
A condenação do ator José Dumont pelo crime de estupro de vulnerável não é apenas reflexo do trabalho da polícia, mas o resultado direto da ação de pessoas que trabalhavam e viviam no prédio em que o crime ocorreu. A sentença que levou o artista à prisão nesta terça-feira (3) deixou claro que funcionários do prédio onde ele morava ajudaram a revelar os abusos contra um menino de 14 anos.
Segundo os autos do processo, a engrenagem da denúncia começou a girar quando o porteiro noturno percebeu que havia ‘uma movimentação estranha’ entre o veterano da TV e o adolescente. No dia seguinte, o relato foi passado ao porteiro-chefe. A partir dali, a situação virou alvo de investigação interna.
Ao revisar o circuito de câmeras, o porteiro-chefe não encontrou apenas registros de entrada e saída. Ele confirmou que o ator ‘apalpava e beijava o menor’, identificando que a vítima era a mesma criança que frequentava o local em dias diferentes. A síndica foi acionada pelos porteiros e, ao assistir aos vídeos, constatou o crime.
O material foi levado à polícia e o laudo pericial citado pelo juiz Daniel Werneck Cotta detalha a confirmação do que foi denunciado. No tribunal, a defesa de José Dumont tentou emplacar a tese do afeto paternal, alegando que os beijos eram no rosto. A estratégia, porém, não funcionou por conta das gravações, que contradiziam o que era dito.
Quem é?
Com mais de quatro décadas de trajetória artística, Dumont construiu carreira sólida na televisão brasileira, participando de produções marcantes. Na primeira versão de Pantanal (1990), interpretou Gil Marruá, pai de Juma Marruá. No mesmo ano, esteve em A História de Ana Raio e Zé Trovão, no papel de Mané Coxo.
o longo dos anos, integrou ainda o elenco de novelas como Terra Nostra (1999), América (2005), Velho Chico (2016), Onde Nascem os Fortes (2018) e Todas as Flores (2022) e integrou o elenco de Nos Tempos do Imperador, no papel do coronel Eudoro. Também atuou em produções da Record, como Caminhos do Coração (2007) e Ribeirão do Tempo (2010).
No cinema, ele estreou em Morte e Vida Severina e participou de títulos como Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia. Ao todo, Dumont acumulou cerca de 50 trabalhos entre longas e curtas-metragens. Seu projeto mais recente foi o filme Curral, dirigido por Marcelo Brennand, lançado em 2021.
O caso que resultou na condenação remonta a 2022. Segundo as investigações, o ator levou um menino de 11 anos para o interior de seu apartamento, filho de uma ambulante que vendia cuscuz na porta do seu apartamento no Flamengo. Moradores do prédio denunciaram a situação às autoridades e disseram que a criança já teria ido mais de uma vez no apartamento do autor. O processo foi concluído com condenação transitada em julgado.
Dumont foi localizado em casa após trabalho de inteligência da Polícia Civil, conduzido à delegacia para os procedimentos de praxe e, em seguida, será encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Correio 24h
