19 de janeiro de 2026 às 05:06
19 de janeiro de 2026 às 05:18
FOTO: DIVULGAÇÃO
Imóveis no Rio Grande do Norte já começaram a entrar no novo Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), conhecido como “CPF dos imóveis”, que passou a ser exigido por órgãos federais e cartórios. A mudança começa a produzir efeitos práticos em 2026 e impacta diretamente proprietários, inquilinos e investidores, especialmente em cidades como Natal, onde o mercado de aluguel é um dos mais aquecidos do Nordeste.
No RN, a mudança ganha relevância prática porque o estado concentra um mercado imobiliário com forte presença de imóveis alugados e propriedades de veraneio, muitas vezes operados com contratos informais ou sem registro atualizado.
Dados do Censo Demográfico 2022 mostram que 21,7% dos domicílios no Rio Grande do Norte são ocupados por aluguel. Em Natal, esse percentual sobe para 31,4%, o maior entre as capitais do Nordeste, segundo o mesmo levantamento. Ao mesmo tempo, o mercado de locação na capital segue aquecido: em 2025 o preço médio do aluguel residencial em Natal subiu 10,13%, acima da inflação acumulada no ano, e a cidade se destacou como a 3ª capital do Nordeste em rentabilidade de aluguéis residenciais.
Com o CPF dos imóveis, contratos de aluguel que antes circulavam fora dos registros oficiais passam a ser facilmente confrontados com as bases da Receita Federal, dificultando a omissão de rendimentos no Imposto de Renda e ampliando a transparência das operações. Isso significa que o Fisco poderá cruzar contratos, escrituras e declarações, e identificar diferenças entre o que foi declarado e o que de fato está registrado.
O cadastro cria um identificador único para cada imóvel, que será usado também na verificação de tributos como IPTU, ITBI e ITCMD. A partir de 2026, prefeituras terão mais ferramentas para identificar imóveis cujos valores declarados não correspondem ao valor de mercado, abrindo caminho para revisões nos cálculos tributários.
Outro efeito esperado é sobre os conhecidos contratos de gaveta, muito frequentes no litoral potiguar. Sem matrícula atualizada ou registro formal, imóveis negociados informalmente podem enfrentar dificuldades em vender, financiar ou comprovar titularidade quando confrontados com as informações unificadas pelo CIB.
A migração para o novo cadastro não exige ação direta dos proprietários neste primeiro momento. O envio das informações é responsabilidade dos cartórios de registro de imóveis, que têm até o fim de 2026 para concluir a adaptação ao sistema. A partir de 2027, o CIB passa a ser exigido também por órgãos estaduais e municipais. Por isso, é recomendado que proprietários revisem seus dados cadastrais, escrituras e contratos de aluguel para evitar inconsistências que possam trazer problemas futuros.
16 de janeiro de 2026 às 11:30
16 de janeiro de 2026 às 07:36
FOTO: MARCELLO CASAL JR
O índice de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Norte variou 1,5% em novembro, registrando crescimento após o cenário de estabilidade observado em outubro (0,4%) e setembro (0,1%). Em receita, a variação foi de 1,2% no período. Os índices potiguares ficaram acima das médias nacionais, que foram de 1% em vendas e em receita. A série considera ajuste sazonal. As informações são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em relação a novembro de 2024, o crescimento no varejo no estado foi mais expressivo, e chegou a 8,3% na quantidade de vendas e 11,5% em receita nominal. O segmento inclui o comércio de bens não duráveis ou semiduráveis, como hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.
Já no comércio varejista ampliado, que inclui comércio de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas tiveram variação de 0,7% em novembro de 2025, número acompanhado por uma variação de 0,8% em receita. Frente a novembro de 2024, houve crescimento de 2,9% nas vendas e de 6,6% em receita.
Acumulado no ano e em 12 meses
No acumulado entre janeiro e novembro de 2025, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Norte cresceu 4,5% em novembro, em relação ao mesmo período de 2024, e a receita nominal cresceu 9,7%.
