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Categoria: Economia

Veja quais produtos brasileiros serão mais afetados se tarifa de Trump entrar em vigor a partir de sexta (1º)

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A partir de 1º de agosto, os produtos brasileiros serão afetados por tarifas de 50% impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre todas as importações do Brasil.

Essas tarifas ameaçam devastar uma relação comercial crucial. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China e sendo responsáveis por aproximadamente 12% de todas as exportações brasileiras.

As tarifas terão um impacto em uma diversidade de produtos que formam a espinha dorsal do comércio entre EUA e Brasil, incluindo combustíveis, ferro e aço, aeronaves e máquinas. O Brasil também exporta quantidades significativas de matérias-primas para consumidores americanos, como café, carne bovina, suco de laranja, frutas e especiarias.

O setor de papel e celulose enfrenta uma vulnerabilidade particular. Os Estados Unidos são um dos principais destinos para as exportações brasileiras nesse setor, com remessas de pasta de madeira, celulose e aparas de papel.

Produtores brasileiros de diversos setores alertaram para um potencial colapso da indústria devido às tarifas punitivas. As medidas podem desencadear aumentos significativos de preços para os consumidores americanos, especialmente para o café — onde o Brasil se destaca como o maior produtor mundial e um fornecedor chave para os EUA.

Ponta Negra News

Tarifaço pode gerar prejuízo de R$175 bilhões no PIB

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As tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, demandadas pelo presidente americano Donald Trump que deve entrar em vigor no próximo dia 1º de agosto, pode gerar prejuízos sobre a economia nacional e mineira, segundo a Gerência de Economia e Finanças Empresariais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).

O órgão realizou um estudo que resultou em um prejuízo de R$ 175 bilhões no longo prazo, com retração de 1,49% no PIB (Produto Interno Bruto), gerando um impacto negativo de 1,3 milhão de postos de trabalho.

Em outro cenário hipotético, em caso de o Brasil retaliar as prerrogativas tarifárias americanas, também em 50%, a queda do PIB brasileiro pode chegar a R$ 259 bilhões (2,21%), afetando fortemente o número de empregos (-1.934.124), massa salarial (-R$36,18 bilhões) e a redução da arrecadação de impostos (-R$ 7,21 bilhões).

Atualmente, os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 40,4 bilhões aos Estados Unidos, representando 1,8% do PIB nacional. Entre os produtos mais enviados estão combustíveis minerais, ferro e aço, máquinas e equipamentos mecânicos, aeronaves e café.

Minas Gerais entre os mais afetados

O estado de Minas Gerais é o terceiro no ranking de exportações aos EUA, com US$ 4,62 bilhões movimentados no ano de 2014 – o que representa 2,3% do PIB estadual. Os principais produtos exportados pelo Estado incluem café (33,1%), ferro e aço (29,2%) e máquinas e materiais elétricos (4,6%). Regiões como a Sul e a Central lideram os embarques, com destaque para municípios como Guaxupé, Varginha, Sete Lagoas e Belo Horizonte.

Em um outro estudo feito pela FIEMG, a tarifa imposta pelo governo americano pode reduzir o PIB mineiro em até R$ 21,5 bilhões (queda de 2%), com prejuízo de R$ 3,16 bilhões na massa salarial e eliminação de até 187 mil empregos. Setores estratégicos da economia mineira, como siderurgia, transporte, produtos minerais não metálicos e serviços, estão entre os mais impactados. A produção de ferro-gusa e ferroligas, por exemplo, pode registrar retração de até 11,9% no Estado.

Em um cenário de retaliação brasileira com taxas também de 50%, os impactos no PIB do Estado chegam a 2,85%. Já no cenário mais grave, com retaliação mútua e fuga de investimentos, as perdas podem chegar a R$ 63,8 bilhões no PIB de Minas e mais de 443 mil empregos comprometidos.

Veja aqui o estudo com os impactos no PIB de Minas Gerais.

Diplomacia é a chave para um acordo

A FIEMG considera que o aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode comprometer seriamente a estabilidade econômica e o progresso da indústria nacional. A entidade sugere que o governo brasileiro adote uma postura firme, porém diplomática, na tentativa de alcançar um entendimento que impeça a aplicação das tarifas, resguarde os postos de trabalho e mantenha a competitividade das empresas do país.

