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Categoria: Economia

Mesmo sob tarifaço, RN bate recorde no comércio exterior e fecha 2025 com superávit histórico

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O Rio Grande do Norte encerrou 2025 com o melhor desempenho de sua história no comércio exterior. Mesmo em um cenário internacional marcado por restrições tarifárias, tensões geopolíticas e dificuldades logísticas, o Estado fechou o ano com superávit comercial de US$ 649,6 milhões, resultado considerado expressivo por especialistas e autoridades econômicas.

Os números mostram que as exportações potiguares superaram US$ 1,08 bilhão, enquanto as importações somaram US$ 436,7 milhões. O saldo positivo representa um crescimento de 18,7% em relação a 2024 e consolida o RN como um dos destaques do Nordeste no comércio internacional.

Para o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon-RN), Ricardo Valério, o desempenho vai além dos números e reflete uma mudança estratégica do setor produtivo e dos governos. “A balança comercial do Brasil e do RN foi muito satisfatória em 2025. Tivemos crescimento de 5,7% nas exportações, contra 2,4% das importações, o que gerou resultados bastante expressivos”, afirmou.

Segundo ele, no cenário nacional, o Brasil encerrou o ano com US$ 350 bilhões em exportações e US$ 280 bilhões em importações, movimentando uma corrente de comércio próxima de US$ 629 bilhões. “Isso mostra força do setor externo, mesmo diante de dificuldades impostas pelo tarifaço internacional”, explicou.

No caso potiguar, o avanço foi ainda mais significativo. “Batemos todos os recordes. Passamos de mais de um bilhão em exportações para cerca de US$ 436 milhões em importações, gerando um superávit de aproximadamente US$ 650 milhões, o que é extremamente satisfatório para o Rio Grande do Norte”, destacou Valério.

Um dos fatores centrais para o bom desempenho foi a ampliação dos mercados internacionais. Em 2025, o RN passou a exportar para 14 novos países, distribuídos por quatro continentes. Produtos potiguares chegaram pela primeira vez a destinos como Bangladesh, Suécia, Ucrânia, Paquistão, Luxemburgo, Cabo Verde e Ilhas Cayman.

Para Ricardo Valério, a pressão externa acabou provocando um efeito positivo. “Eu sempre disse que, às vezes, medidas duras vêm para o bem. O tarifaço despertou o empresariado e os governos a buscarem novos mercados, tanto no Brasil quanto no RN”, avaliou.

Mesmo com perdas pontuais, especialmente nos setores de pescados e sal marinho, o economista vê perspectivas de recuperação no curto prazo. “Tivemos prejuízos nesses segmentos, mas há informações seguras de que, até março, deve ser liberada novamente a exportação do nosso pescado e do sal marinho”, afirmou o economista.

Energia e frutas puxam a pauta

A pauta exportadora potiguar segue concentrada em poucos produtos, mas com forte peso econômico. O óleo combustível liderou as vendas externas em 2025, com US$ 495,6 milhões, seguido por melões frescos (US$ 139,4 milhões), melancias frescas (US$ 93,1 milhões) e ouro em forma bruta (US$ 91,2 milhões).

Esses itens responderam por quase 80% das exportações do Estado, reforçando o papel estratégico da energia e do agronegócio na economia potiguar.

Entre os principais destinos, o Panamá aparece como maior comprador, com US$ 468,4 milhões, seguido pelos Países Baixos, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido. Juntos, esses cinco mercados concentraram mais de 80% das exportações do RN em 2025.

Mesmo com restrições tarifárias, os Estados Unidos mantiveram relevância. As vendas para o país somaram US$ 91,2 milhões, crescimento de quase 36% em relação ao ano anterior.

Infraestrutura e desafios logísticos

O bom desempenho também expõe gargalos históricos. A dependência do transporte marítimo é alta: mais de 86% das exportações e 91% das importações passaram pelos portos.

Ricardo Valério aponta que avanços na infraestrutura serão decisivos para manter o crescimento. “O RN vai ter melhorias importantes, como a readequação da ponte, necessária para a passagem de embarcações de maior calado, além da dragagem do porto. São obras fundamentais para o comércio exterior”, afirmou.

