
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) representou “afronta à legislação eleitoral”.
A escola, que estreou no Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro no domingo (15), apresentou o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, narrando a trajetória pessoal e política do chefe do Executivo, desde a saída de Garanhuns (PE) até a chegada ao Palácio do Planalto.
“O carnaval é uma festa popular de expressão cultural. É algo muito importante e não deve ser usado para campanha eleitoral disfarçada”, declarou Nunes.
Segundo ele, houve “ataque a adversários políticos” e “evidente abuso eleitoreiro”.
O desfile também incluiu representações de episódios políticos recentes, como o impeachment de Dilma Rousseff, com a aparição do ex-presidente Michel Temer, além de referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro, simbolizado pelo personagem Bozo, e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em processo que apura possível propaganda eleitoral antecipada, além de novas ações apresentadas por partidos de oposição. Em sessão na quinta-feira (12), ministros da Corte manifestaram preocupação com o conteúdo do desfile. A presidente do TSE, Cármen Lúcia, comparou a situação a uma “areia movediça”, afirmando que o ambiente é “muito propício a ilícitos eleitorais”.
Lula acompanhou a apresentação na Marquês de Sapucaí, ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), ministros e aliados. Na manhã seguinte, o presidente afirmou nas redes sociais ter sentido “muita emoção” ao assistir ao desfile, além das apresentações de Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira.
Diário do Poder