“Os Estados Unidos são um parceiro tradicional do Brasil. Do ponto de vista geográfico, faz todo sentido que nossas economias mantenham um fluxo de comércio ativo e complementar e, no nosso entendimento, ambos os países perdem muito com a medida. Responder com a mesma moeda pode gerar efeitos inflacionários no Brasil, por isso, o caminho mais inteligente é a diplomacia”, destaca o presidente da entidade, Flávio Roscoe.

Diário do Poder

Tungstênio do RN entra na mira da negociação com os EUA

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O governo dos Estados Unidos demonstrou interesse no tungstênio produzido no Rio Grande do Norte, em um momento de impasse comercial com o Brasil. A uma semana da entrada em vigor de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, minerais críticos, como o tungstênio, tornaram-se uma possível moeda de troca para destravar as negociações.

O interesse americano nos recursos minerais estratégicos brasileiros foi formalizado nos últimos dias. O tungstênio é um insumo fundamental para a produção de armamentos, componentes aeroespaciais e ligas metálicas resistentes. Além dele, os EUA buscam ampliar a participação em outros materiais como lítio, cobalto e terras-raras, essenciais para setores de tecnologia e defesa.

O Rio Grande do Norte possui onze concessões de lavra para tungstênio, localizadas em municípios da região do Seridó, como Acari, Currais Novos e Lages. Em 2024, a produção do estado somou 84 mil toneladas do mineral.

O tema ganhou destaque após uma reunião entre o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, Gabriel Escobar. Segundo o presidente do instituto, Raul Jungmann, os americanos reforçaram que “realmente precisam de terras raras”, mas qualquer negociação sobre o tema depende do governo federal, uma vez que os recursos minerais pertencem à União.

A pressão americana ocorre em um cenário complexo, já que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia garante ao bloco europeu condições vantajosas na importação de minerais críticos do Brasil, o que limita a margem para oferecer exclusividade aos Estados Unidos.

Novo Noticias

Com tarifaço de Trump e valorização do peso, Brasil amplia vendas para a Argentina

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Enquanto o Brasil trava uma disputa comercial com o governo dos Estados Unidos para evitar a alta de tarifas de importação, a Argentina aumentou em 55,4% a compra de produtos brasileiros no primeiro semestre de 2025, totalizando US$ 9,1 bilhões. De janeiro a junho, os brasileiros venderam aos vizinhos do sul, principalmente, veículos de passageiros (21,6%), autopeças e acessórios (9,7%) e veículos para transporte de mercadorias (6,4%).

Mesmo em produtos tradicionais do país, como a carne bovina, a entrada de itens brasileiros cresceu: era de cerca de US$ 1 milhão no primeiro semestre do ano passado e passou a US$ 22,9 milhões neste ano. Os dados são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), parte deles compilada pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

No caso da carne, em volume, a participação do produto brasileiro no mercado vizinho ainda é pequena e não ameaça a produção local. A carne bovina fresca, refrigerada ou congelada representa apenas 0,25% do total das exportações argentinas.

Parte das compras foi feita por frigoríficos estrangeiros que operam no país, e a carne sempre foi importada por eles, mas era usada principalmente na composição de produtos processados, como hambúrgueres. Em 2025, um percentual da importação passou a ser destinado também a cortes, de acordo com representantes do setor na Argentina.

“É algo insólito, no país da carne e do churrasco, agora estamos importando esse tipo de alimento do nosso vizinho Brasil”, diz um apresentador do canal de TV Crónica, em um programa de maio. “É mais barato importar do que produzir aqui.”

Segundo a imprensa local, em cidades da Patagônia, no sul do país, o quilo da carne brasileira em março chegava a 9.000 pesos argentinos, enquanto a carne argentina custava cerca de 22 mil pesos. “Dependendo do supermercado, a gente encontra pão fatiado brasileiro ou leite uruguaio por preços melhores do que os locais”, conta a dona de casa Nérida Arsas, 69, moradora de Buenos Aires.

Do outro lado do balcão, no primeiro semestre, os brasileiros compraram US$ 6,2 bilhões em produtos argentinos (alta de 1,6%), o que levou a balança a um superávit de US$ 3 bilhões a favor do Brasil. E não é que as relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o argentino Javier Milei tenham ficado mais calorosas.

