica.
No ano passado, o grupo de Sayour já havia testado com sucesso, em humanos, uma vacina personalizada de mRNA para tratar glioblastoma, um tipo de câncer cerebral raro e agressivo. Na ocasião, a vacina foi feita a partir das células tumorais de cada paciente. Agora, a inovação é ir além: usar uma vacina genérica, de uso mais amplo, que dispense a personalização.
“Este estudo propõe um terceiro paradigma no desenvolvimento de vacinas contra o câncer”, disse Duane Mitchell, coautor da pesquisa. “Em vez de adaptar a vacina a um tumor específico ou buscar alvos comuns entre pacientes, podemos usar uma resposta imune forte e inespecífica como arma principal.”
PRÓXIMOS PASSOS: A expectativa agora é levar a nova formulação a testes clínicos com humanos. “Se conseguirmos replicar esses efeitos em humanos, isso abre caminho para uma vacina universal que prepara o sistema imunológico para reconhecer e destruir o câncer”, afirmou Mitchell.
Os cientistas trabalham para aprimorar a formulação e viabilizar os testes em pacientes nos próximos anos. A pesquisa foi financiada por diversas agências americanas, incluindo os Institutos Nacionais de Saúde (NIH).
“Poderíamos despertar a resposta imune do próprio paciente contra seu tumor. Se isso for validado em humanos, terá implicações profundas no tratamento do câncer”, disse Mitchell.
Essa nova abordagem representa uma promessa especialmente relevante para pacientes com tumores agressivos ou que não respondem bem aos tratamentos convencionais, como quimioterapia e radioterapia.
3 de junho de 2025 às 13:45
3 de junho de 2025 às 14:58
FOTO: ILUSTRAÇÃO
O número de infartos entre jovens brasileiros disparou nos últimos anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, as internações por infarto em pessoas com menos de 40 anos aumentaram 180% entre 2000 e 2024, passando de menos de dois para quase cinco casos a cada 100 mil habitantes. O dado não inclui a rede privada, o que pode indicar uma realidade ainda mais grave.
Especialistas atribuem o aumento ao estilo de vida atual. Sedentarismo, obesidade, alimentação ultraprocessada, uso de anabolizantes, cigarro, drogas e estresse em excesso estão entre os principais gatilhos. Esses fatores aceleram o envelhecimento dos vasos sanguíneos, elevando o risco cardiovascular mesmo em idades precoces.
O cenário também preocupa entre mulheres de 15 a 49 anos. As mor:tes por inf:arto nessa faixa cresceram 62% entre 1990 e 2019, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Além do crescimento dos casos, o infarto em jovens é muitas vezes mais letal. Isso porque, ao contrário dos idosos, eles não desenvolveram vasos san:guíneos colaterais, que ajudam a irrigar o coração em emergências. Sem esse mecanismo compensatório, a chance de mo:rte súbita aumenta, especialmente se o socorro não ocorre na primeira hora.
Os sintomas mais comuns incluem dor no peito, falta de ar, dor no braço esquerdo, mandíbula ou estômago, tontura e palpitações.
12 de maio de 2025 às 04:11
11 de maio de 2025 às 15:28
FOTO: REPRODUÇÃO
Um estudo desenvolvido em 2023 por cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego, a UCSD, dá esperanças sobre uma possível forma de atrasar o processo de envelhecimento humano. Os primeiros experimentos feitos com leveduras tiveram como resultado o prolongamento de sua vida útil em 82%.
Para entender melhor a pesquisa, é preciso voltarmos no tempo. Em 2020, os primeiros experimentos começaram e os cientistas identificaram que as células de levedura seguem duas direções diferentes durante o envelhecimento.
Cerca de metade das células envelhece devido a um declínio gradual na estabilidade do DNA, onde a informação genética é armazenada. A outra metade envelhece ao longo de um caminho ligado ao declínio das mitocôndrias – parte da célula que produz a energia.
A partir dessa diferenciação, o grupo passou a manipular geneticamente esses processos para prolongar sua vida útil e expandiu a pesquisa usando biologia sintética para “criar” uma solução que evita que as células atinjam os níveis normais de deterioração associados ao envelhecimento. E os resultados foram animadores.