Outro ponto sensível é o setor de petróleo. “Esperamos que a indústria extrativa recupere padrões de exportação que já teve. É um mercado sensível, ainda impactado pela crise internacional do petróleo provocada pela invasão da Venezuela”, avaliou.

Perspectivas para 2026

Apesar das incertezas externas, a avaliação para o próximo ano é positiva. “Vamos observar com cautela, mas acredito que teremos um bom desempenho do mercado externo em 2026, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Norte”, disse Valério.

Segundo ele, a ampliação de mercados, os investimentos logísticos e a retomada de setores estratégicos podem sustentar novos avanços. “O Mercosul pode vir aí a galope muito em breve, abrindo novas oportunidades para os produtos potiguares”, concluiu.

NÚMEROS-CHAVE DO COMÉRCIO EXTERIOR DO RN EM 2025

•⁠ ⁠Exportações: US$ 1,08 bilhão

•⁠ ⁠Importações: US$ 436,7 milhões

•⁠ ⁠Superávit comercial: US$ 649,6 milhões

•⁠ ⁠Crescimento do saldo: +18,7%

PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS

•⁠ ⁠Óleo combustível

•⁠ ⁠Melão fresco

•⁠ ⁠Melancia fresca

•⁠ ⁠Ouro em forma bruta

•⁠ ⁠Derivados energéticos

MAIORES DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES

•⁠ ⁠Panamá

•⁠ ⁠Países Baixos

•⁠ ⁠Canadá

•⁠ ⁠Estados Unidos

•⁠ ⁠Reino Unido

Novo Noticias

Chocolate, queijo, azeite e molho de tomate podem ficar mais baratos com acordo entre UE e Mercosul

FOTO: DIVULGAÇÃO

O acordo entre União Europeia e Mercosul aprovado na sexta-feira (9) pelos países europeus pode baratear produtos bastante consumidos pelo brasileiro e conhecidos pela qualidade na Europa, como chocolates, queijos, azeites e molho de tomate. O tratado comercial prevê redução de alíquotas para vários alimentos a partir de um cronograma pré-definido.

Os chocolates europeus, por exemplo, hoje são taxados em 20% pelo Brasil, mas ficarão imunes aos tributos a partir do décimo ano de vigência do acordo, que ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu. O cronograma de cortes, no entanto, já começa logo no primeiro ano de tratado.

Os queijos da UE, que hoje têm alíquota de 16%, também terão isenção de tributos de importação a partir do décimo ano. Nesse caso, haverá uma cota anual de 30 mil toneladas em todo o Mercosul -quando essa quantidade for atingida, os importadores precisarão voltar a pagar impostos de importação. A mozarela, porém, seguirá sendo taxada em 28%.

Já os azeites produzidos nos países europeus, taxados em 10%, terão a alíquota zerada a partir do 15º ano, mas também já ficarão mais baratos a partir do primeiro ano de vigência, devido aos cortes graduais.

A redução nos impostos de importação de azeite, aliás, pode gerar um impacto significativo nas compras dos brasileiros. Hoje, quase todo o azeite consumido no Brasil vem de fora do país, sendo que Portugal é de longe o maior exportador do alimento para o Brasil (em 2025, foram 10 mil toneladas, contra 662 vindo da Argentina, o segundo colocado).

Estão na lista também de produtos que deverão chegar mais baratos ao Brasil os molhos de tomate, sobretudo os italianos -principal origem dos molhos importados pelo Brasil. Nesse caso, em dez anos, os molhos verão as taxas de 18% de importação serem zeradas.

Os consumidores de kiwi no Brasil também devem se beneficiar com o acordo. A maior parte da fruta vendida em supermercados brasileiros vem de fora, sendo Grécia e Itália o segundo e o terceiro maiores vendedores, atrás apenas do Chile. Nesse caso, a redução será integral logo no primeiro ano de vigência.

Os vinhos europeus, por sua vez, terão alíquotas de 20% a 27% reduzidas a zero entre o oitavo e décimo ano, a depender do tipo de vinho. Já os vinhos brancos produzidos em algumas regiões específicas da Europa serão isentos logo no primeiro ano do acordo.

A manteiga também terá sua alíquota reduzida, ainda que o Brasil importe muito pouco desse produto. Nesse caso, assim que o acordo entrar em vigência, a manteiga europeia terá uma alíquota reduzida em 30% -hoje, a alíquota aplicada pelo governo brasileiro é de 16%.