De modo geral, a Argentina passou a importar muito mais do exterior em 2025. Apenas no primeiro trimestre, as importações chegaram a 32% do PIB (Produto Interno Bruto), a maior porcentagem em 135 anos, de acordo com um relatório da consultoria Argendata. Esse cálculo também inclui os gastos de viagens de turistas no exterior.

O documento aponta alguns principais fatores para esse movimento, como a abertura comercial, com a redução de tarifas e desregulamentações, o que facilitou a entrada de produtos estrangeiros. Isso foi percebido das compras em sites de e-commerce estrangeiros ao setor de autopeças.

A valorização do peso argentino em relação ao dólar também tornou os bens importados mais acessíveis, além de aumentar o turismo ao exterior, inclusive as viagens de curta duração para compras em cidades de fronteira, por exemplo, com Brasil, Chile e Paraguai. Além disso, a queda da inflação tornou mais previsível os contratos de compra de insumos e bens importados.

O economista Santiago Bulat, professor da IAE Business School e sócio-diretor da Invecq Consultoria, pondera que a venda de produtos importados pela Argentina vinha de um patamar muito baixo em 2024, na fase mais dura do choque provocado pelas medidas de Milei.

“As importações caíram significativamente no ano passado, as empresas ainda tinham muitas dívidas de importações antigas e a atividade econômica cresceu fortemente nos primeiros meses deste ano, embora agora pareça estar mais estagnada”, diz. Ele acrescenta que em julho o nível de importações vem diminuindo.

Ainda assim, a taxa de câmbio, que, ganhou alguma competitividade nas últimas semanas, permanece em um patamar baixo e acessível, complementa Bulat. “E, com a abertura feita pelo governo, setores como têxtil, eletrodomésticos e automotivo, entre outros, estão competindo com produtos do exterior.”

Ainda que o ambiente macroeconômico tenha se estabilizado, o aumento de importações trouxe efeitos distintos para as empresas argentinas, sobretudo as de pequeno e médio porte, com muitas delas deixando de ser competitivas. Mais de 11% das empresas exportadoras pararam de vender ao exterior devido à perda de competitividade e 41,3% das PMEs notaram quedas nas vendas internas.

A IPA (associação de pequenas e médias empresas argentinas) alerta que as medidas de incentivo às importações, embora tenham reduzido preços, não foram acompanhadas por políticas que protejam as PMEs, resultando em um aumento do desemprego em setores como o têxtil e o metalúrgico.

“Por enquanto, esse aumento das importações da Argentina parece sustentável até o fim do ano, embora sem uma reforma tributária forte, alguns setores sofrerão mais do que outros, porque a carga de impostos (especialmente os provinciais) prejudica a competitividade dos produtos fabricados aqui”, complementa Bulat.

O Tempo

Setor da pesca no RN diz que, com tarifaço, embarcações não vão sair em agosto

FOTO: JOSÉ ALDENIR

O setor pesqueiro do Rio Grande do Norte pode enfrentar grandes desafios com o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, anunciado pelos Estados Unidos. Em visita à empresa Produmar, o presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serquiz, discutiu os impactos da medida que estabelece uma tarifa de 50% sobre a importação de pescados brasileiros. De acordo com especialistas da indústria, caso a tarifa seja mantida, embarcações de pesca do Estado podem deixar de operar a partir de agosto.

Serquiz destacou a importância da visita técnica à empresa, uma das principais exportadoras de pescados do RN, para avaliar os possíveis danos que o aumento da taxação pode causar ao setor. Também ressaltou o trabalho em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para buscar alternativas, “como estamos fazendo desde o começo, para levarmos os dados ao governo brasileiro”. O objetivo, segundo ele, é mitigar os efeitos da medida imposta pelo governo norte-americano.

Segundo o diretor da Produmar e presidente do Sindicato da Indústria da Pesca (Sindipesca-RN), Arimar França Filho, o RN exporta anualmente cerca de US$ 50 milhões em produtos pesqueiros para os Estados Unidos. Ele alertou que, se a tarifa não for revista, as embarcações não sairão para a pesca a partir do próximo mês, o que pode impactar toda a economia local. “A CNI tem um acesso muito bom com o Governo e estamos aguardando para entender quais são as alternativas”, afirmou.

