20 de janeiro de 2026 às 11:30
20 de janeiro de 2026 às 06:08
FOTO: DIVULGAÇÃO
Muitos mistérios rondam a vida de Cleópatra, a rainha mais famosa do Egito. Há até dúvida sobre sua beleza, retratada nos livros e filmes. Mas, uma coisa é certa: ela estava à frente do seu tempo. Quando o mundo ainda contava o tempo Antes de Cristo, ela já usava batom vermelho e tomava banhos de leite de jumenta.
O bicho ameaçado de extinção no Nordeste banhava a pele de uma das mulheres mais importantes da história com a composição que pode ser a salvação do semiárido nordestino. Já conhecido como “ouro branco”, o leite de jumenta é rentável e muito mais nutritivo que o leite de vaca. É, inclusive, o que mais se aproxima do leite materno de nós, os seres humanos.
No Brasil, é quase impossível conseguir um vendedor. Não existe um comércio formal. Contudo, 2026 promete virar essa chave, inclusive, para abastecer os bancos de leite das UTIs neonatais pelo país, já que o leite se assemelha ao humano. Na Universidade do Agreste de Pernambuco (Ufape), cientistas trabalham para que, ainda este ano, o leite de jumenta possa ser utilizado com segurança em unidades de terapia intensiva pediátrica, graças ao seu potencial terapêutico.
O leite de jumenta apresenta baixo teor de gordura e calorias, alto teor de lactose e whey proteins, que são proteínas solúveis que facilitam a digestão, além de uma baixa proporção de caseína, a principal responsável pelas reações alérgicas ao leite de vaca. Essa combinação explica porque, em diversos estudos clínicos, entre 82,6% e 98,5% das crianças com alergia à proteína do leite de vaca toleram bem o consumo do leite de jumenta.
15 de janeiro de 2026 às 08:30
14 de janeiro de 2026 às 18:02
FOTO: REPRODUÇÃO
Um amigo próximo de Titina Medeiros, que morreu neste domingo (11), aos 49 anos, em Natal, no Rio Grande do Norte, revelou que a atriz já enfrentava sinais da doença desde o início do ano passado, quando ainda não sabia que tinha câncer no pâncreas.
De acordo com Raildon Lucena, a artista começou a sentir dores persistentes na coluna, o que chegou a alterar planos pessoais. Os dois viajariam juntos para o interior do Ceará, mas Titina precisou desistir por causa do incômodo físico. Após o episódio, ela procurou atendimento médico e passou por uma série de exames, que confirmaram o diagnóstico em abril de 2025. “Ela compartilhou comigo e a gente trocou muita ideia. Dei muita força para ela”, disse ele em uma publicação em rede social.
A dor na coluna pode estar associada ao câncer de pâncreas, especialmente quando o tumor pressiona nervos localizados na parte posterior do órgão, provocando desconforto que irradia para as costas. Trata-se de um sintoma inespecífico e pouco característico, o que faz com que seja frequentemente confundido com problemas musculares ou ortopédicos, atrasando o diagnóstico. Na maioria dos casos, só ganha maior relevância quando aparece de forma persistente ou acompanhada de outros sinais, como perda de peso sem causa aparente, fraqueza e icterícia.
Titina Medeiros, conhecida por trabalhos em novelas da Globo como Cheias de Charme e No Rancho Fundo, morreu em decorrência de complicações provocadas pelo câncer de pâncreas. A atriz tinha 48 anos e recebeu a confirmação da doença no ano passado.
Um dos cânceres mais difíceis de tratar
O câncer de pâncreas é considerado um dos mais agressivos e difíceis de identificar precocemente. Embora represente cerca de 1% dos diagnósticos oncológicos no Brasil, responde por aproximadamente 5% das mortes causadas por câncer no país. O órgão afetado é responsável, entre outras funções, pela produção de insulina.