Circuitos genéticos
Todas as células, incluindo leveduras, plantas, animais e células humanas, contêm circuitos reguladores de genes responsáveis por muitas funções fisiológicas, incluindo o envelhecimento.
“Esses circuitos genéticos podem funcionar como nossos circuitos elétricos domésticos que controlam dispositivos como eletrodomésticos e carros”, disse Nan Hao, na ocasião. Ele é principal autor do estudo.
No estudo, os pesquisadores modificaram geneticamente o circuito que controla o envelhecimento celular.
O circuito reconectado funciona como um dispositivo semelhante a um relógio, chamado de oscilador de gene, que leva a célula a alternar periodicamente entre dois estados “envelhecidos”, evitando o compromisso prolongado com qualquer um deles e, assim, retardando a degeneração celular.
Retardando o relógio do envelhecimento
Ao contrário de inúmeras tentativas químicas e genéticas de forçar as células a estados artificiais de “juventude”, a nova pesquisa fornece evidências de que é possível retardar o “relógio” do envelhecimento, impedindo ativamente que as células se comprometam com uma trajetória predestinada de declínio e morte.
As células de levedura manipuladas com este método resultaram em um aumento de 82% no tempo de vida em comparação com as células de controle envelhecidas em circunstâncias normais.
“Nosso trabalho representa um exemplo de prova de conceito, demonstrando a aplicação bem-sucedida da biologia sintética para reprogramar o processo de envelhecimento celular. Ele pode lançar as bases para projetar circuitos genéticos sintéticos que efetivamente promovem a longevidade a organismos mais complexos”, resumiu Nan Hao.
7 de maio de 2025 às 13:30
7 de maio de 2025 às 11:29
FOTO: DIVULGAÇÃO
Se você acha que “um pouquinho” de álcool não faz mal, a ciência mostra outra realidade. O álcool foi classificado como agente cancerígeno, no mesmo nível que o cigarro e o amianto.
Segundo estudos, ele foi responsável por 741 mil mortes por câncer no mundo em 2020.
E o pior: menos de 1 drink por semana já aumenta em pelo menos 10% o risco de desenvolver câncer.
Não existe dose segura de álcool. Nenhuma.
Seja vinho, cerveja, destilados… todas as formas de consumo expõem seu corpo a substâncias cancerígenas.
Nossa missão é alertar: compartilhe esta informação com quem ainda acha que “só socialmente” não tem problema. Informação salva vidas
22 de abril de 2025 às 04:32
22 de abril de 2025 às 04:37
FOTO: DIVULGAÇÃO
Um anticoncepcional masculino não hormonal está dando novos passos rumo à aprovação clínica. A pílula experimental YCT-529, desenvolvida pela Universidade de Minnesota, iniciou sua fase de testes em humanos em dezembro de 2023, após apresentar resultados promissores em estudos com animais. A informação é do Defato.
Diferente das abordagens hormonais, a YCT-529 atua inibindo o receptor alfa do ácido retinoico (RAR-alfa), proteína essencial para a produção de espermatozoides. O método permite interromper a espermatogênese sem alterar os níveis de testosterona, o que reduz o risco de efeitos colaterais como ganho de peso e alterações de humor.
Em testes realizados com camundongos, a pílula demonstrou 99% de eficácia na prevenção da gravidez. Além disso, a fertilidade dos animais foi totalmente restaurada entre quatro e seis semanas após a interrupção do medicamento.
Avanços e interesse crescente
Além da YCT-529, outras alternativas de contracepção masculina estão em desenvolvimento, como géis e implantes. Especialistas apontam um crescimento no interesse dos homens por métodos contraceptivos, embora estudos ainda sejam limitados. Uma pesquisa realizada no Reino Unido revelou que cerca de um terço dos homens sexualmente ativos se mostraram dispostos a utilizar métodos não hormonais.
A primeira fase clínica da YCT-529 inclui um estudo de 28 dias com 50 voluntários. Uma segunda etapa, mais longa e abrangente, está prevista para o próximo ano. Caso os resultados em humanos confirmem a eficácia observada em animais, o medicamento poderá representar uma revolução na contracepção masculina, ampliando as opções de planejamento familiar e promovendo maior equilíbrio na divisão de responsabilidades entre os gêneros.