Já a variação acumulada em 12 meses foi de 4,1% para vendas, repetindo o crescimento de 9,3% em receita observado em outubro.
O comércio varejista ampliado também registrou altas. A variação acumulada no ano manteve-se em 2,4% para volume de vendas e 8,0% para receita nominal em novembro de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, o volume de vendas do segmento cresceu 2,3%, acompanhado por um crescimento de 7,9% em receita nominal.
15 de janeiro de 2026 às 16:00
15 de janeiro de 2026 às 16:19
FOTO: REPRODUÇÃO
A indústria do Rio Grande do Norte voltou a registrar retração em novembro de 2025, mas o desempenho da cadeia têxtil e de confecção evitou um resultado mais negativo. A produção industrial do Estado caiu 2,3% na comparação com o mesmo mês de 2024, a menor queda observada ao longo do ano, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional divulgada nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O principal destaque do período foi a confecção de artigos do vestuário e acessórios, que apresentou crescimento expressivo de 98% em novembro. Com esse resultado, o segmento têxtil potiguar registrou, pelo quinto mês consecutivo, a maior taxa de expansão do país, consolidando-se como o principal vetor de sustentação da indústria local em um ano marcado por perdas relevantes em outros ramos.
O desempenho positivo da confecção contrasta com a queda acentuada na fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 16,8% no mês e foi o principal fator de pressão negativa sobre o resultado agregado da indústria potiguar. Todos os demais segmentos pesquisados apresentaram crescimento em novembro, incluindo as indústrias extrativistas, com alta de 12,4%, e a fabricação de produtos alimentícios, que avançou 5,6%.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a indústria têxtil também lidera o desempenho setorial no Estado. A confecção de artigos do vestuário e acessórios cresceu 42,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando com folga os demais segmentos industriais. As indústrias extrativistas avançaram 13,2% e a fabricação de produtos alimentícios manteve crescimento de 5,8%. Ainda assim, o recuo de 23,2% na produção de coque e derivados de petróleo levou a indústria geral do Rio Grande do Norte a acumular queda de 11,8% no período.
A mesma dinâmica é observada na variação acumulada em 12 meses. Enquanto a confecção de vestuário e acessórios registrou expansão de 36,3%, as indústrias extrativistas cresceram 11,1% e o segmento de alimentos avançou 6,6%. Em sentido oposto, a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis caiu 23,4%, o que resultou em retração de 12,7% da indústria geral.
Produzida desde a década de 1970, a PIM-PF Regional acompanha mensalmente o comportamento da produção física das indústrias extrativas e de transformação em 17 unidades da Federação e no Nordeste como um todo, considerando Estados com participação mínima de 0,5% no valor da transformação industrial nacional. Os dados completos da pesquisa estão disponíveis no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). A próxima divulgação, referente a dezembro de 2025, está prevista para 10 de fevereiro de 2026.
14 de janeiro de 2026 às 17:00
14 de janeiro de 2026 às 12:12
FOTO: JOÃO GILBERTO
A ocupação hoteleira no Rio Grande do Norte cresceu 12% na virada do ano, em relação ao Réveillon anterior, superando as expectativas do setor. De acordo com Edmar Gadelha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), a expectativa inicial já era alta, mas o desempenho acabou superando as projeções.
“Nós abrimos o mês de janeiro com uma expectativa de 90% para o Réveillon. Nós ultrapassamos os 90%, chegando a 92%”, afirmou Edmar, em entrevista ao Jornal da Mix, da rádio Mix, nesta terça-feira 13.
O dirigente da ABIH-RN acrescentou que os primeiros 10 dias de janeiro também apresentaram avanço significativo em relação a 2025. “Em relação ao mesmo período do ano passado, nós temos um crescimento real de 12%”, resumiu Edmar Gadelha.
