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Planilhas da Odebrecht têm políticos que não se candidataram

SEDE DA ODEBRECHT EM SÃO PAULO (FOTO: MARCOS ALVES / AGÊNCIA O GLOBO)

SEDE DA ODEBRECHT EM SÃO PAULO (FOTO: MARCOS ALVES / AGÊNCIA O GLOBO)

As planilhas com 284 nomes, apreendidas pela força-tarefa da Operação Lava-Jato na Odebrecht, mostram como prováveis beneficiários políticos que não concorreram a eleições em 2012 ou 2014. Além disso, entre os documentos que listam doações do grupo, um deles faz referência à empresa Leyroz de Caxias Indústria e Comércio e Logística, atual E-Ouro Gestão e Participação. A distribuidora integra um esquema de sonegação de ICMS do Grupo Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava. A menção aparece em uma das tabelas com os supostos repasses a candidatos que disputaram as eleições de 2010.

Naquele ano, a empresa doou R$ 4,3 milhões para políticos de diversos partidos, segundo a prestação de contas enviada ao TSE, e outros R$ 19,28 milhões para comitês e direções de siglas.

Os políticos citados nos documentos apreendidos com Benedicto Barbosa Silva Júnior — presidente da Odebrecht Infraestrutura e um dos principais interlocutores do empresário Marcelo Odebrecht, preso na Lava-Jato — para a realização de doações a campanhas eleitorais integram tanto partidos da base governista quanto da oposição, e não há qualquer comprovação de que os repasses registrados correspondam à prática de caixa dois. Anteontem, o juiz Sérgio Moro decretou sigilo sobre o processo.

Entre as listas encontradas na operação, está uma planilha que traz nomes de políticos do Estado do Rio, separados por municípios. Há siglas como de “pref.” na mesma linha de nomes que concorreram a prefeituras de cidades fluminenses em 2012, e “cam.” ao lado de pessoas que disputaram vaga na Câmara, especificamente da capital.

Nessa planilha, há um campo com oito políticos, intitulado pela empresa como “históricos”, que sequer concorreram nas últimas eleições municipais, mas aparecem com anotações de valores ao lado.

Um deles é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cujo nome aparece com a anotação “500”. Cunha disse que já falou em entrevista coletiva e não vai “responder todo dia a mesma coisa”.

— Certamente, para minha campanha não foi. Se eu pedi, foi para o PMDB, e foi alocada para outras campanhas — dissera Cunha em entrevista coletiva.

Outro nome da lista é o do presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, que aparece ao lado da anotação “500”. A assessoria do peemedebista informou que, anteontem, em nota, ele disse que não concorreu a nenhum cargo público em 2012 e que, em 2014, não constam doações da empreiteira a ele.

Há ainda outra planilha que reflete a mesma situação, também com nomes de candidatos nas últimas eleições municipais, que trazem políticos classificados como “históricos” e que também não disputaram o pleito naquele ano, como o ex-presidente José Sarney e o presidente do Senado, Renan Calheiros, que aparecem ao lado das anotações “100” e “50”, respectivamente.

O proprietário da Leyroz é Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, dono de outras 99 distribuidores de bebidas criadas para proteger a fabricante da Itaipava do pagamento de tributos. Amparadas por alguma legislação estadual, essas distribuidoras, apontadas como laranja do Grupo Petrópolis, assumem as obrigações fiscais da fabricante. Descoberta a fraude, geralmente créditos de ICMs de aproveitamento irregular, elas encerram as atividades antes de o processo transitar em julgado na esfera administrativa, e não há como cobrar os valores sonegados.

Fonte: O Globo

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