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Pesquisa mostra racha na base de Trump e expõe fragilidade de coalizão que pode decidir as eleições de 2026

FOTO: AFP

O levantamento revela que o chamado movimento “Make America Healthy Again” (MAHA), que funcionou como uma das principais pontes entre diferentes grupos eleitorais em 2024, começa a perder coesão — e, mais importante, entusiasmo.

Segundo a pesquisa, *52% dos americanos afirmam que o governo não fez o suficiente para cumprir as promessas associadas ao MAHA. O dado indica um nível relevante de frustração no eleitorado em geral, mas o alerta mais importante está dentro da própria base republicana. *Entre os eleitores que votaram em Trump, 41% também consideram que houve menos avanços do que o prometido.

A insatisfação se repete entre aqueles mais diretamente ligados ao movimento. Cerca de 47% dos apoiadores do MAHA dizem estar frustrados com os resultados entregues até agora, um número expressivo para um grupo que foi decisivo na construção da vitória eleitoral.

O levantamento traz ainda um componente político delicado para os republicanos: a percepção de proximidade com grandes corporações. *Aproximadamente 30% dos entrevistados afirmam que o Partido Republicano é mais influenciado pela indústria de pesticidas e produtos químicos, enquanto cerca de *20% dizem o mesmo dos democratas. Esse dado atinge diretamente um dos pilares do discurso que sustentou o MAHA — o enfrentamento às grandes empresas e ao chamado “sistema”.

O cenário que emerge da pesquisa é o de uma coalizão que começa a se tensionar a partir de dentro.

No centro desse desgaste estão três eixos principais.

O primeiro é a política de vacinação, talvez o tema mais sensível de toda a agenda. Durante a campanha, setores importantes do MAHA defenderam mudanças profundas na forma como o governo federal regula e promove vacinas. Já no exercício do poder, a administração adotou uma postura mais cautelosa, evitando rupturas que pudessem gerar reação negativa entre eleitores independentes e parte da comunidade científica.

Essa moderação, no entanto, teve custo político. Para a ala mais engajada do movimento, o recuo é visto como uma quebra de compromisso – um exemplo clássico do choque entre discurso de campanha e prática de governo.

O segundo eixo envolve a relação com a indústria, especialmente no setor químico e alimentício. O MAHA ganhou força ao prometer ações mais duras contra pesticidas, aditivos e produtos ultraprocessados. A percepção de que essas mudanças não avançaram no ritmo esperado alimenta a ideia de que, apesar do discurso, o sistema continua operando sob as mesmas influências de antes.

O terceiro ponto é mais amplo e, talvez por isso, mais difícil de reverter: a sensação de falta de resultados concretos. Entre apoiadores, cresce a avaliação de que a agenda perdeu força ao entrar na engrenagem institucional de Washington. Nomeações, regulações e mudanças estruturais não ocorreram na velocidade prometida, o que gera um desgaste gradual.

Esse tipo de frustração raramente se traduz em ruptura imediata. O que a pesquisa sugere é algo mais sutil — e politicamente mais perigoso: uma erosão silenciosa.

Em vez de abandonar o campo político, parte desses eleitores pode simplesmente se desengajar. E esse comportamento tem impacto direto nas eleições de meio de mandato.

Diferentemente das eleições presidenciais, as midterms nos Estados Unidos são marcadas por menor participação e disputas mais apertadas. Nesse contexto, a mobilização da base é um fator decisivo. Pequenas quedas no comparecimento podem ser suficientes para alterar o controle do Congresso.

É justamente esse o risco que começa a aparecer no radar republicano.

A coalizão formada em torno do MAHA é, por natureza, heterogênea. Ela reúne conservadores tradicionais, eleitores anti-establishment, grupos ligados à saúde alternativa e críticos da indústria farmacêutica. Essa diversidade foi um dos principais trunfos da campanha de 2024, permitindo ampliar o alcance eleitoral e atrair públicos que historicamente não orbitavam o Partido Republicano.

Mas essa mesma diversidade se transforma em desafio quando chega a hora de governar.

Conciliar interesses tão distintos exige escolhas. E toda escolha, nesse contexto, implica frustração para algum segmento da base. Atender às demandas mais radicais pode afastar moderados; adotar uma linha mais pragmática, por outro lado, gera descontentamento entre os mais ideológicos.

Jovem Pan

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