Para o empresário, os números são resultado de um conjunto de fatores. Parte deles está ligada ao cenário internacional, mas há também efeitos diretos de ações de promoção turística realizadas ao longo de 2025. Entre os fatores externos, ele citou a recuperação da economia argentina e a desvalorização do Real frente a outras moedas.
Esse contexto, segundo Edmar, impulsionou o fluxo internacional para o Brasil como um todo e para o Rio Grande do Norte de forma específica. “Não é à toa que nós nunca chegamos a atingir 7 milhões de turistas internacionais ano no Brasil, e chegamos em 2025 a mais de 9 milhões”, disse.
O presidente da ABIH-RN avaliou que há um “movimento espontâneo do mercado”, mas frisou que o crescimento também decorre de um esforço coordenado entre poder público e iniciativa privada no Estado. “Nós temos desenvolvido aqui um trabalho de divulgação e promoção do destino, juntamente com o governo do estado e com os governos municipais que têm vocação turística”.
Na entrevista, Edmar ressaltou que um dos papéis centrais da ABIH-RN tem sido atuar como ponte entre o setor público e o privado. “Esse é um dos principais papéis da ABIH: fazer a articulação entre os poderes públicos e a iniciativa privada. Porque de nada adianta o poder público investir se a iniciativa privada não estiver junto, fechando negócios concretamente e trazendo esse turista para o melhor acolhimento possível aqui no nosso estado”.
Conexão para a Argentina
Um dos pontos destacados por ele como decisivos para o aumento do turismo internacional foi a ampliação da conectividade aérea. Para citar um exemplo, em 30 de dezembro de 2025, a companhia JetSmart começou a operar uma rota direta entre Buenos Aires e Natal, com voos diários na alta estação.
O impacto, segundo Edmar, é expressivo. “A JetSmart tem uma capacidade de aproximadamente 176 passageiros por voo, de modo que isso representa um incremento de quase 1.800 passageiros internacionais chegando ao destino do Rio Grande do Norte toda semana”.
O mercado argentino, de acordo com o presidente da ABIH-RN, já vinha demonstrando crescimento antes mesmo do voo direto, impulsionado por ações de marketing colaborativo. “Em relação ao mercado argentino, nós desenvolvemos uma ação de marketing colaborativo e tivemos um crescimento do mercado argentino ano passado de 27% em relação ao destino Natal”, afirmou. Para ele, o aumento da conectividade tende a criar um ciclo virtuoso. “Uma coisa chama a outra. Se o poder público faz o investimento, a iniciativa privada chega junto para concretizar negócios”.
Apesar do bom momento, Edmar fez críticas à deficiência histórica da malha aérea do Estado. “Essa malha aeroviária, que é tão deficitária aqui no nosso estado, só tem de crescer”, disse, defendendo planejamento conjunto e ações consistentes para ampliar a oferta de voos e reduzir custos.
Infraestrutura do Estado para receber turistas
Outro eixo central da entrevista foi a infraestrutura turística e urbana. Segundo Edmar, melhorias recentes têm sido determinantes para reposicionar Natal e o Rio Grande do Norte no mercado. Ele citou a participação da ABIH em feiras internacionais, como a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), onde o Estado apresentou avanços concretos.
Entre os exemplos, ele mencionou a recuperação de estradas, especialmente nos principais corredores turísticos. Ele reconheceu que as obras tiveram impacto positivo, assim como a melhoria nos indicadores de segurança pública. “Isso é uma coisa que o mercado internacional valoriza muito”, destacou Gadelha.
Nesse ponto, Edmar destacou o reconhecimento de Natal como a capital mais segura do Nordeste em 2024. “Percebíamos a surpresa dos operadores quando tomavam conhecimento de que Natal tinha sido considerada a capital mais segura do Nordeste no ano 2024”, afirmou. Ele também citou intervenções urbanas recentes, como a engorda da praia de Ponta Negra. “Na realidade, Ponta Negra foi devolvida à população do Natal, que já não conseguia mais usar”, disse.