Entre janeiro e junho de 2025, o Estado exportou mais de US$ 11,5 milhões em peixes frescos ou refrigerados para os Estados Unidos, de acordo com dados do Observatório da Indústria MAIS RN. O setor pesqueiro está entre os cinco principais segmentos exportadores do Estado, ao lado de óleos de petróleo (US$ 24, 3 milhões) e produtos de origem animal (US$ 10,3 milhões), que ocupam a primeira e terceira colocação, respectivamente.

O aumento da tarifa de 10% para 50% foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 9 de julho de 2025. A medida começa a valer em 1º de agosto e foi direcionada ao Brasil por meio de uma carta ao presidente Lula (PT). Em resposta, o governo brasileiro criticou a decisão e anunciou que tomará medidas de retaliação por meio da Lei de Reciprocidade Econômica. Antes, o País tinha ficado com a sobretaxa mais baixa, de 10%, nas chamadas tarifas recíprocas, anunciadas pelo presidente norte-americano em 2 de abril.

Segmento vai enfrentar paralisia se tarifa de Trump for implantada, alerta Sindipesca

Em entrevista ao AGORA RN no último dia 12, o presidente do Sindipesca-RN, Arimar França Filho, já havia alertado para a possibilidade da paralisação total da pesca oceânica de atum no RN, devido ao tarifaço. Na ocasião, ele afirmou que a margem de lucro do setor varia entre 10% e 15%, apenas, e como até 80% do atum pescado no Estado é exportado para os Estados Unidos, o setor não terá capacidade para competir caso a tarifa de 50% seja mantida. Isso afetaria, ainda, aproximadamente 1 mil empregos diretos e 5 mil indiretos.

Segundo Arimar, o setor espera para o próximo mês, o primeiro após a implementação da tarifa, a possibilidade de uma mudança na política dos Estados Unidos. No entanto, ele não descarta demissões caso a sobretaxa seja mantida por mais tempo. “Vamos aguentar o primeiro mês, mas posteriormente, se não houver reversão, não tem muito o que fazer”, afirmou na ocasião.

Embora as embarcações ainda operem, as exportações de atum para os Estados Unidos estão sendo suspensas gradualmente. O setor planeja realizar o último embarque até o dia 27 deste mês, com a interrupção das remessas prevista para o dia 30. Arimar alertou que, ao contrário do que se imagina, a suspensão das exportações não deve resultar em uma queda no preço do atum no mercado interno. Pelo contrário, a escassez do produto devido à paralisação da pesca poderá elevar os preços. “Vai aumentar o preço porque a frota vai diminuir. Vai ter menos oferta”, afirmou.

Diálogo como solução

Em relação à postura do governo brasileiro frente à tarifa, Arimar defendeu que a solução deve passar pelo diálogo entre as partes envolvidas. Ele destacou que, embora o setor evite envolvimento político direto, a polarização tem prejudicado a economia e os setores produtivos, que se veem no meio de um embate político sem uma resolução clara. “Tudo tem que ter conversa, né? Tem que ter diálogo. A intransigência de ambos os lados é muito difícil”, completou.

A pesca oceânica de atum no estado é mais intensa durante o período de lua cheia, que em agosto ocorrerá entre os dias 9 e 16. Caso a tarifa de 50% seja mantida, a frota de barcos do Rio Grande do Norte não deverá ir ao mar nesse período crítico, comprometendo ainda mais a produção e as exportações para o mercado norte-americano.

Agora RN

Preço da caixa de laranja cai de R$ 80 para R$ 26 no Brasil; tarifaço de Trump pode inviabilizar negócio

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O plano do Presidente Donald Trump de impor uma nova tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto pode devastar o cinturão citrícola do Brasil, onde os agricultores enfrentam uma queda acentuada nos preços, a colheita da safra foi desacelerada, os cronogramas da indústria foram interrompidos e alguns produtores podem deixar as frutas apodrecerem à medida que as tensões comerciais aumentam.

Os agricultores afirmam que os exportadores brasileiros de suco de laranja deveriam buscar outros mercados se os EUA não mudarem sua postura ou negociarem. No pior cenário, eles veem o risco de deixar as frutas apodrecerem porque os preços podem não cobrir os custos da colheita.

