SELO BLOG FM (4)

Categoria: Economia

Pecuária leiteira no RN atinge produção diária em torno de um milhão de litros

FOTO: DIVUGAÇÃO

O Rio Grande do Norte quase dobrou, em quatro anos, o valor em Reais da produção de leite, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), edição de 2024. O levantamento mostra que em 2020 a produção anual saiu de cerca de R$538 milhões para mais de R$981 milhões em 2024, em todo o Estado. Um dado significativo para o setor que mostra a importância da pecuária leiteira para a economia.

Com relação ao ano anterior (2023), o aumento na produção no Estado foi de 2,4% em volume de litros. Neste último levantamento, no ano passado, o volume da produção anual atingiu 394,5 milhões de litros de leite, o que representa uma média diária de 1,09 milhão de litros. Na mesma faixa de produção do Rio Grande do Norte estão os estados do Pará, do Tocantins, de Alagoas e do Rio de Janeiro. No Nordeste, o RN fica à frente do Maranhão, Piauí e Paraíba.

Ainda sobre os dados do Rio Grande do Norte, entre os municípios com maior produção estão Caicó, com 41 milhões de litros, liderando o ranking, seguido de outras cidades do Seridó. Mas o Estado registra produções expressivas nos municípios das regiões Oeste, como Mossoró; Agreste, Nova Cruz, e Ceará-Mirim, região metropolitana de Natal.

Quadro nacional

O valor de produção nacional na PPM 2024 chegou à marca de R$132,8 bilhões, uma alta de 8,8% em relação a 2023, segundo relatório do IBGE. E a produção estimada de leite de vaca foi de 35,7 bilhões de litros, deixando a região Nordeste em terceira colocação em termos de produção, respondendo por 18% do total nacional. Com 6,4 bilhões de litros e um aumento de 4,5%, o Nordeste sustenta uma trajetória de crescimento desde 2017.

Diário do RN

Mercosul-UE: café e frutas terão tarifa zero; para carnes e açúcar, cotas e tarifas reduzidas

FOTO: GETTY

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), assinado hoje pelos blocos, prevê a exportação de frutas como abacates, limões, limas, melões, melancias, uvas de mesa e maçãs, além de café do Mercosul para a UE, sem tarifas e sem cotas, segundo informações do governo brasileiro divulgadas em factsheet. As condições previstas no tratado foram acordadas entre os blocos ao fim de dezembro de 2024. Outros produtos agropecuários do Mercosul estarão sujeitos a cotas e tarifas reduzidas em relação aos tributos atuais, com condições como uma desgravação mais gradual.

Com o acordo de livre comércio entre Mercosul e UE, o agronegócio brasileiro deve obter melhores condições tarifárias para acesso ao seu segundo maior destino. Atualmente, a União Europeia responde por 14,9% de todas as exportações do agronegócio brasileiro, com US$ 25,2 bilhões exportados em 2025. Alguns produtos terão desgravação gradual, enquanto outros entrarão com acesso preferencial, com cotas divididas entre os países do Mercosul e tarifas inferiores às atualmente vigentes.

Os pontos relativos ao comércio de produtos agrícolas, dentro do capítulo sobre comércio de bens, são os mesmos anunciados em 2019 pelos blocos e confirmados na conclusão das negociações em 2024. A livre entrada de produtos agropecuários do Mercosul na Europa era uma das principais preocupações de países produtores do bloco europeu, que temiam perda de competitividade. Por isso, o tratamento com adoção de cotas e redução gradual de tarifas foi aplicado principalmente a itens do setor agrícola e da agroindústria considerados sensíveis pela UE. Para cada produto, haverá um cronograma específico de desgravação, que pode chegar a tarifa zero após alguns anos. Excedido o volume da cota, os produtos estarão sujeitos às tarifas atualmente em vigor.

Para cafés verde, torrado e solúvel, cuja alíquota atual varia de 7,5% a 11%, a retirada das tarifas ocorrerá em um período de quatro a sete anos. No caso do café, haverá exigência de que 40% do café verde e entre 40% e 50% do café solúvel sejam originários do Brasil.