A requalificação urbana, segundo ele, envolve uma série de ações complementares: recapeamento de vias, recuperação de praças, a entrega do terminal turístico da Redinha e melhorias em acessos rodoviários para destinos como Pipa e São Miguel do Gostoso. “É uma agenda positiva que a gente fala, que tem que levar para os operadores, para que eles percebam que o Natal tem sim sido muito bem cuidado”.
Edmar também chamou atenção para a necessidade de avançar na chamada zeladoria das praias urbanas, tema recorrente nas cobranças do trade turístico. “Em Natal nós temos a necessidade de implantação de uma zeladoria das praias urbanas. Já foi feito um decreto, está na iminência de implantar, e nós estamos constantemente cobrando isso do secretariado, cobrando isso do prefeito”, afirmou.
Outro tema abordado foi o alto custo das passagens aéreas para Natal, frequentemente apontado como entrave ao turismo. Para Edmar, a explicação é objetiva. “A explicação central é a lei da oferta da procura”, disse.
Ele argumentou que, apesar da forte demanda, o nível de investimento em promoção e subsídios no RN ainda é muito inferior ao de estados vizinhos. “Nós temos um nível de investimento que chega a aproximadamente 10% do estado de Alagoas, do estado de Pernambuco, do estado do Ceará”, comparou. Segundo ele, isso afeta diretamente a capacidade de negociação com companhias aéreas e operadoras.
Outras opções além do sol e mar
A diversificação da atividade turística foi outro ponto defendido pelo presidente da ABIH-RN. Ele ressaltou que o Estado não pode depender apenas do turismo de sol e mar e destacou o potencial do turismo de eventos. “Porque a gente não pode viver só do turismo de sol e mar”, afirmou, defendendo maior profissionalização na gestão de equipamentos como o Centro de Convenções e mais protagonismo da iniciativa privada.
No interior do Estado, Edmar destacou a importância da capilarização do turismo, com o fortalecimento de rotas alternativas e do turismo religioso. Um dos exemplos citados foi o Santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz. “É o maior monumento religioso do Brasil e que trouxe, como repercussão, como consequência, um aumento de 100 leitos para mais de 800 leitos na cidade de Santa Cruz”, relatou.
Edmar lembrou que o RN não possui uma base industrial forte, o que torna o turismo ainda mais estratégico. “Nosso Estado não tem uma economia fomentada no segmento da indústria. Então o turismo é a indústria sem chaminé. É a nossa principal indústria”, afirmou, defendendo mais investimentos públicos no setor.
Na entrevista, ele também projetou um calendário turístico cada vez mais robusto, com eventos distribuídos ao longo do ano, como Réveillon, Carnaval, São João, Carnatal e o Natal em Natal. “Nós sentimos que há uma necessidade de enveloparmos essas informações, esses produtos, para levar para a prateleira das principais feiras e roadshows que realizamos durante o ano”, disse, citando ainda ações digitais e a criação de conteúdos audiovisuais para promoção do destino.
14 de janeiro de 2026 às 16:30
14 de janeiro de 2026 às 12:14
FOTO: JOSÉ ALDENIR
Mesmo com esforços de adaptação das empresas e apoio do governo estadual, setores estratégicos da economia do Rio Grande do Norte continuam pressionados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, em um ambiente externo que se tornou ainda mais adverso após a escalada da crise política na Venezuela.
A avaliação é do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, para quem a retirada de Nicolás Maduro do poder, por ação apoiada pelo governo de Donald Trump, elevou de forma significativa o grau de dificuldade das negociações comerciais com Washington.
A situação se agravou com o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se manifestou contra a ação militar na Venezuela e em desalinhamento com os Estados Unidos. “Esse novo arranjo geopolítico aumenta a incerteza e tende a travar ou, no mínimo, retardar negociações comerciais que já eram complexas”, afirma Serquiz. Para ele, ainda que a crise venezuelana não tenha relação direta com as tarifas, o ambiente político contamina o diálogo econômico.