Nos últimos anos, a doença ganhou destaque no noticiário após atingir diferentes personalidades conhecidas. Entre elas estão o cantor de R&B D’Angelo, que morreu em outubro, o guitarrista dos Titãs, Tony Bellotto, diagnosticado em março do ano passado, e o chef e apresentador Edu Guedes, que entrou em remissão após retirar o tumor por meio de cirurgia.
Especialistas apontam que um dos principais desafios no enfrentamento do câncer de pâncreas é o fato de ele evoluir, na maioria dos casos, sem sintomas claros nos estágios iniciais. Isso faz com que o diagnóstico ocorra tardiamente, quando a doença já está mais avançada e as opções de tratamento são mais limitadas.
Quando os sinais aparecem, podem incluir fraqueza intensa, emagrecimento sem causa aparente e icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos. A confirmação costuma envolver exames de imagem, testes laboratoriais e, em muitos casos, biópsia do tecido afetado.
O tratamento varia conforme cada situação. A cirurgia é considerada a alternativa com melhores perspectivas, mas só costuma ser indicada quando o tumor é detectado cedo. Como isso nem sempre acontece, abordagens como quimioterapia e radioterapia acabam sendo as mais utilizadas nos estágios mais avançados da doença.
12 de janeiro de 2026 às 11:00
11 de janeiro de 2026 às 17:23
FOTO: CECILIA ACIOLI
A atriz potiguar Titina Medeiros morreu neste domingo (11), aos 48 anos, após enfrentar um câncer no pâncreas por pelo menos seis meses. Casada com o ator César Ferrario, ela construiu uma carreira marcante no teatro e na televisão, com destaque em produções da TV Globo.
Titina ficou nacionalmente conhecida ao interpretar a personagem Socorro, fiel escudeira de Chayene (Claudia Abreu) na novela Cheias de Charme, exibida em 2012. Mais recentemente, esteve no ar como a vilã Nivalda em No Rancho Fundo, em 2024, reforçando sua versatilidade artística e presença em papéis de destaque.
Segundo informações do Instituto Vencer o Câncer, o câncer de pâncreas é considerado uma doença silenciosa. A alta taxa de mortalidade está associada, principalmente, ao diagnóstico tardio: mais de 50% dos pacientes descobrem a doença já em estágio de metástase, quando as opções de tratamento e as chances de cura são reduzidas.
Os sintomas costumam ser genéricos, o que contribui para a demora na identificação do tumor. Entre os sinais mais comuns estão perda de apetite, perda de peso, dor abdominal — especialmente na região do estômago —, náuseas e vômitos.
O diagnóstico é realizado por meio de exames de imagem, inicialmente com ultrassom e, posteriormente, tomografia ou ressonância magnética do abdômen. A confirmação exige biópsia, que pode ser feita de forma ambulatorial, guiada por tomografia ou por ecoendoscopia. A análise da amostra é fundamental para determinar o estágio da doença e definir o tratamento, que pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou a combinação dessas abordagens.
2 de janeiro de 2026 às 17:00
2 de janeiro de 2026 às 15:01
FOTO: GETTY
Um estudo publicado recentemente pelo JAMA Psychiatry aponta que fazer sexo pode contribuir para a cicatrização de lesões físicas. A pesquisa sugere ainda que, mesmo na ausência de desejo sexual, gestos simples de carinho — como a troca de elogios com o parceiro ou a parceira — podem gerar benefícios parecidos. Embora os processos envolvidos por trás desses benefícios ainda não sejam totalmente compreendidos, os resultados indicam que interações afetivas têm potencial para reforçar o sistema imunológico, o que pode favorecer uma vida mais longa.
Pesquisas anteriores já haviam apontado uma associação entre manter um relacionamento afetivo e melhores condições de saúde, incluindo a redução das taxas de mortalidade por diferentes causas entre pessoas que vivem com um companheiro ou companheira.
Na nova pesquisa, os cientistas buscaram entender de que maneira a ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”, influencia a capacidade de recuperação do nosso corpo. Essa substância é liberada em situações de intimidade emocional, como momentos de êxtase romântico e nas interações entre pais e filhos, como a amamentação, e desempenha um papel fundamental na formação de laços sociais.