25 de março de 2025 às 18:00
25 de março de 2025 às 12:29
FOTO: GETTY
Uma pesquisa realizada no Japão identificou que, ao se bloquear uma proteína, o envelhecimento celular pode ser não apenas evitado, como revertido (leia mais abaixo). O anúncio das descobertas, que ainda carecem, por exemplo, de validação em modelos in vivo, foi suficiente para gerar expectativas sobre possíveis desdobramentos futuros, incluindo aquela sobre a realização de um velho anseio da humanidade: a superação do processo de envelhecimento.
Ao longo da história, são fartos e bem conhecidos os registros sobre a crença em “elixires da vida eterna” e “fontes da juventude”, sendo a imortalidade um tema recorrente nas mais diversas mitologias.
Hoje, a ciência e as indústrias farmacêutica, genética, médica e cosmética também encampam essa luta contra a passagem do tempo, ofertando todo um sortimento de procedimentos que visam reduzir os sinais da velhice enquanto o mundo convive com um aumento da expectativa de vida e, bem ou mal, uma transformação dos estereótipos de marcadores de idade.
Em suas tantas expressões, esse medo de envelhecer, comum a diferentes sociedades e épocas, tem como pano de fundo uma série de fatores, a começar pelo fato de a velhice nos lembrar nossa própria finitude. É o que avalia a psicóloga e psicanalista Vanessa Teixeira.
“É claro que não sabemos quando vamos morrer (e podemos morrer jovens), mas também sabemos que não vamos durar para sempre e, quando nos deparamos com a velhice do corpo, somos lembrados de que estamos nos aproximando de um momento natural na vida: a morte”, reflete.
Esse prenúncio, prossegue ela, é acompanhado de uma série de fontes de mal-estar. “Ao longo dos anos que passam, é inevitável que esse corpo passe por transformações em seu funcionamento. Então, ao nos depararmos com a perda de algumas funções executivas e executoras, tanto do cognitivo quanto da mobilidade, vamos passar por pequenos processos de luto por aquilo que vamos deixando de conseguir realizar”, assinala.
Estigmas
Da perspectiva social, o envelhecimento é igualmente tratado como algo não desejado. “Nesse caso, o velho é visto como aquele que não é mais útil – e é até um peso – para mover a máquina do capital, que precisa seguir funcionando e, para isso, exige força física e destreza cognitiva, características associadas à juventude”, aponta Vanessa Teixeira.
Essa lógica, continua a psicanalista, é acompanhada de um fascínio pelo novo. “Embora me pareça que haja uma intensificação dessa sensação hoje, o novo sempre pareceu muito atraente e, por isso, há um certo desdém pelo que é antigo. Existem, inclusive, uma valorização do que é visto como inovador porque a atitude inovadora é carrega de idealização de solução de problemas. Mas, com isso, vamos ignorando o que veio antes, o que fez parte da nossa história… Mas, como ser uma sociedade que não se lembra do seu próprio passado?”, questiona Vanessa, que amplifica a questão para atitudes individuais.
“Existe um certo mote de resetar a vida, como se fosse possível eliminar o passado. Ou seja, a gente abre mão do velho até mesmo em relação a nós mesmos, ao que nos é anterior, como se só o ‘daqui para frente’ interessasse”, aponta. “A gente usa essa lógica que separa o velho do novo, o antes do depois, se rende a esse eterno culto ao futuro. Nesse sentido, a psicanálise é um pouco subversiva, porque entendemos que presente, passado e futuro estão sobrepostos no inconsciente, sem separação”, complementa, ponderando que, ao não registrar o envelhecimento no inconsciente, pois essas temporalidades não aparecem bem definidas neste campo, e se deparar com um corpo envelhecido, esse estranhamento vai levar à angústia.
“Em vez de lidar com essa angústia e buscar ressignificar a nossa história, em vez de vir fazendo esse crochê de buscar a linha do tempo e trazer para o presente, a gente quer resolver imediatamente. E daí a corrida em busca desses procedimentos fica sendo uma solução, que tampona esse estranhamento, esse descompasso entre o corpo envelhecido e o inconsciente que não tem essa dimensão temporal”, avança a psicanalista.
Ecos
Vanessa Teixeira lembra que os achados da pesquisa que abre esta reportagem, que ressoaram em toda a mídia como a promessa de uma janela de possibilidade para o rejuvenescimento celular, se somam a outras diversas tecnologias que tentam evitar ou, ao menos, reduzir os sinais do envelhecimento.