O agricultor Ederson Kogler está ciente de que o acesso a novos mercados “não pode acontecer da noite para o dia”, enquanto sente o peso das potenciais tarifas adicionais. Ele disse que, em janeiro, os exportadores de suco pagaram cerca de R$ 80 reais por uma caixa de laranjas, enquanto na semana passada o preço caiu para R$ 26 reais.

Nos Estados Unidos, um em cada dois copos da bebida vem do país sul-americano, que responde por 80% das vendas globais de suco de laranja e é um fornecedor difícil de substituir.

Brasil é responsável por 70% da laranja importada dos EUA

O Brasil responde por 70% de todo o suco de laranja importado pelos EUA, e a nova tarifa representaria um aumento de 533% sobre a taxa de US$ 415 por tonelada já cobrada sobre o suco brasileiro.

A ameaça de tarifas surge no momento em que a produção de suco de laranja dos EUA na safra 2024/25, que vai até setembro, é estimada em 108,3 milhões de galões, o nível mais baixo desde 1970/71, reduzindo os estoques domésticos para o menor nível em cinco décadas, de acordo com o USDA.

Ponta Negra News

Roberto Serquiz: “Próximo governador precisa enfrentar crise desde o 1º mês”

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O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, afirmou que o próximo governador do Estado terá a obrigação de enfrentar de imediato a crise fiscal que limita a capacidade de investimento da administração estadual. “Hoje se governa para pagar folha. Esse é o maior problema do Estado”, disse. Segundo ele, o desafio fiscal compromete diretamente obras, infraestrutura e atratividade econômica. “O próximo governante precisa colocar isso como prioridade já no primeiro mês de gestão.”

Durante entrevista à Band RN, Serquiz defendeu que o governo estadual busque apoio federal para viabilizar soluções, especialmente para áreas como infraestrutura e logística. Ele citou o caso do Porto de Natal, que, segundo estudo da Fiern, exige um investimento estimado em R$ 250 milhões. “A situação do nosso porto precisa ser resolvida. É uma questão de competitividade. Nossa produção está saindo pelo Pecém, no Ceará, por Suape, em Pernambuco, e agora pelo porto de Cabedelo, na Paraíba”, explicou. A perda de cargas para estados vizinhos encarece o frete e fragiliza a indústria potiguar.

O levantamento feito pela Fiern indica que, com investimentos em dragagem, guindastes e escâneres, o Porto de Natal poderia gerar uma movimentação financeira de até R$ 1 bilhão em apenas um ano. Para Serquiz, o custo da inércia é alto demais. “A Paraíba está fazendo uma ponte de Lucena para Cabedelo e olhando para a mercadoria que sai do RN pela BR-101. Eles se preparam. E nós?”.

O presidente da Fiern voltou a afirmar que a crise fiscal do RN precisa ser enfrentada com seriedade e urgência. “O Estado não pode mais ficar paralisado. A pauta da infraestrutura não pode esperar. Ou atacamos o problema ou vamos continuar perdendo oportunidades. Quem assumir o governo em 2027 vai ter que começar por aí.”

Ao tratar da relação com o Governo do Estado, o presidente da Fiern relatou que entregou à governadora Fátima Bezerra (PT) uma agenda propositiva em abril de 2024. O documento inclui temas como a modernização da legislação ambiental (Lei Complementar 272/2004), a criação de uma política industrial estadual e a regulamentação da transação tributária. Segundo ele, alguns pontos vêm avançando, como a Parceria Público-Privada (PPP) e a própria transação tributária, que pode reativar CNPJs e recuperar parte dos R$ 10 bilhões inscritos na dívida ativa estadual.

Serquiz afirmou que o Estado precisa garantir segurança jurídica, velocidade no licenciamento ambiental e previsibilidade fiscal para atrair novos empreendimentos. Ele defendeu que o Rio Grande do Norte invista não apenas em seus ativos naturais – como sal, fruticultura, petróleo e pesca –, mas também em indústrias de transformação, como confecção, móveis e plástico. “O RN tem riqueza, mas precisa transformá-la em qualidade de vida para as pessoas. Isso se faz com emprego e bem-estar”, afirmou.