Para este novo experimento, os pesquisadores provocaram pequenas bolhas na pele do antebraço dos dois integrantes de 80 casais heterossexuais. Em seguida, os participantes foram distribuídos em quatro grupos distintos.
Um recebeu um spray nasal de ocitocina, para ser usado duas vezes ao dia por uma semana. Os membros desse grupo tiveram que realizar uma Tarefa de Apreciação do Parceiro (TAP) — que consistia em dizer coisas carinhosas um sobre o outro — até três vezes durante os sete dias do período.
Um segundo grupo foi submetido ao TAP, mas recebeu placebo em vez de ocitocina, enquanto outro grupo usou ocitocina, mas não participou do TAP. O último grupo recebeu o placebo e não teve que a tarefa.
Como resultado, os autores observaram que a ocitocina isolada pareceu não fazer efeito na velocidade de cicatrização de feridas. Porém, a combinação de ocitocina e TAP acelerou a recuperação das bolhas.
Esse fenômeno foi intensificado em casais que receberam ocitocina e relataram ter relações sexuais durante o período do estudo. “Uma maior atividade sexual diária no grupo da ocitocina previu uma melhor cicatrização de feridas”, escreveram os pesquisadores.
Análises adicionais revelaram que aqueles que faziam mais sexo também apresentavam níveis mais baixos do hormônio do estresse, o cortisol, na saliva, sugerindo que a combinação de ocitocina e redução do estresse como resultado da intimidade física pode ser a fórmula vencedora quando se trata de recuperação de lesões.
2 de janeiro de 2026 às 11:30
2 de janeiro de 2026 às 06:06
FOTO: DIVULGAÇÃO
Manter a saúde cerebral em dia é uma prioridade para quem deseja envelhecer com qualidade de vida. No entanto, um hábito comum em celebrações e momentos de relaxamento pode ser o maior inimigo da mente: o consumo de álcool. Recentemente, um especialista de renome internacional trouxe um alerta decisivo sobre o impacto dessas bebidas no sistema nervoso.
Richard Restak, neurologista e autor especializado em saúde cognitiva, defende que existe um marco temporal em que o risco deixa de compensar o prazer social. Segundo ele, o álcool atua como uma neurotoxina direta, capaz de comprometer as conexões neurais de forma acelerada conforme envelhecemos.
Para o médico, entender essa “data de validade” do consumo alcoólico é essencial. A recomendação não visa apenas o bem-estar imediato, mas a prevenção de doenças degenerativas que podem transformar radicalmente a terceira idade e a autonomia do indivíduo.
De acordo com as diretrizes do Dr. Restak, os 65 anos representam a fronteira crítica para interromper o consumo de forma definitiva. Nessa fase da vida, o corpo já possui uma resiliência menor à toxicidade, e o cérebro torna-se mais suscetível a danos que levam ao declínio cognitivo. A sugestão é clara: eliminar o álcool do regime alimentar para garantir que os neurônios permaneçam saudáveis por mais tempo.
O especialista reforça que, além da idade, é preciso observar a relação emocional com a bebida em qualquer etapa da vida. Se o álcool é utilizado como uma ferramenta para aliviar a ansiedade ou o estresse, o sinal de alerta deve ser ligado. Nesses casos, a substância mascara problemas psicológicos enquanto deteriora silenciosamente a estrutura cerebral do consumidor regular.
Abandonar o hábito aos 65 anos não é uma escolha arbitrária, mas uma estratégia de sobrevivência neurológica. A ciência indica que a partir desta década o risco de desenvolver demências aumenta exponencialmente, e o álcool atua como um acelerador desse processo. A prevenção, portanto, começa com a mudança de comportamento antes que os primeiros sinais de confusão mental apareçam.
Álcool como neurotoxina direta e riscos à saúde
O termo “neurotoxina direta” é utilizado pelo neurologista para classificar o álcool como uma substância que ataca e destrói o funcionamento do sistema nervoso.