ASSOCIAÇÕES EMPRESARIAIS CELEBRAM ACORDO

Se na União Europeia agricultores manifestam contrários ao acordo com medo de que a carne brasileira tome parte do mercado europeu, no Brasil há euforia com o tratado.

O agronegócio brasileiro será o maior beneficiado com o acordo. As tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários enviados pelo Mercosul para o bloco europeu serão eliminadas, com destaque para carnes suína e de frango, açúcar, pecuária bovina e óleos e gorduras vegetais.

Simulações feitas pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por exemplo, mostram que, até 2040, as exportações de carnes de suínos e aves aos países europeus cresceriam 19,7%.

Após a aprovação do acordo, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) publicou uma nota, afirmando que o tratado comercial representa um avanço no comércio entre os dois blocos. A entidade celebra a possibilidade de o Brasil exportar mais frango, carne suína e ovo para a União Europeia.

Já a CNI (Confederação Nacional da Indústria) disse que o acordo representa um passo significativo para a inserção internacional do Brasil e para o fortalecimento da indústria nacional.

“O acordo também prevê o reconhecimento recíproco de indicações geográficas, protegendo produtos regionais brasileiros com selo de origem e ampliando oportunidades para marcas nacionais no mercado europeu, como café e queijos”, diz em nota.

Folhapress

Custo do metro quadrado da construção chega a R$ 1.749,52 no RN, aponta IBGE

FOTO: JOSÉ ALDENIR

O custo médio do metro quadrado da construção civil no Rio Grande do Norte terminou dezembro de 2025 em R$ 1.749,52. O valor é R$ 53,96 maior do que o registrado em janeiro do mesmo ano, quando o custo era de R$ 1.695,56.

Os dados são do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi) e foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (9). Segundo o levantamento, o custo do metro quadrado no estado é composto por R$ 696,73 referentes à mão de obra e R$ 1.052,79 relacionados aos materiais.

No comparativo anual, o custo da construção civil no Rio Grande do Norte acumulou alta de 3,84% em 2025 em relação a 2024. De acordo com o IBGE, esse foi o menor percentual acumulado para o mês de dezembro registrado no estado desde 2019. O resultado também foi o menor da Região Nordeste e o terceiro menor do país, ficando atrás apenas de Tocantins (3,77%) e Amazonas (3,74%).

Em relação a novembro, a variação registrada em dezembro foi de 0,13%.

Os números do Rio Grande do Norte ficaram abaixo da média nacional. Em dezembro de 2025, o Índice Nacional da Construção Civil foi de 0,51%, acima do resultado de novembro, que ficou em 0,25%. No acumulado do ano, o índice nacional chegou a 5,63%, superando o registrado em 2024, que havia sido de 3,98%.

Agora RN

Governo do RN informa que concluirá pagamento do 13º salário dos servidores até esta segunda-feira 12

FOTO: SANDRO MENEZES

O Governo do Rio Grande do Norte deu continuidade, nessa sexta-feira (9), ao pagamento do décimo terceiro salário dos servidores públicos estaduais. De acordo com a administração estadual, o cronograma segue normalmente e será finalizado na próxima segunda-feira (12).

Já receberam o benefício 100% dos servidores ativos, além de todos os aposentados das forças de segurança pública, incluindo a Polícia Militar (PM), Corpo de Bombeiros Militar (CBM), Polícia Civil (PCRN), Secretaria da Administração Penitenciária (SEAP) e Polícia Científica do Rio Grande do Norte (PCI-RN). Também foram contemplados os pensionistas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar.

Segundo o Governo do Estado, o valor do 13º salário dos demais servidores públicos estaduais será creditado nas contas ao longo do dia da próxima segunda-feira, quando o pagamento será concluído integralmente.

Em nota, o Governo do RN reafirmou o compromisso com o funcionalismo público e destacou a responsabilidade com o equilíbrio financeiro do Estado.

Novo Notícias

Construção civil fica mais cara no RN, aponta Sinduscon

FOTO: FREEPIK

O Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN (Sinduscon/RN) divulgou os novos valores do Custo Unitário Básico (CUB/m²) referentes aos meses de outubro e novembro de 2025, indicando variação positiva nos custos da construção civil no estado.