Para uvas frescas de mesa, atualmente taxadas em 11%, haverá retirada imediata das tarifas, com livre comércio. Para abacates, hoje sujeitos a uma alíquota de 4%, a desgravação ocorrerá ao longo de quatro anos, até zerar a tarifa. Limões e limas, com tarifa atual de 14%, melancias, com alíquota de 9%, e melões, também com 9%, terão eliminação das tarifas em sete anos. No caso das maçãs, cuja alíquota é de 10%, a retirada da tarifa ocorrerá em um prazo de dez anos.

Também terão tarifas zeradas de forma gradual, mas com cotas, as exportações de açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Para o açúcar, o Mercosul poderá exportar à UE um volume de 180 mil toneladas com tarifa zero já na entrada em vigor do acordo. O volume excedente à cota ficará sujeito às alíquotas atuais, que variam entre 11 euros e 98 euros por tonelada. Para o etanol industrial, a cota será de 450 mil toneladas sem tributo na entrada em vigor do acordo. Já para o etanol destinado a outros usos, incluindo combustível, a cota será de 200 mil toneladas, com um terço sujeito à tarifa europeia, de 6,4 ou 3,4 euros por hectolitro, em volume crescente ao longo de seis estágios em cinco anos.

No caso do arroz, poderão ser exportadas 60 mil toneladas pelo Mercosul com tarifa zero, válidas a partir da entrada em vigor do acordo, também em volume crescente em seis estágios ao longo de cinco anos. Para o mel, a cota com imposto zerado será de 45 mil toneladas, com vigência imediata e crescimento em seis estágios em cinco anos. Para milho e sorgo, os países do Mercosul poderão exportar 1 milhão de toneladas isentas de tarifa na entrada em vigor do acordo, com volume crescente em seis estágios anuais ao longo de cinco anos. No caso dos ovos, poderão ser exportadas 3 mil toneladas com tarifa zero, com crescimento em seis estágios anuais em cinco anos, tratamento igual ao concedido à ovoalbumina.

Já as proteínas exportadas pelo Mercosul à UE estarão sujeitas a cotas com alíquotas reduzidas. Para a carne bovina, poderão ser exportadas 99 mil toneladas em peso carcaça, sendo 55% resfriada e 45% congelada, com tarifa de 7,5% e volume crescente em seis estágios. Para o volume já destinado à cota Hilton, de 10 mil toneladas, a tarifa passará de 20% para zero na entrada em vigor do acordo. Atualmente, a tarifa máxima aplicada à carne bovina exportada pelo Brasil chega a 178,4%.

Para a carne de aves, a cota será de 180 mil toneladas em peso carcaça, com tarifa zero, sendo 50% com osso e 50% desossada, também com crescimento em seis estágios. No caso da carne suína, poderá ser exportada uma cota de 25 mil toneladas, com tarifa de 83 euros por tonelada e volume crescente em seis estágios. Hoje, a alíquota varia de 46,7 euros por tonelada a 86,9 euros por tonelada.

As cotas previstas para a exportação de produtos agrícolas do Mercosul à UE serão posteriormente distribuídas entre os países do bloco. Outros produtos, como suco de laranja, cachaça, fumo, queijos, iogurte e manteiga, terão tratamentos específicos nas exportações do Mercosul para o mercado europeu.

Noticias ao Minuto

CPF dos imóveis começa a ser exigido e muda regras para imóveis no RN

FOTO: DIVULGAÇÃO

Imóveis no Rio Grande do Norte já começaram a entrar no novo Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), conhecido como “CPF dos imóveis”, que passou a ser exigido por órgãos federais e cartórios. A mudança começa a produzir efeitos práticos em 2026 e impacta diretamente proprietários, inquilinos e investidores, especialmente em cidades como Natal, onde o mercado de aluguel é um dos mais aquecidos do Nordeste.

No RN, a mudança ganha relevância prática porque o estado concentra um mercado imobiliário com forte presença de imóveis alugados e propriedades de veraneio, muitas vezes operados com contratos informais ou sem registro atualizado.