No fim de novembro, Trump começou a aliviar o tarifaço aplicado sobre o Brasil. O receio agora é que as negociações esfriem com a oposição entre Brasil e EUA na crise da Venezuela.
Na prática, isso significa que segmentos relevantes da pauta exportadora potiguar — como pescados, sal marinho, confeitaria e ração para pets — seguem reféns das tarifas adicionais de até 50% impostas pelo governo americano. “Quando o cenário político fica mais tenso, o espaço para concessões diminui. E quem paga a conta são setores produtivos que dependem fortemente do mercado externo”, diz Serquiz.
Empresas recebem apoio
Apesar do quadro mais difícil, o Governo do Estado avalia que parte da competitividade foi preservada em 2025 graças a incentivos fiscais e à diversificação de mercados. Secretário adjunto da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Hugo Fonseca, reconhece que os impactos persistem, sobretudo em pescados e sal, mas afirma que as empresas conseguiram se manter ativas no comércio internacional.
Apesar do tarifaço, o RN encerrou 2025 com um superávit comercial de US$ 649,6 milhões. O saldo positivo representa um crescimento de 18,7% em relação ao resultado observado em 2024.
O Panamá foi o principal destino das exportações potiguares, com US$ 468,4 milhões. Os EUA ficaram na 4ª posição, com US$ 91,2 milhões).
Entre as principais medidas adotadas para preservar o comércio exterior a partir do RN, estão a ampliação da desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que pode chegar a 95%, e a antecipação de créditos fiscais. “Essas ações compensaram a perda de competitividade provocada pelo tarifaço. Sem isso, muitas empresas não conseguiriam manter preços no mercado americano”, afirma Fonseca.
Segundo ele, a expectativa inicial era apenas preservar o nível de exportações e os empregos, mas o desempenho acabou superando as projeções. Ainda assim, o setor de pescados segue como o mais sensível. A indústria de atum oceânico do Estado, altamente especializada, chegou a concentrar cerca de 80% do mercado americano e foi diretamente afetada pelo aumento das tarifas.
No caso do sal marinho, a estratégia tem sido reforçar o mercado interno para compensar perdas externas, enquanto confeitaria e ração para pets conseguiram preservar espaço nos EUA com apoio dos incentivos estaduais.
Para Serquiz, no entanto, o atual contexto internacional exige mudanças estruturais. Ele defende a aceleração da diversificação de mercados, com maior presença na Europa, Ásia e Oriente Médio, além de investimentos em certificações, padrões sanitários mais rigorosos e agregação de valor aos produtos. “Exportar apenas commodities aumenta a vulnerabilidade a decisões políticas externas”, avalia.
Paralelamente, empresas têm buscado ajustes logísticos, redução de custos operacionais e ganhos de eficiência para enfrentar um ambiente externo mais competitivo.
Ainda assim, a leitura predominante entre empresários é de cautela. “Com a crise na Venezuela, a postura de Lula e o endurecimento dos Estados Unidos, negociar ficou mais difícil. O momento exige menos dependência de decisões externas e mais estratégia, competitividade e articulação institucional”, resume Serquiz. Para ele, enquanto a tensão geopolítica persistir, os setores potiguares continuarão operando sob forte pressão no comércio internacional.
Paralelamente, o Governo do Estado intensificou a estratégia de diversificação geográfica. Em 2025, o Rio Grande do Norte abriu 14 novos mercados internacionais e lançou um programa de qualificação de exportadores em parceria com a ApexBrasil e o Sebrae, que já atraiu cerca de 50 empresas e deve preparar quase 70 novas para exportar a partir de 2026. Atualmente, cerca de 140 empresas potiguares exportam regularmente.