Questionado sobre os efeitos da recente sobretaxa de 50% anunciada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, Serquiz demonstrou preocupação. No caso do RN, a medida afeta diretamente os setores de pesca (especialmente atum), sal, fruticultura, petróleo e doces, como balas e caramelos. “Esses segmentos empregam 29 mil pessoas. É uma ameaça real à nossa economia.”

Segundo o presidente da Fiern, mais de 80% das exportações desses segmentos têm como destino o mercado americano. “É impossível migrar de imediato para novos mercados. Existe uma cultura de consumo que foi construída ao longo de anos. O impacto é devastador.” A Fiern vem se articulando com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Governo do Estado e o Governo Federal na tentativa de negociar uma prorrogação ou uma saída diplomática que evite prejuízos maiores.

Serquiz informou que uma carta conjunta dos setores produtivos está sendo elaborada para pressionar o Governo Federal a intervir nas negociações com os Estados Unidos. “Não houve qualquer motivação econômica para essa taxação. É um problema político. O Brasil precisa agir com moderação, mas com firmeza, para proteger seus setores produtivos”, defendeu.

Agora RN

Tarifaço: RN será o 5º estado mais afetado em volume de exportações

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O Rio Grande do Norte será o quinto estado do País mais afetado, em volume de exportações, pela taxação do governo Donald Trump, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. Isso porque os Estados Unidos responderam, no primeiro semestre deste ano, por 15,3% das vendas de produtos potiguares ao exterior. Em valor comercializado, o RN exportou US$ 67,1 milhões para os EUA no período, ocupando a 16ª posição no ranking brasileiro. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

De acordo com o ranking das exportações para os EUA, o Ceará pode sentir o maior impacto, levando em conta que o mercado americano representou 51,9% das exportações daquele estado. Espírito Santo, Sergipe e São Paulo, onde os EUA responderam, respectivamente, por 33,9%, 31,4% e 19,5% das vendas ao exterior nos primeiros seis meses de 2025, também serão fortemente afetados.

O economista Helder Cavalcanti avalia que os impactos da taxação serão expressivos frente ao fato de que os itens exportados são produtos diretamente vinculados à economia local. Além disso, ele lembra que as exportações do Rio Grande do Norte têm apresentado sucessivos índices de crescimento nos últimos anos. “Então, a taxação desequilibra esse momento que a gente observa recentemente”, analisa.

De acordo com um levantamento do Observatório Mais RN, da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), os derivados de petróleo foram os produtos potiguares mais exportados para o mercado americano no primeiro semestre de 2025, com US$ 24,3 milhões em vendas. Já os peixes frescos ou refrigerados registraram US$ 11,5 milhões em exportação para o país, seguidos dos produtos de origem animal (US$ 10,3 milhões), pedras de cantaria ou de construção (US$ 4,3 milhões) e produtos de confeitaria sem cacau (US$ 4,1 milhões). Os dados têm como base a plataforma Comex Stat, do MDIC.

Dentre as alternativas para fugir dos reflexos negativos da taxação, Helder Cavalcanti defende a busca por novos mercados. “Nós temos o BRICS [formado por países como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] como uma pauta de reorganização da balança comercial e da economia internacional, de onde esperamos que surjam soluções. A gente acredita que o nosso empresariado vai amadurecer diante do surgimento de grandes players do mercado para criar uma nova solução para as exportações”, pondera.

O setor de petróleo não será o único a ser afetado no RN. As exportações de atum podem perder cerca de US$ 50 milhões por ano (R$ 280 milhões), conforme estimativas do Sindicato de Pesca do RN (Sindipesca). Arimar Filho, presidente sindical, disse em entrevista à TN no último dia 15 que o envio de peixe congelado aos EUA já estava paralisando por causa do receio da taxação.

Já em valor exportado, São Paulo deverá sentir os maiores reflexos, uma vez que o estado exportou US$ 6,4 bilhões ao mercado americano entre janeiro e junho deste ano, seguido do Rio de Janeiro (US$ 3,2 bilhões), Minas Gerais (US$ 2,5 bilhões), Espírito Santo (US$ 1,6 bilhão) e Rio Grande do Sul (US$ 950,4 milhões).