Dados do Censo Demográfico 2022 mostram que 21,7% dos domicílios no Rio Grande do Norte são ocupados por aluguel. Em Natal, esse percentual sobe para 31,4%, o maior entre as capitais do Nordeste, segundo o mesmo levantamento. Ao mesmo tempo, o mercado de locação na capital segue aquecido: em 2025 o preço médio do aluguel residencial em Natal subiu 10,13%, acima da inflação acumulada no ano, e a cidade se destacou como a 3ª capital do Nordeste em rentabilidade de aluguéis residenciais.

Com o CPF dos imóveis, contratos de aluguel que antes circulavam fora dos registros oficiais passam a ser facilmente confrontados com as bases da Receita Federal, dificultando a omissão de rendimentos no Imposto de Renda e ampliando a transparência das operações. Isso significa que o Fisco poderá cruzar contratos, escrituras e declarações, e identificar diferenças entre o que foi declarado e o que de fato está registrado.

O cadastro cria um identificador único para cada imóvel, que será usado também na verificação de tributos como IPTU, ITBI e ITCMD. A partir de 2026, prefeituras terão mais ferramentas para identificar imóveis cujos valores declarados não correspondem ao valor de mercado, abrindo caminho para revisões nos cálculos tributários.

Outro efeito esperado é sobre os conhecidos contratos de gaveta, muito frequentes no litoral potiguar. Sem matrícula atualizada ou registro formal, imóveis negociados informalmente podem enfrentar dificuldades em vender, financiar ou comprovar titularidade quando confrontados com as informações unificadas pelo CIB.

A migração para o novo cadastro não exige ação direta dos proprietários neste primeiro momento. O envio das informações é responsabilidade dos cartórios de registro de imóveis, que têm até o fim de 2026 para concluir a adaptação ao sistema. A partir de 2027, o CIB passa a ser exigido também por órgãos estaduais e municipais. Por isso, é recomendado que proprietários revisem seus dados cadastrais, escrituras e contratos de aluguel para evitar inconsistências que possam trazer problemas futuros.

Portal 96 FM

Prefeitura de Parnamirim injeta R$110 mil em apoio a orquestras de frevo para o Carnaval 2026

A Prefeitura de Parnamirim abre suas portas para o ritmo contagiante do frevo no Carnaval 2026. A Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Setude) vai destinar até R$110 mil para apoiar 25 orquestras que vão enriquecer a programação cultural do evento, que ocorre de 6 a 18 de fevereiro em Pirangi. As inscrições são gratuitas e já estão abertas, podendo ser feitas até o dia 18 de janeiro no site da Prefeitura (https://edital.setude.parnamirim.rn.gov.br/#/portal/inicio) – uma ótima chance para grupos musicais brilharem no maior carnaval do litoral potiguar.

A seleção prioriza orquestras com 12 músicos instrumentistas, maestro e fiscal, para apresentações na Avenida Márcio Marinho ou na orla da praia. O processo envolve uma etapa muito importante de curadoria artística, responsável por até 30 pontos na seleção. É nesse momento que serão analisados os portfólios, currículo dos componentes e trajetória histórica da orquestra no Carnaval de Parnamirim. A previsão é que o resultado seja publicado até o dia 2 de fevereiro. Com o processo, a Prefeitura de Parnamirim prioriza e valoriza os artistas locais que mais uma vez vão brilhar em um dos momentos mais aguardados por grande parte dos foliões do Carnaval de Pirangi.

Vendas do comércio varejista no RN crescem 1,5% em novembro, diz IBGE

FOTO: MARCELLO CASAL JR

O índice de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Norte variou 1,5% em novembro, registrando crescimento após o cenário de estabilidade observado em outubro (0,4%) e setembro (0,1%). Em receita, a variação foi de 1,2% no período. Os índices potiguares ficaram acima das médias nacionais, que foram de 1% em vendas e em receita. A série considera ajuste sazonal. As informações são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a novembro de 2024, o crescimento no varejo no estado foi mais expressivo, e chegou a 8,3% na quantidade de vendas e 11,5% em receita nominal. O segmento inclui o comércio de bens não duráveis ou semiduráveis, como hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Já no comércio varejista ampliado, que inclui comércio de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas tiveram variação de 0,7% em novembro de 2025, número acompanhado por uma variação de 0,8% em receita. Frente a novembro de 2024, houve crescimento de 2,9% nas vendas e de 6,6% em receita.