14 de janeiro de 2026 às 16:00
14 de janeiro de 2026 às 12:16
FOTO: REPRODUÇÃO
De todos os 27 governos estaduais, o Governo do Rio Grande do Norte foi o que mais reduziu seus investimentos em 2025. Segundo os dados oficiais, a queda nos investimentos do RN foi de 40,8% de janeiro a outubro de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior.
No setor público, investimento são despesas que ampliam o patrimônio e a capacidade de oferta do governo, como obras, construções, aquisição de máquinas e equipamentos, gerando benefícios futuros. Diferencia-se do custeio, cobre as despesas diárias e a manutenção da máquina administrativa (salários, materiais de consumo e serviços).
Os números são de relatórios resumidos de execução orçamentária enviados pelos próprios estados à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Um relatório com os dados foi divulgado na última segunda-feira 12 pelo jornal Valor Econômico. Os dados de 2025 ainda não estão totalmente fechados porque os estados têm até o fim deste mês para divulgar os números do último bimestre do ano passado (novembro e dezembro de 2025).
Em números totais, o Governo do RN investiu R$ 370 milhões de janeiro a outubro de 2025. Foi o terceiro menor valor entre os 27 governos estaduais, à frente apenas de Rondônia (R$ 350 milhões) e Roraima (R$ 170 milhões) – a população do Rio Grande do Norte é maior que a dos dois estados somados.
Os investimentos subiram em 16 estados e no Distrito Federal. Em 13 deles, o aumento foi superior a 10%, sendo que a taxa superou 30% reais em nove desses entes: Goiás, Rio Grande do Sul, Amapá, Sergipe, Paraná, Maranhão, Acre, Paraíba e Pernambuco.
No Nordeste, apenas dois estados tiveram queda nos investimentos. Além do RN, o outro estado com redução foi a Bahia, com queda de 6,1%. Ainda assim, o governo baiano investiu R$ 5,47 bilhões no período analisado. Estado com população equivalente à do RN, mas com PIB menor, a Paraíba teve investimento de quase R$ 1,8 bilhão de janeiro a outubro de 2025 – quase cinco vezes mais que o estado potiguar.
Procurada pelo AGORA RN, a Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) não comentou os números até o fechamento da edição.
RN perdeu parcela do PEF em 2025 por não atender metas fiscais
Um dos fatores que pode ter contribuído para a queda nos investimentos em 2025 foi a saída do Rio Grande do Norte do Programa de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF). Em 2024, com base no programa, o Estado conseguiu um empréstimo de R$ 427 milhões junto ao Banco do Brasil, e o dinheiro foi aplicado na recuperação de estradas.
No ano passado, a expectativa era de uma nova operação de crédito para outros investimentos, mas o Tesouro Nacional não deu aval à transação, sob a alegação de que o governo potiguar não conseguiu cumprir uma meta fiscal – a redução da despesa com pessoal.
Através do PEF, estados e municípios com situação fiscal desfavorável podem buscar empréstimos junto a instituições financeiras com aval da União. Em troca, porém, devem cumprir metas fiscais, sob pena de saída do programa.
Em novembro de 2025, o Governo do RN e o Governo Federal fecharam um acordo para que o Estado volte ao PEF. A retomada vai permitir ao Estado buscar R$ 855 milhões em novos empréstimos. O acordo foi homologado pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a volta ao PEF, a gestão estadual se comprometeu a adotar medidas de equilíbrio fiscal. Com o aval, a União vira uma espécie de “fiadora”: ou seja, o Tesouro Nacional arca com as despesas do empréstimo caso o Estado não consiga honrar as parcelas.
Se o Estado cumprir as metas, além dos R$ 855 milhões, poderá captar mais cerca de R$ 430 milhões em uma segunda etapa. Portanto, o acordo permitirá um financiamento total de quase R$ 1,3 bilhão.