Diferente de outros alimentos que podem ser prejudiciais de forma indireta, as bebidas alcoólicas interferem diretamente na comunicação entre as células cerebrais. Isso resulta em prejuízos na retenção de memórias recentes e na capacidade de raciocínio lógico.
Na França, dados do Ministério da Saúde apontam que o consumo excessivo está ligado a 49 mil mortes anuais, evidenciando que o perigo vai além do cérebro. O excesso de álcool — definido como mais de dois copos por dia para mulheres e três para homens — é um fator de risco comprovado para cânceres de esôfago e cólon, além de doenças hepáticas graves, como a cirrose.
O impacto sistêmico do álcool é vasto, afetando o coração e o pâncreas, além de agravar quadros de depressão. Quando o consumo é frequente, o corpo entra em um estado de inflamação constante, o que dificulta a regeneração celular necessária para evitar o envelhecimento precoce dos órgãos vitais e do sistema circulatório.
A ameaça do Síndrome de Wernicke-Korsakoff
Uma das maiores preocupações levantadas por neurologistas é o desenvolvimento da síndrome de Wernicke-Korsakoff, uma forma específica de demência associada ao álcool. Essa condição é caracterizada por uma perda severa e debilitante da memória recente, onde o indivíduo perde a capacidade de formar novas lembranças. Ela é o resultado direto da toxicidade alcoólica prolongada sobre o tecido cerebral.
Além do dano direto, o consumo desmedido provoca uma deficiência crítica de vitamina B1 (tiamina), nutriente essencial para a energia do cérebro. Sem essa vitamina, as células nervosas morrem, consolidando o quadro de demência. É um processo muitas vezes irreversível, que transforma a rotina do paciente e de sua família devido à dependência de cuidados constantes.
Portanto, a recomendação de parar aos 65 anos funciona como um escudo contra patologias severas. Ao retirar a neurotoxina do dia a dia, o indivíduo permite que seu sistema nervoso opere com a máxima eficiência possível para aquela idade. Proteger a mente contra a síndrome de Wernicke-Korsakoff é, em última análise, preservar a própria identidade e a história de vida.
22 de dezembro de 2025 às 14:00
22 de dezembro de 2025 às 11:28
FOTO: REPRODUÇÃO
Um novo estudo, publicado na Nature Metabolism, mostrou que há uma relação entre dieta e câncer de pulmão. Segundo pesquisadores americanos, os tumores cancerígenos no órgão se “alimentam” de açúcar. Eles afirmaram que, quanto mais glicogênio (molécula que armazena um tipo de açúcar conhecido como glicose) nas células cancerígenas, maior e mais agressivo é o crescimento do tumor.
No estudo feito com ratos, os tumores pulmonares cresceram quando os cientistas alimentaram os bichos com uma dieta rica em gordura e frutose, um açúcar presente nas frutas.
“A dieta ocidental típica aumenta os níveis de glicogênio, e o glicogênio alimenta os tumores de câncer de pulmão, fornecendo os componentes básicos para o seu crescimento”, relatam os pesquisadores.
O glicogênio é um “preditor excepcionalmente bom” do crescimento tumoral e da mortalidade em pacientes com câncer de pulmão, afirmou Ramon Sun, professor associado e diretor do Centro de Pesquisa Avançada em Biomoléculas Espaciais da Universidade da Flórida.
Entretanto, o impacto da dieta no câncer de pulmão não é tão bem estudado quanto em outros tipos de câncer.
“Tradicionalmente, o câncer de pulmão não tem sido considerado uma doença relacionada à dieta. Doenças como o câncer de pâncreas ou o câncer de fígado, sim. No entanto, quando se trata de câncer de pulmão, a ideia de que a dieta possa desempenhar um papel raramente é discutida”, afirma o professor Sun.
Embora a dieta seja frequentemente discutida na prevenção do câncer, os pesquisadores destacaram que esta é uma das primeiras vezes em que o câncer de pulmão foi diretamente relacionado ao que comemos.