Acumulado no ano e em 12 meses

No acumulado entre janeiro e novembro de 2025, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Norte cresceu 4,5% em novembro, em relação ao mesmo período de 2024, e a receita nominal cresceu 9,7%.

Já a variação acumulada em 12 meses foi de 4,1% para vendas, repetindo o crescimento de 9,3% em receita observado em outubro.

O comércio varejista ampliado também registrou altas. A variação acumulada no ano manteve-se em 2,4% para volume de vendas e 8,0% para receita nominal em novembro de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, o volume de vendas do segmento cresceu 2,3%, acompanhado por um crescimento de 7,9% em receita nominal.

Portal 98 FM

Indústria têxtil do RN cresce 98% e sustenta atividade industrial em novembro

FOTO: REPRODUÇÃO

A indústria do Rio Grande do Norte voltou a registrar retração em novembro de 2025, mas o desempenho da cadeia têxtil e de confecção evitou um resultado mais negativo. A produção industrial do Estado caiu 2,3% na comparação com o mesmo mês de 2024, a menor queda observada ao longo do ano, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional divulgada nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O principal destaque do período foi a confecção de artigos do vestuário e acessórios, que apresentou crescimento expressivo de 98% em novembro. Com esse resultado, o segmento têxtil potiguar registrou, pelo quinto mês consecutivo, a maior taxa de expansão do país, consolidando-se como o principal vetor de sustentação da indústria local em um ano marcado por perdas relevantes em outros ramos.

O desempenho positivo da confecção contrasta com a queda acentuada na fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 16,8% no mês e foi o principal fator de pressão negativa sobre o resultado agregado da indústria potiguar. Todos os demais segmentos pesquisados apresentaram crescimento em novembro, incluindo as indústrias extrativistas, com alta de 12,4%, e a fabricação de produtos alimentícios, que avançou 5,6%.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a indústria têxtil também lidera o desempenho setorial no Estado. A confecção de artigos do vestuário e acessórios cresceu 42,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando com folga os demais segmentos industriais. As indústrias extrativistas avançaram 13,2% e a fabricação de produtos alimentícios manteve crescimento de 5,8%. Ainda assim, o recuo de 23,2% na produção de coque e derivados de petróleo levou a indústria geral do Rio Grande do Norte a acumular queda de 11,8% no período.

A mesma dinâmica é observada na variação acumulada em 12 meses. Enquanto a confecção de vestuário e acessórios registrou expansão de 36,3%, as indústrias extrativistas cresceram 11,1% e o segmento de alimentos avançou 6,6%. Em sentido oposto, a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis caiu 23,4%, o que resultou em retração de 12,7% da indústria geral.

Produzida desde a década de 1970, a PIM-PF Regional acompanha mensalmente o comportamento da produção física das indústrias extrativas e de transformação em 17 unidades da Federação e no Nordeste como um todo, considerando Estados com participação mínima de 0,5% no valor da transformação industrial nacional. Os dados completos da pesquisa estão disponíveis no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). A próxima divulgação, referente a dezembro de 2025, está prevista para 10 de fevereiro de 2026.

Agora RN

Turismo do RN cresce com ‘agenda positiva’ e ocupação hoteleira sobe 12% em um ano

FOTO: JOÃO GILBERTO

A ocupação hoteleira no Rio Grande do Norte cresceu 12% na virada do ano, em relação ao Réveillon anterior, superando as expectativas do setor. De acordo com Edmar Gadelha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), a expectativa inicial já era alta, mas o desempenho acabou superando as projeções.