Em entrevista ao AGORA RN em novembro, o secretário estadual de Fazenda, Cadu Xavier, disse que, entre outras medidas, o Estado se comprometeu em promover um “crescimento sustentável” da folha de pessoal. Ele não detalhou, porém, que medidas específicas a gestão pretende implementar para atingir a meta. Já está em vigor no RN, desde o início de 2024, uma lei que prevê que, de um ano para o outro, a despesa com pessoal não pode crescer mais que 80% do avanço da receita.
O economista Alberto Borges, sócio da consultoria Aequus, disse ao Valor Econômico que o aumento nos investimentos dos estados se deveu justamente à evolução das operações de crédito. Essas receitas tiveram alta de 34,4% de janeiro a outubro de 2025 contra iguais meses de 2024. Em igual período, a arrecadação própria dos Estados cresceu a ritmo bem menor, de 2%.
Despesa com pessoal limita investimentos
Um dos principais fatores que limitam a execução de investimentos com recursos próprios no Estado é o gasto com folha de pagamento de salários. No ano passado, o Estado começou a reduzir sua despesa com pessoal, em relação à receita corrente líquida. No segundo quadrimestre de 2025 (de maio a agosto), o percentual ficou em 55,73%. No quadrimestre anterior (janeiro e abril de 2025), a taxa estava em 56,01%. O último relatório de 2025 deverá ser publicado até o fim deste mês.
Apesar disso, o Estado ainda ultrapassou o limite previsto para esse tipo de gasto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para o Poder Executivo (49%).
Além disso, o Rio Grande do Norte segue sendo o estado com o maior gasto com pessoal do Brasil, em termos proporcionais. Também é o único que ultrapassa o limite previsto na LRF. Em 2º lugar, vem Minas Gerais, com 48,52%. O menor gasto, por sua vez, está no Maranhão (30,06%).
Em números: Investimentos do RN em 2025
– Queda nos investimentos: –40,8%
(jan–out/2025 em relação ao mesmo período de 2024)
– Valor investido pelo RN: R$ 370 milhões
(terceiro menor entre os 27 estados)
– Comparativo regional:
Bahia: R$ 5,47 bilhões (–6,1%)
Paraíba: cerca de R$ 1,8 bilhão (quase 5x o RN)
– Ranking nacional:
RN ficou à frente apenas de Rondônia (R$ 350 milhões) e Roraima (R$ 170 milhões)
– Estados com alta nos investimentos: 16 estados + DF
– 9 deles com crescimento acima de 30%
– PEF (Programa de Equilíbrio Fiscal):
RN ficou fora em 2025
Potencial de financiamento com retorno ao programa: até R$ 1,3 bilhão em dois anos
14 de janeiro de 2026 às 10:30
14 de janeiro de 2026 às 04:29
FOTO: DIVULGAÇÃO
A arrecadação do Rio Grande do Norte já alcançou R$ 1 bilhão e 486 milhões nos primeiros 13 dias de janeiro de 2026, segundo levantamento da 96 FM com base em dados do Portal da Transparência. O valor foi registrado antes da metade do mês.
Ainda não há detalhamento das despesas de janeiro de 2026 no sistema, pois os dados devem estar em processamento, já que os pagamentos foram concluídos apenas nesta terça-feira (13). No entanto, as informações sobre receitas já estão disponíveis.
Em comparação, durante todo o mês de janeiro de 2025, o estado arrecadou R$ 2 bilhões e 90 milhões. Isso significa que, em menos da metade do período, a arrecadação de 2026 já representa cerca de 75% do total registrado no mesmo mês do ano passado.
Quando o recorte é feito apenas sobre impostos, o crescimento chama ainda mais atenção. Em janeiro de 2025, ao longo dos 31 dias, a arrecadação foi de R$ 992 milhões. Já em 2026, em apenas 13 dias, o estado arrecadou R$ 935 milhões em impostos, valor próximo de todo o montante arrecadado no mesmo período do ano anterior.