“A longo prazo, nossa abordagem para a prevenção do câncer deve refletir o sucesso da campanha antitabagista, dando maior ênfase à conscientização pública e a estratégias baseadas em políticas públicas que promovam escolhas alimentares mais saudáveis como componente fundamental da prevenção de doenças”, disse Sun.
De forma geral, os pesquisadores afirmam que continua sendo excepcional priorizar uma dieta rica em nutrientes, manter um estilo de vida ativo e minimizar o consumo de álcool para uma saúde geral a longo prazo.
“Promover melhores hábitos alimentares pode ser uma ferramenta poderosa na prevenção do câncer de pulmão”, apontam os pesquisadores.
19 de dezembro de 2025 às 09:15
19 de dezembro de 2025 às 13:14
FOTO: DIVULGAÇÃO
Um copo “só para brindar” pode parecer inofensivo, mas uma revisão liderada por pesquisadores da Florida Atlantic University (FAU) reforça que até o consumo moderado de álcool aparece associado a maior risco de vários tipos de câncer. A frequência e a quantidade dos brindes fazem diferença nessa conta. A informação é do g1.
O trabalho, conduzido por cientistas da Charles E. Schmidt College of Medicine, analisou 62 estudos com amostras que variaram de 80 a quase 100 milhões de participantes e encontrou associações mais consistentes para tumores como mama, colorretal, fígado e cavidade oral, além de laringe, esôfago e estômago.
O que o estudo encontrou?
A revisão, publicada na revista científica “Cancer Epidemiology”, conclui que não é apenas o volume total que importa: beber com mais frequência também aparece ligado a maior risco em diferentes desfechos oncológicos.
Um dos recados centrais, segundo os autores, é que existe um padrão de risco que cresce conforme aumenta o consumo. A pesquisadora Lea Sacca, da FAU, resume assim:
“Em 50 estudos analisados em nossa revisão, um maior consumo de álcool elevou de forma consistente o risco de câncer, com o risco aumentando à medida que a ingestão cresce. Fatores como o tipo de bebida alcoólica, a idade da primeira exposição, gênero, raça, tabagismo, histórico familiar e genética influenciam esse risco. Alguns grupos — como idosos, pessoas em situação socioeconômica desfavorável e indivíduos com comorbidades — são especialmente vulneráveis. O consumo pesado, diário ou episódico excessivo está fortemente associado a múltiplos tipos de câncer, o que reforça a importância da moderação e do seguimento das diretrizes de prevenção do câncer.”
Por que causa câncer? Os autores listam mecanismos biológicos já discutidos na literatura para explicar por que o álcool pode aumentar risco oncológico.
“Do ponto de vista biológico, o álcool pode danificar o DNA por meio do acetaldeído, alterar os níveis hormonais, desencadear estresse oxidativo, suprimir o sistema imunológico e aumentar a absorção de agentes carcinogênicos. Esses efeitos são potencializados por condições de saúde pré-existentes, escolhas de estilo de vida e predisposições genéticas, fatores que podem acelerar o desenvolvimento do câncer”, resume Lewis S. Nelson, coautor, reitor e chefe de assuntos de saúde da Schmidt College of Medicine.
Grupos mais vulneráveis: quando o mesmo copo pesa mais
Os pesquisadores destacam que o risco não se comporta de forma uniforme entre todos. A revisão aponta maior vulnerabilidade — mesmo com consumo semelhante — em recortes como idosos, pessoas com obesidade ou diabetes e populações em desvantagem socioeconômica, além de diferenças observadas por raça/etnia em parte da literatura analisada.
O trabalho também descreve que fatores como tabagismo podem amplificar o risco associado ao álcool (com variações por sexo e padrão de consumo), e cita outros elementos frequentemente envolvidos nos estudos, como nível de atividade física, dieta e algumas infecções.
Tipo de bebida e diferenças entre homens e mulheres
Em alguns estudos, o tipo de bebida apareceu associado a diferenças no risco para determinados cânceres: a revisão cita que cerveja ou vinho branco foram ligados a maior risco em alguns desfechos, enquanto destilados não mostraram o mesmo padrão em certas análises — um ponto que os autores tratam com cautela.