“Nós abrimos o mês de janeiro com uma expectativa de 90% para o Réveillon. Nós ultrapassamos os 90%, chegando a 92%”, afirmou Edmar, em entrevista ao Jornal da Mix, da rádio Mix, nesta terça-feira 13.

O dirigente da ABIH-RN acrescentou que os primeiros 10 dias de janeiro também apresentaram avanço significativo em relação a 2025. “Em relação ao mesmo período do ano passado, nós temos um crescimento real de 12%”, resumiu Edmar Gadelha.

Para o empresário, os números são resultado de um conjunto de fatores. Parte deles está ligada ao cenário internacional, mas há também efeitos diretos de ações de promoção turística realizadas ao longo de 2025. Entre os fatores externos, ele citou a recuperação da economia argentina e a desvalorização do Real frente a outras moedas.

Esse contexto, segundo Edmar, impulsionou o fluxo internacional para o Brasil como um todo e para o Rio Grande do Norte de forma específica. “Não é à toa que nós nunca chegamos a atingir 7 milhões de turistas internacionais ano no Brasil, e chegamos em 2025 a mais de 9 milhões”, disse.

O presidente da ABIH-RN avaliou que há um “movimento espontâneo do mercado”, mas frisou que o crescimento também decorre de um esforço coordenado entre poder público e iniciativa privada no Estado. “Nós temos desenvolvido aqui um trabalho de divulgação e promoção do destino, juntamente com o governo do estado e com os governos municipais que têm vocação turística”.

Na entrevista, Edmar ressaltou que um dos papéis centrais da ABIH-RN tem sido atuar como ponte entre o setor público e o privado. “Esse é um dos principais papéis da ABIH: fazer a articulação entre os poderes públicos e a iniciativa privada. Porque de nada adianta o poder público investir se a iniciativa privada não estiver junto, fechando negócios concretamente e trazendo esse turista para o melhor acolhimento possível aqui no nosso estado”.

Conexão para a Argentina

Um dos pontos destacados por ele como decisivos para o aumento do turismo internacional foi a ampliação da conectividade aérea. Para citar um exemplo, em 30 de dezembro de 2025, a companhia JetSmart começou a operar uma rota direta entre Buenos Aires e Natal, com voos diários na alta estação.

O impacto, segundo Edmar, é expressivo. “A JetSmart tem uma capacidade de aproximadamente 176 passageiros por voo, de modo que isso representa um incremento de quase 1.800 passageiros internacionais chegando ao destino do Rio Grande do Norte toda semana”.

O mercado argentino, de acordo com o presidente da ABIH-RN, já vinha demonstrando crescimento antes mesmo do voo direto, impulsionado por ações de marketing colaborativo. “Em relação ao mercado argentino, nós desenvolvemos uma ação de marketing colaborativo e tivemos um crescimento do mercado argentino ano passado de 27% em relação ao destino Natal”, afirmou. Para ele, o aumento da conectividade tende a criar um ciclo virtuoso. “Uma coisa chama a outra. Se o poder público faz o investimento, a iniciativa privada chega junto para concretizar negócios”.

Apesar do bom momento, Edmar fez críticas à deficiência histórica da malha aérea do Estado. “Essa malha aeroviária, que é tão deficitária aqui no nosso estado, só tem de crescer”, disse, defendendo planejamento conjunto e ações consistentes para ampliar a oferta de voos e reduzir custos.

Infraestrutura do Estado para receber turistas

Outro eixo central da entrevista foi a infraestrutura turística e urbana. Segundo Edmar, melhorias recentes têm sido determinantes para reposicionar Natal e o Rio Grande do Norte no mercado. Ele citou a participação da ABIH em feiras internacionais, como a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), onde o Estado apresentou avanços concretos.

Entre os exemplos, ele mencionou a recuperação de estradas, especialmente nos principais corredores turísticos. Ele reconheceu que as obras tiveram impacto positivo, assim como a melhoria nos indicadores de segurança pública. “Isso é uma coisa que o mercado internacional valoriza muito”, destacou Gadelha.