Em outubro, o indicador foi fixado em R$ 1.993,99, o que representou um aumento de 1,95% em comparação com o mês anterior. Já em novembro, o CUB chegou a R$ 1.996,59, com uma elevação mais moderada, de 0,13%.

O CUB é considerado o principal parâmetro de referência do setor para o cálculo de custos de obras, elaboração de orçamentos, definição de contratos e análise da viabilidade de novos empreendimentos. O índice reflete a variação dos preços de materiais, equipamentos e serviços essenciais à construção.

A divulgação mensal do indicador permite que construtoras, incorporadoras, investidores e profissionais do mercado imobiliário acompanhem a evolução dos custos e ajustem seus planejamentos financeiros com maior precisão.

Segundo o Sinduscon/RN, o acompanhamento sistemático do CUB contribui para mais previsibilidade e segurança nas decisões, especialmente em um cenário de ajustes graduais nos preços do setor da construção civil no Rio Grande do Norte.

Novo Noticias

RN gera 77,7 mil empregos com carteira assinada entre janeiro de 2023 e novembro de 2025

FOTO: JOSÉ ALDENIR

Rio Grande do Norte gerou 77.787 empregos formais entre o início de 2023 e novembro de 2025, contribuindo para que o Brasil superasse, no período, a marca histórica de 5 milhões de novos vínculos com carteira assinada em todo o país.

Os dados do Novo Caged foram divulgados no final de dezembro pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Com isso, o estoque de vínculos formais no estado passou de 479.424 no final de 2022 para 557.211 em novembro de 2025 – no 11º mês do ano passado, o saldo ficou positivo em 1.548 vagas.

Todos os cinco grandes grupos de atividades econômicas pesquisadas registraram saldo positivo no Rio Grande do Norte no acumulado de 2023 até novembro de 2025. O setor de Serviços foi o que mais gerou empregos formais, tendo aberto 35.793 vagas. Em seguida aparecem o Comércio, com 15.461 postos; a Indústria, que gerou 12.194 vínculos; a Construção (10.477) e a Agropecuária (3.844).

Municípios

Natal foi o município potiguar com maior saldo de empregos formais entre o início de 2023 e novembro de 2025, tendo gerado 25.953 novos empregos com carteiras assinadas. Em seguida aparecem Mossoró, com saldo de 13.676 vínculos, e Parnamirim, com saldo de 8.749.

Gênero

No recorte por gênero, a maior parte dos empregos com carteira assinada gerados no Rio Grande do Norte entre 2023 e novembro de 2025 foi ocupada por homens: 46.361. No período, as mulheres foram responsáveis por ocupar 31.426 empregos.

Faixa etária e instrução

No que diz respeito à faixa etária, a maior parte dos postos gerados no Rio Grande do Norte entre 2023 e novembro de 2025 foi ocupada por jovens de 18 a 24 anos, que preencheram 51.844 novos empregos formais. Na análise sobre grau de instrução, a maioria dos vínculos no estado no período foi ocupada por pessoas com ensino médio completo, que preencheram 61.604 postos.

Nacional

O Brasil celebrou em dezembro uma cifra superlativa na geração de empregos com carteira assinada entre o início de 2023 e novembro de 2025, superando a marca de 5 milhões de novos vínculos formais criados no país. No período, foram preenchidas 5.028.124 postos. Em novembro do ano passado, o saldo ficou positivo em 85.864 postos de trabalho, resultado de 1.979.902 contratações e 1.894.038 desligamentos. Com isso, o país chegou a 49,09 milhões de vínculos formais ativos, o maior estoque registrado na série histórica do Novo Caged.

Acumulado

No acumulado de 2025, entre janeiro e novembro, foram criados 1,89 milhão de vínculos, com saldos positivos em todos os grandes grupamentos de atividades econômicas avaliadas (Comércio, Serviços, Indústria e Agropecuária). No primeiro ano da atual gestão, em 2023, o saldo foi de 1,455 milhão de empregos formais. Em 2024, fechou em 1,678 milhão.

Serviços

De janeiro a novembro de 2025, os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldo positivo. O destaque foi o setor de Serviços, com +1.038.470 postos (+4,5%) e especial vitalidade nas atividades de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+409.148), além de administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde e serviços sociais (+317.540).