Petróleo terá perdas de R$ 110 mi/ano

A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) estima perdas anuais para as exportações de derivados de petróleo do Rio Grande do Norte superiores a US$ 20 milhões anuais (cerca de R$ 111 milhões). “Trata-se de um prejuízo expressivo, especialmente quando se considera o peso dessa atividade na geração de receitas estaduais, tributos setoriais e movimentação da cadeia produtiva local”, afirma Lucas Mota, gerente-executivo da ABPIP.

Ele descarta a inviabilização total das vendas do setor potiguar para os Estados Unidos, mas reconhece que o RN terá dificuldades em manter atratividade comercial para esses produtos. “A taxação não vai inviabilizar totalmente as exportações dos derivados de petróleo do RN, mas os embarques se tornarão economicamente menos viáveis se a medida entrar em vigor. Uma tarifa de 50% encarece significativamente o óleo potiguar em relação a concorrentes globais, reduzindo sua atratividade comercial”, destaca.

Mota aposta na capacidade de adaptação da indústria para reverter os impactos. Segundo ele, mercados como Índia, China, países do sudeste asiático e partes da Europa já importam petróleo de características semelhantes ao exportado por aqui. O redirecionamento de volumes, segundo ele, dependerá de ajustes logísticos e negociações comerciais.

“Mas há espaço para reposicionamento, ainda que com possíveis impactos sobre margens e prazos”, frisa Mota. De acordo com ele, não existe previsão, inicialmente, de redução na produção. “A parcela exportada para os EUA pode ser redirecionada para o mercado interno ou outros destinos internacionais. A produção local tem flexibilidade para adaptação, e as operadoras devem priorizar a manutenção da atividade produtiva, sobretudo em razão da estabilidade operacional”, diz.

Mobilização dos setores em busca de soluções

Diante do anúncio feito por Donald Trump, os principais setores de exportação do RN têm se mobilizado para buscar soluções para a medida, que estabelece a taxação de 50% dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos. O secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, Alan Silveira, disse que o Governo do Estado vem empreendendo esforços, como a elaboração de uma carta desenvolvida pela secretaria para incluir o RN nas negociações sobre a taxação.

“As tratativas em plano macro são lideradas pelo Governo Federal, mas no âmbito local o governo do estado vem empreendendo esforços, como é o caso da carta-proposta elaborada em conjunto com as entidades do setor e com os principais players exportadores impactados pelo anúncio do tarifaço”, esclareceu Silveira.

A mobilização conta com entidades como a Federação das Indústrias (Fiern). Roberto Serquiz, presidente da federação, cita que os números sobre as vendas do mercado local para os EUA correspondem a praticamente 10% do PIB Industrial do estado. Ele sublinha que está em constante diálogo com os setores envolvidos nas exportações e também em interlocução com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“Paralelo a isso, os presidentes de sindicatos estão mobilizando, na mesma proporção, seus parceiros nos Estados Unidos. Esse diálogo junto aos parceiros está tentando criar um cenário de perspectiva, de alguma solução que, claro, não depende dessa relação, mas que pode influenciar nos seus respectivos países. A CNI já apresentou ao governo brasileiro o tamanho do impacto aqui no nosso estado. A apreensão é muito grande, porque há um peso imenso, inclusive, no que se refere a empregos”, disse Serquiz.

Balanço

Participação dos EUA nas exportações dos estados brasileiros*:

Ceará 51,9%

Espírito Santo 33,9%

Sergipe 31,4%

São Paulo 19,5%

Rio Grande do Norte 15,3%

Rio de Janeiro15%

Santa Catarina14,5%

Maranhão 13,3%

Paraíba 12,4%

Minas Gerais 11,6%

Rio Grande do Sul 10,2%

Alagoas 9,1%

Amazonas 8,7%

Bahia 8,3%

Amapá 7,7%

Paraná 6,6%

Mato Grosso do Sul 6%

Pará 5,2%

Goiás 5,1%

Rondônia 4,9%

Pernambuco 4,5%

Piauí 3,7%

Distrito Federal 3,11%

Tocantins 2,5%

Acre 1,3%

Mato Grosso 1,11%

Roraima 0,6%

*Dados referentes ao 1º semestre de 2025

Tribuna do Norte