Nesse ponto, Edmar destacou o reconhecimento de Natal como a capital mais segura do Nordeste em 2024. “Percebíamos a surpresa dos operadores quando tomavam conhecimento de que Natal tinha sido considerada a capital mais segura do Nordeste no ano 2024”, afirmou. Ele também citou intervenções urbanas recentes, como a engorda da praia de Ponta Negra. “Na realidade, Ponta Negra foi devolvida à população do Natal, que já não conseguia mais usar”, disse.

A requalificação urbana, segundo ele, envolve uma série de ações complementares: recapeamento de vias, recuperação de praças, a entrega do terminal turístico da Redinha e melhorias em acessos rodoviários para destinos como Pipa e São Miguel do Gostoso. “É uma agenda positiva que a gente fala, que tem que levar para os operadores, para que eles percebam que o Natal tem sim sido muito bem cuidado”.

Edmar também chamou atenção para a necessidade de avançar na chamada zeladoria das praias urbanas, tema recorrente nas cobranças do trade turístico. “Em Natal nós temos a necessidade de implantação de uma zeladoria das praias urbanas. Já foi feito um decreto, está na iminência de implantar, e nós estamos constantemente cobrando isso do secretariado, cobrando isso do prefeito”, afirmou.

Outro tema abordado foi o alto custo das passagens aéreas para Natal, frequentemente apontado como entrave ao turismo. Para Edmar, a explicação é objetiva. “A explicação central é a lei da oferta da procura”, disse.

Ele argumentou que, apesar da forte demanda, o nível de investimento em promoção e subsídios no RN ainda é muito inferior ao de estados vizinhos. “Nós temos um nível de investimento que chega a aproximadamente 10% do estado de Alagoas, do estado de Pernambuco, do estado do Ceará”, comparou. Segundo ele, isso afeta diretamente a capacidade de negociação com companhias aéreas e operadoras.

Outras opções além do sol e mar

A diversificação da atividade turística foi outro ponto defendido pelo presidente da ABIH-RN. Ele ressaltou que o Estado não pode depender apenas do turismo de sol e mar e destacou o potencial do turismo de eventos. “Porque a gente não pode viver só do turismo de sol e mar”, afirmou, defendendo maior profissionalização na gestão de equipamentos como o Centro de Convenções e mais protagonismo da iniciativa privada.

No interior do Estado, Edmar destacou a importância da capilarização do turismo, com o fortalecimento de rotas alternativas e do turismo religioso. Um dos exemplos citados foi o Santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz. “É o maior monumento religioso do Brasil e que trouxe, como repercussão, como consequência, um aumento de 100 leitos para mais de 800 leitos na cidade de Santa Cruz”, relatou.

Edmar lembrou que o RN não possui uma base industrial forte, o que torna o turismo ainda mais estratégico. “Nosso Estado não tem uma economia fomentada no segmento da indústria. Então o turismo é a indústria sem chaminé. É a nossa principal indústria”, afirmou, defendendo mais investimentos públicos no setor.

Na entrevista, ele também projetou um calendário turístico cada vez mais robusto, com eventos distribuídos ao longo do ano, como Réveillon, Carnaval, São João, Carnatal e o Natal em Natal. “Nós sentimos que há uma necessidade de enveloparmos essas informações, esses produtos, para levar para a prateleira das principais feiras e roadshows que realizamos durante o ano”, disse, citando ainda ações digitais e a criação de conteúdos audiovisuais para promoção do destino.

Agora RN

Crise na Venezuela dificulta negociação sobre tarifaço e desanima setores do RN

FOTO: JOSÉ ALDENIR

Mesmo com esforços de adaptação das empresas e apoio do governo estadual, setores estratégicos da economia do Rio Grande do Norte continuam pressionados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, em um ambiente externo que se tornou ainda mais adverso após a escalada da crise política na Venezuela.

A avaliação é do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, para quem a retirada de Nicolás Maduro do poder, por ação apoiada pelo governo de Donald Trump, elevou de forma significativa o grau de dificuldade das negociações comerciais com Washington.