Também houve diferenças por sexo: o texto descreve que beber com frequência se associou a maior risco em homens, enquanto episódios de consumo pesado episódico se relacionaram a maior risco em mulheres.
Metodologia: pontos fortes e ressalvas
Os pesquisadores da Florida Atlantic University, no Charles E. Schmidt College of Medicine, fizeram uma revisão sistemática de 62 estudos sobre álcool e risco de câncer em adultos dos EUA, incluindo trabalhos com amostras de 80 a quase 100 milhões de participantes.
O ponto forte é juntar um grande volume de evidências e comparar padrões de consumo (quantidade e frequência), além de discutir subgrupos e comorbidades.
A principal ressalva é que a maior parte das evidências vem de estudos observacionais e com medidas de consumo frequentemente autorreferidas — isso torna difícil separar completamente o efeito do álcool de outros fatores associados (como tabagismo, dieta e condições de saúde), e impede conclusões de causa e efeito com o mesmo grau de certeza de um ensaio clínico.
E o que eu faço com essa informação?
A revisão reforça a ideia de que “moderação” não é uma blindagem automática: para algumas pessoas, o risco pode ser maior por causa do conjunto de fatores individuais (saúde, hábitos e contexto).
Na prática, o recado é usar a evidência para decisões mais informadas — e para políticas públicas que deixem mais claro o vínculo entre álcool e câncer, como defendem os autores.
5 de dezembro de 2025 às 11:45
5 de dezembro de 2025 às 06:10
FOTO: REPRODUÇÃO
Investigadores das universidades do Porto e de Coimbra identificaram uma forma de “rejuvenescer o coração”, atuando diretamente nos mecanismos celulares do envelhecimento. A descoberta abre caminho para uma abordagem inovadora no tratamento de uma das variantes mais graves da insuficiência cardíaca: a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF).
A condição ocorre quando o ventrículo esquerdo perde flexibilidade e não consegue relaxar e encher-se adequadamente. Segundo o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), trata-se de um quadro que afeta sobretudo pessoas idosas e está entre as formas de insuficiência cardíaca que mais crescem no mundo.
Para os pesquisadores, o estudo representa um marco na convergência entre medicina antienvelhecimento e cardiologia. Os avanços foram possíveis graças à colaboração entre três instituições portuguesas de referência no estudo do envelhecimento, da medicina regenerativa e das doenças cardiovasculares.
O estudo, publicado na revista Cardiovascular Research, foi feito com um modelo animal que imita essa forma de insuficiência cardíaca. Os investigadores perceberam que havia muitas células envelhecidas no corpo, células que já não se dividem, mas continuam ativas e libertam substâncias que inflamam e prejudicam os tecidos à sua volta. Essas células estavam espalhadas pelo sistema imunitário, pelos vasos sanguíneos e também pelo coração.
Segundo o i3S, essas células fazem os tecidos envelhecer mais rápido e pioram diretamente esse tipo de insuficiência cardíaca. Por isso, os investigadores aplicaram um medicamento chamado senolítico, que consegue identificar e eliminar apenas essas células danificadas. Depois do tratamento, houve uma melhora geral nos vários sintomas da doença.
Diana Nascimento, coordenadora da equipe do i3S e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), considera que a intervenção teve impacto direto “na saúde cardiovascular e sistémica”.
Já Lino Ferreira, líder da equipe do CNC-UC/CIBB e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, destaca que os achados reforçam o “enorme potencial da medicina de rejuvenescimento” como alternativa terapêutica para doenças complexas, incluindo a HFpEF.
Os investigadores também encontraram, no sangue de pessoas com HFpEF, uma quantidade maior de leucócitos envelhecidos, células de defesa que já não funcionam bem. Esse excesso foi ligado a casos mais graves da doença, indicando que o uso de medicamentos senolíticos pode vir a ser útil também no tratamento de pacientes.
Comentários