Comércio

O Comércio registra saldo positivo no ano de +299.615 postos formais (+2,8%). Os destaques são o Comércio Varejista (+186.268), o Comércio por Atacado (+67.888) e o Comércio de Reparação de Veículos e Motocicletas (+45.459).

Indústria

A Indústria acumula saldo de +279.614 novos postos de janeiro a novembro de 2025, com destaque para Fabricação de produtos alimentícios (+71.845), Manutenção, Reparação e Instalação de Máquinas e Equipamentos (+20.304).

Construção

A Construção, por sua vez, gerou +192.176 postos formais de trabalho no ano, com destaque para elevações expressivas nos segmentos de Construção de Edifícios (+79.304), de Serviços Especializados para Construção (+58.051) e Obras de Infraestrutura (+54.821).

Agro

A Agropecuária também apresenta saldo positivo, de +85.276 postos de trabalho em 2025, com destaque para o Cultivo de Laranja (+14.446), o Serviço de Preparação de Terreno, Cultivo e Colheita (+8.979) e Cultivo de Soja (+8.059).

Agora RN

Preço do petróleo cai após ação dos Estados Unidos na Venezuela

FOTO: EBC

Os preços do petróleo registram queda nesta segunda-feira (5), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu neste domingo (4) à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, “acesso total” aos recursos naturais do país, e após a OPEP+ ter confirmado sua decisão de manter o nível de produção até abril.

O Brent, petróleo de referência na Europa, recuava 0,6% às 3h pelo horário de Brasília, sendo cotado a cerca de 60,40 dólares (R$ 329,08) por barril, enquanto o barril do Texas, referência nos Estados Unidos, retrocedia 0,5% antes da abertura formal do mercado, situando-se em torno de 57 dólares (R$ 310) por barril.

Os preços do petróleo chegaram a subir nos primeiros momentos da sessão, mas perderam força nas horas posteriores. O presidente americano, Donald Trump, exigiu neste domingo da nova líder venezuelana, Delcy Rodríguez, “acesso total” aos recursos naturais da Venezuela.

– O que precisamos [de Delcy Rodríguez] é de acesso total. Acesso total ao petróleo e a outras coisas no país que nos permitam reconstruí-lo – enfatizou.

Por sua vez, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, explicou que um dos principais interesses de sua administração é refinar o petróleo pesado da Venezuela – o país com as maiores reservas de petróleo do mundo – nas refinarias americanas.

– Nossas refinarias na Costa do Golfo dos EUA são as melhores para refinar este óleo pesado. Na verdade, tem havido escassez de petróleo pesado em todo o mundo; por isso, creio que haveria uma enorme demanda e interesse por parte da indústria privada se lhes fosse dada a oportunidade de fazê-lo – declarou Rubio à emissora ABC News.

Horas antes, a OPEP+, que reúne os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outras potências petrolíferas como a Rússia, confirmou sua decisão de manter estável sua oferta de petróleo pelo menos até abril, sem reagir à captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por parte dos EUA.

A decisão foi adotada em uma breve teleconferência realizada neste domingo pelos ministros de Energia e Petróleo de Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.

Esses oito países são os que, em 2023, aplicaram cortes voluntários de produção para sustentar os preços. No entanto, em abril de 2025, começaram a reverter paulatinamente essas reduções com aumentos mensais que representaram uma guinada estratégica para recuperar sua fatia de mercado.

O incremento total entre abril e dezembro somou 2,9 milhões de barris por dia, o que representa cerca de 2,8% da produção mundial. O grupo ainda tem pouco mais de 1 milhão de barris diários para completar o desmonte dos volumes cortados voluntariamente, mas em novembro decidiu “pausar” as altas mensais durante o primeiro trimestre de 2026, medida que os ministros confirmaram neste domingo.

Pleno News

Indústria salineira do RN enfrenta turbulências em 2025 e mira recuperação em 2026

FOTO: JOSÉ ALDENIR

A indústria do sal no Rio Grande do Norte (RN), protagonizada por um conjunto de salinas litorâneas e pelo estratégico Terminal Salineiro de Areia Branca (Porto-Ilha), viveu um ano de desafios intensos em 2025, com impacto econômico e social sentido em toda a cadeia produtiva. O Estado continua concentrando praticamente toda a produção de sal marinho do país, com participação estimada entre 95% e 98% da produção nacional — condição que reforça a importância econômica e estratégica do segmento potiguar.