A situação se agravou com o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se manifestou contra a ação militar na Venezuela e em desalinhamento com os Estados Unidos. “Esse novo arranjo geopolítico aumenta a incerteza e tende a travar ou, no mínimo, retardar negociações comerciais que já eram complexas”, afirma Serquiz. Para ele, ainda que a crise venezuelana não tenha relação direta com as tarifas, o ambiente político contamina o diálogo econômico.

No fim de novembro, Trump começou a aliviar o tarifaço aplicado sobre o Brasil. O receio agora é que as negociações esfriem com a oposição entre Brasil e EUA na crise da Venezuela.

Na prática, isso significa que segmentos relevantes da pauta exportadora potiguar — como pescados, sal marinho, confeitaria e ração para pets — seguem reféns das tarifas adicionais de até 50% impostas pelo governo americano. “Quando o cenário político fica mais tenso, o espaço para concessões diminui. E quem paga a conta são setores produtivos que dependem fortemente do mercado externo”, diz Serquiz.

Empresas recebem apoio

Apesar do quadro mais difícil, o Governo do Estado avalia que parte da competitividade foi preservada em 2025 graças a incentivos fiscais e à diversificação de mercados. Secretário adjunto da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Hugo Fonseca, reconhece que os impactos persistem, sobretudo em pescados e sal, mas afirma que as empresas conseguiram se manter ativas no comércio internacional.

Apesar do tarifaço, o RN encerrou 2025 com um superávit comercial de US$ 649,6 milhões. O saldo positivo representa um crescimento de 18,7% em relação ao resultado observado em 2024.

O Panamá foi o principal destino das exportações potiguares, com US$ 468,4 milhões. Os EUA ficaram na 4ª posição, com US$ 91,2 milhões).

Entre as principais medidas adotadas para preservar o comércio exterior a partir do RN, estão a ampliação da desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que pode chegar a 95%, e a antecipação de créditos fiscais. “Essas ações compensaram a perda de competitividade provocada pelo tarifaço. Sem isso, muitas empresas não conseguiriam manter preços no mercado americano”, afirma Fonseca.

Segundo ele, a expectativa inicial era apenas preservar o nível de exportações e os empregos, mas o desempenho acabou superando as projeções. Ainda assim, o setor de pescados segue como o mais sensível. A indústria de atum oceânico do Estado, altamente especializada, chegou a concentrar cerca de 80% do mercado americano e foi diretamente afetada pelo aumento das tarifas.

No caso do sal marinho, a estratégia tem sido reforçar o mercado interno para compensar perdas externas, enquanto confeitaria e ração para pets conseguiram preservar espaço nos EUA com apoio dos incentivos estaduais.

Para Serquiz, no entanto, o atual contexto internacional exige mudanças estruturais. Ele defende a aceleração da diversificação de mercados, com maior presença na Europa, Ásia e Oriente Médio, além de investimentos em certificações, padrões sanitários mais rigorosos e agregação de valor aos produtos. “Exportar apenas commodities aumenta a vulnerabilidade a decisões políticas externas”, avalia.

Paralelamente, empresas têm buscado ajustes logísticos, redução de custos operacionais e ganhos de eficiência para enfrentar um ambiente externo mais competitivo.

Ainda assim, a leitura predominante entre empresários é de cautela. “Com a crise na Venezuela, a postura de Lula e o endurecimento dos Estados Unidos, negociar ficou mais difícil. O momento exige menos dependência de decisões externas e mais estratégia, competitividade e articulação institucional”, resume Serquiz. Para ele, enquanto a tensão geopolítica persistir, os setores potiguares continuarão operando sob forte pressão no comércio internacional.

Paralelamente, o Governo do Estado intensificou a estratégia de diversificação geográfica. Em 2025, o Rio Grande do Norte abriu 14 novos mercados internacionais e lançou um programa de qualificação de exportadores em parceria com a ApexBrasil e o Sebrae, que já atraiu cerca de 50 empresas e deve preparar quase 70 novas para exportar a partir de 2026. Atualmente, cerca de 140 empresas potiguares exportam regularmente.

Agora RN