
O corpo do médico Miguel Abdala Netto, de 76 anos, segue no Instituto Médico Legal (IML) enquanto a Polícia Civil apura as circunstâncias de sua morte, registrada na última sexta-feira, no Campo Belo, em São Paulo. Suzane von Richthofen – condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os próprios pais – procurou a 27ª Delegacia de Polícia para tentar liberar o sepultamento do tio, segundo o jornalista Ullises Campbell, de O Globo.
Segundo investigadores, a presença de Suzane causou surpresa na unidade policial. Foi justamente nessa delegacia que, em 2002, foi registrado o boletim de ocorrência do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen. À época, Suzane prestou depoimento no local acompanhada do mesmo tio agora encontrado morto.
Durante a conversa com os policiais, Suzane afirmou ser a parente consanguínea mais próxima de Miguel, por ser sobrinha de primeiro grau, e alegou que isso lhe daria legitimidade para autorizar o sepultamento. A iniciativa também poderia abrir caminho para que ela se tornasse inventariante dos bens deixados pelo médico, estimados em cerca de R$ 5 milhões. O patrimônio inclui uma casa e um apartamento no Campo Belo, além de um sítio no litoral paulista.
A polícia, no entanto, decidiu não atender ao pedido. Suzane cumpre a pena de 39 anos em liberdade. Um dia antes, Sílvia Magnani, prima de primeiro grau e ex-companheira de Miguel, também tentou a liberação do corpo, mas foi orientada a apresentar documentação que comprovasse formalmente o parentesco. Ela conseguiu apenas fazer o reconhecimento do cadáver no IML.
Casa pichada
Na madrugada em que a morte foi constatada, o portão da casa de Miguel apareceu pichado com a frase “Será que foi a Suzane?”, levantando suspeitas e reforçando a decisão da polícia de tratar o caso como morte suspeita. Exames periciais e toxicológicos ainda são aguardados para esclarecer a causa do óbito.
Após sair da delegacia sem sucesso, Suzane recorreu ao fórum e entrou com um pedido de tutela para tentar reverter a decisão. Até que haja definição judicial, o corpo permanece retido no IML.
Sílvia diz torcer para que Miguel tenha deixado um testamento. Segundo ela, o documento deixaria claro que Suzane estaria excluída da herança. Durante o período em que conviveu com o médico, afirma que ele “falava horrores da sobrinha” e dizia que lutaria até o fim da vida para que ela não herdasse “sequer um alfinete” da família que, nas palavras dele, ela própria havia destruído.
Essa não é a primeira disputa judicial envolvendo Suzane e patrimônio familiar. Logo após a morte dos pais, ela tentou assumir a inventariança dos bens do casal, avaliados na época em cerca de R$ 10 milhões. Miguel foi quem ingressou na Justiça e conseguiu que a sobrinha fosse declarada indigna de herdar os bens dos pais que mandou matar. Com isso, toda a herança ficou com Andreas von Richthofen.
Correio 24h