O setor salineiro potiguar é responsável por cerca de 4 mil empregos diretos, segundo cálculos do Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Estado do Rio Grande do Norte (Seisal-RN), além de gerar postos de trabalho indiretos em atividades relacionadas à logística, transporte e serviços correlatos.

Tarifação dos EUA e impacto nas exportações

Um dos principais desafios de 2025 foi a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, uma medida que, no caso do sal, ameaça severamente o acesso ao maior mercado internacional do produto. Os Estados Unidos absorveram cerca de 47% do faturamento das exportações de sal potiguar entre 2018 e 2024, com embarques anuais perto de 530 mil toneladas. A elevação da tarifa coloca em risco a competitividade do sal marinho produzido no RN frente a concorrentes como Chile, Egito e México e pode excluir a produção potiguar do mercado norte-americano.

Segundo o Siesal-RN e entidades parceiras como a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), a medida ameaça a sustentabilidade do Porto-Ilha — foco logístico da produção salineira — e os empregos ligados diretamente ao setor salineiro.

Essas incertezas assertivas forçaram empresários e autoridades do setor a demandarem ações governamentais de diálogo diplomático e apoio à diversificação de mercados, visando mitigar os efeitos adversos da tarifa e abrir novas rotas de exportação para a produção potiguar.

Contribuição econômica e estrutura produtiva

Além de sua relevância para o comércio exterior, o sal potiguar é peça importante no equilíbrio das contas regionais, movimentando cerca de R$ 300 milhões por ano na economia do território, segundo levantamentos setoriais.

A indústria salineira do RN não é apenas uma atividade tradicional: graças às condições climáticas do semiárido e à infraestrutura especializada, como o Porto-Ilha, o segmento consolidou uma vantagem competitiva no mercado global. Essa cadeia produtiva abastece tanto o mercado doméstico brasileiro quanto compradores internacionais, com usos industriais (incluindo química e alimentícia) e logísticos.

Para reforçar a competitividade do setor em 2025, a indústria salineira potiguar foi incluída no Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi), programa de incentivo fiscal estadual voltado para a indústria. Analistas e representantes do setor acreditam que a medida pode dar fôlego adicional, desde que acompanhada de ações complementares de acesso ao crédito e de diversificação de mercados.

Empregos e perspectivas regionais

Enquanto o setor enfrenta desafios externos, indicadores mais amplos do mercado de trabalho no Rio Grande do Norte mostram um ambiente misto em 2025. O Estado registrou redução da taxa de desemprego para níveis próximos a 7,5%, a mais baixa desde 2012, e criou vagas em segmentos diversos da economia.

Entretanto, dados de final de ano apontam que o RN teve o menor saldo positivo de empregos entre os Estados do Nordeste em novembro de 2025, reflexo de uma recuperação desigual entre setores.

Uma eventual perda de competitividade do sal no mercado internacional poderia agravar pressões sobre a geração de empregos formais ligados à logística e base industrial do Estado.

Desafios e perspectivas para 2026

Ao olhar para 2026, têm se destacado entre os protagonistas do setor salineiro potiguar a necessidade de ampliar mercados além dos Estados Unidos, explorar nichos regionais — como exportações para outros países da América Latina e África — e fortalecer incentivos fiscais e programas de financiamento de exportação. A aproximação com mercados asiáticos e europeus é uma direção estudada por operadores logísticos e empresas do setor.

Internamente, a manutenção de empregos e a adaptação do modelo produtivo à nova realidade tarifária serão temas centrais em fóruns empresariais e negociações públicas. Além disso, especialistas ressaltam que a estocagem e o fortalecimento das cadeias logísticas e produtivas, incluindo a atuação de grandes players internacionais no mercado local, podem ser diferenciais competitivos importantes.

Em síntese, o ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para a indústria do sal no Rio Grande do Norte: consolidada como produtora nacional e global relevante, a cadeia salineira enfrenta agora a necessidade de reagir a choques externos, fortalecer resiliência e prospectar caminhos para retomar o crescimento sustentável em 2026.

Agora RN