Os dados apontam R$ 935 milhões arrecadados em ICMS e R$ 484 milhões em contribuições até o momento. Além disso, ainda há expectativa de entrada de recursos federais. O repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE) ocorreu no dia 10 de janeiro, mas o valor ainda não aparece no Portal da Transparência. Se seguir o padrão do ano passado, o RN deve receber pelo menos mais R$ 1 bilhão em repasses federais.
14 de janeiro de 2026 às 10:00
14 de janeiro de 2026 às 04:21
FOTO: DIVULGAÇÃO
Os combustíveis em Natal ficaram mais caros em janeiro. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon Natal) identificou um aumento médio de 13,62% em relação ao último levantamento de 2025. O estudo foi feito nesta segunda-feira (12) e analisou os preços praticados em 87 postos de combustíveis, distribuídos pelas quatro regiões da capital potiguar. Todos os combustíveis apresentaram aumento, com exceção do gás veicular, que manteve o preço médio de R$ 5,05.
Nos dois últimos meses do ano passado, o cenário era diferente. Em novembro, a gasolina custava, em média, R$ 6,04, enquanto em dezembro o valor caiu para R$ 5,79.
Etanol lidera aumento entre os combustíveis
Em comparação com janeiro de 2025, quando a gasolina comum custava R$ 6,13, o preço médio em janeiro de 2026 chegou a R$ 6,58. Isso representa um aumento de 7,34%, ou R$ 0,45 a mais por litro para o consumidor.
A mesma tendência foi observada nos demais combustíveis. O diesel S-10 passou de R$ 6,18 para R$ 6,45, um acréscimo de 4,36%. Já o etanol apresentou a maior alta: 25,79%. O preço médio saltou de R$ 4,42 para R$ 5,56, gerando um custo adicional de R$ 1,14.
Além disso, em relação a dezembro, quando o etanol custava R$ 4,34, o aumento foi ainda maior, chegando a 28,11%.
Reajuste do ICMS impactou preços em todo o país
Segundo o Procon Natal, os aumentos refletem o reajuste do ICMS, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 em todo o país. A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
No caso da gasolina, o imposto subiu R$ 0,10, passando para R$ 1,57 por litro. Já o diesel teve reajuste de R$ 0,05, saindo de R$ 1,12 para R$ 1,17. O aumento é obrigatório e busca compensar a inflação acumulada.
Regiões com os menores preços em Natal
A pesquisa também apontou variações significativas entre bairros e regiões da cidade. As regiões Leste e Oeste registraram o melhor preço médio da gasolina comum, com R$ 6,56.
O diesel S-10 mais barato foi encontrado nas regiões Sul e Leste, com média de R$ 6,43. Já o etanol teve o menor preço médio na região Norte, custando R$ 5,54.
No caso do gás natural veicular, o menor valor foi registrado na região Sul, com R$ 5,02, seguido da região Leste, com R$ 5,03.
Diferença de preços pode gerar economia ao consumidor
A pesquisa reforça a importância de comparar preços antes de abastecer. No etanol, a diferença entre o maior e o menor valor foi de R$ 0,40, variando entre R$ 5,59 e R$ 5,19. A menor tarifa foi encontrada no bairro Potengi, na zona Norte.
Para o diesel S-10, a diferença também chegou a R$ 0,40, com preços entre R$ 6,59 e R$ 6,19, novamente no bairro Potengi.
Já a gasolina comum apresentou variação de R$ 0,24, indo de R$ 6,45, no bairro das Rocas, na zona Leste, até R$ 6,69. A economia pode chegar a 3,72%.
Segundo o levantamento, 63,21% dos postos pesquisados praticavam preços acima da média geral, enquanto apenas 27,59% estavam abaixo.
Como acessar a pesquisa e denunciar abusos
Os dados completos estão disponíveis no site do Procon Natal. O consumidor também pode denunciar possíveis abusos econômicos mediante apresentação do cupom fiscal.
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