“Esses produtos ofertados pelas indústrias farmacêutica, médica e cosmética ecoam como um superego (parte moral da personalidade, que fornece os padrões morais e ideais de uma pessoa) terrível, que vai nos dizer que o corpo que envelhece não é um corpo que tem valor, que não é um corpo bonito, que não pode ser sexualizado, mostrado, falado, tocado, que precisa ser escondido, arrumado, recauchutado, cortado, costurado, enxertado, preenchido… E quem embarca nesse imperativo de juventude a qualquer preço, vendido por essas indústrias, sofre muito, até porque o envelhecimento é inevitável”, pondera.
A psicóloga e psicanalista avalia que o mercado da beleza e do bem-estar captura, de maneira sedutora, essa constante tentativa de adiar o fim. “Quando a gente tem uma oferta muito disponível, para esse círculo de pessoas que podem pagar, isso pode entrar em uma vertente da compulsão, com a pessoa fazendo tantos procedimentos, que chega a ficar deformada”, pondera. “Já quem não consegue pagar sente um golpe duplo: além de sofrer com o envelhecimento, lida com a impotência de não ter recursos para evitá-lo”, acresce.
O resultado, nos dois casos, é o potencial adoecimento do indivíduo, que, contaminado por esses ideais sociais inatingíveis, passa a se sentir inadequado. “É sempre um problema quando nós, que estamos desesperados querendo saber o que nos falta para sermos perfeitos, ficamos fixados naquilo que a indústria nos diz que precisamos”, conclui.
Pesquisa relacionou proteína AP2A1 ao envelhecimento celular
Pesquisadores da Universidade de Osaka, no Japão, identificaram que uma proteína, a AP2A1, pode desempenhar um papel crucial na regulação do estado celular. Segundo o estudo, a substância, além de ser a chave para entender como as células envelhecem, pode abrir uma janela para reverter esse processo.
Na investigação, os cientistas se debruçaram sobre a senescência celular, como é chamado o processo biológico pelo qual as células param de se dividir e entram em um estado de “aposentadoria”. O mecanismo pode ter função antitumoral, impedindo a proliferação de células cancerígenas, mas o acúmulo de células senescentes ao longo do tempo está associado ao envelhecimento e a diversas doenças relacionadas à idade, como Alzheimer, diabetes e doenças cardiovasculares, além de, em alguns casos, criar um ambiente imunossupressor local que favorece a persistência de células tumorais.
Agora, a pesquisa publicada na revista Cellular Signalling indica que a proteína AP2A1 é mais perceptível justamente em células senescentes, tanto em fibroblastos humanos – células compõem o tecido conjuntivo, que dá suporte e estrutura aos órgãos e tecidos do corpo – quanto em células epiteliais – aquelas que revestem os órgãos internos e a pele do corpo humano.
Mais do que isso, a equipe liderada por Pirawan Chantachotikul e Shinji Deguchi demonstra que a AP2A1 está diretamente envolvida na manutenção da arquitetura celular durante a senescência, especialmente na reorganização das fibras de estresse – estruturas que ajudam a célula a manter sua forma e aderência ao substrato. Em células senescentes, essas fibras se tornam mais espessas e estáveis, contribuindo para o aumento do tamanho celular e a perda de função.
O estudo mostrou que o knockdown – técnica da genética molecular por meio da qual um organismo é geneticamente modificado para que tenha uma expressão reduzida – da AP2A1 em células senescentes reverteu vários fenótipos associados ao envelhecimento, passando a apresentar tamanho reduzido, fibras de estresse mais finas e maior capacidade proliferativa, características típicas de células jovens. Em outras palavras, é como se elas tivessem rejuvenescido. Por outro lado, a superexpressão de AP2A1 em células jovens acelerou o processo de senescência, confirmando o papel central dessa proteína no envelhecimento celular.
A expectativa, a partir das descobertas, é que as descobertas desse regulador-chave da senescência deve abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de terapias antienvelhecimento. Mas há um longo percurso pela frente: a validação desses achados em modelos animais e humanos ainda é precisa ser realizada. Até lá, é impossível saber se a manipulação da AP2A1 não cause efeitos colaterais.
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