Para facilitar a vida de quem deseja garantir o benefício, a gestão da prefeita Nilda ampliou o horário e os pontos de atendimento da Secretaria Municipal de Tributação (Semut), reforçando o compromisso com o cidadão. Além de funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, a Semut também passou a atender no bairro de Cidade Verde, além dos polos em Nova Parnamirim e Pirangi do Norte, descentralizando ainda mais os serviços, e aproximando a Prefeitura da população. Em todos os locais, os contribuintes podem receber orientações, negociar débitos, emitir carnês e acessar diversos serviços relacionados à tributação municipal. Para o desconto é necessário pagar até sexta-feira (30).
Para ter direito ao desconto máximo, é necessário estar regular com a Fazenda Municipal, manter o cadastro do imóvel atualizado e realizar a emissão do Documento de Arrecadação Municipal (DAM) por meio do site oficial da Prefeitura. O DAM é composto pelo IPTU, com 20% de desconto, pela Taxa de Coleta e Remoção de Lixo (TCRL) e pela Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (CIP).
A prefeita Nilda destacou a importância de aproveitar o momento e manter as obrigações em dia. “Estamos oferecendo todas as condições para que o contribuinte regularize sua situação e aproveite esse desconto tão importante. É uma forma de reconhecer quem é bom pagador e contribui para o desenvolvimento da nossa cidade”, afirmou.
A gestora também reforçou que os recursos arrecadados retornam diretamente para a população. “O IPTU é fundamental para manter e ampliar os investimentos em saúde, educação, limpeza urbana, praças, iluminação pública e para garantir o pagamento dos servidores. Cada contribuinte que mantém seus impostos em dia ajuda a construir uma Parnamirim melhor para todos”, ressaltou Nilda.
A Prefeitura lembra que o prazo para garantir o desconto está chegando ao fim e reforça o chamado para que os contribuintes não deixem para a última hora.
“Essa é uma oportunidade que premia quem é responsável com a cidade. Organizamos nossa estrutura para atender bem e facilitar o acesso. Aproveitem, regularizem sua situação e garantam o desconto”, concluiu a prefeita.
O Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE), por meio do Batalhão Rodoviário, interceptou, na noite da última segunda-feira (26), uma adolescente de apenas 13 anos de idade conduzindo uma motocicleta sem capacete na cidade de Extremoz, que fica na Grande Natal.
A abordagem aconteceu durante uma blitz de rotina realizada na RN-160, quando os policiais constataram que a condutora, além de não utilizar equipamento de segurança obrigatório, era menor de idade e não possuía habilitação.
Diante da situação, o responsável pelo veículo, um homem de 32 anos de idade, foi identificado e detido pelas autoridades.
Após a constatação da infração, o dono da motocicleta recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Central de Flagrantes para a adoção dos procedimentos legais cabíveis.
A motocicleta utilizada pela adolescente foi recolhida e levada ao depósito do órgão de trânsito, conforme determina a legislação vigente.
O CPRE reforçou que ações de fiscalização têm sido intensificadas nas rodovias estaduais com o objetivo de coibir práticas que coloquem em risco a segurança viária.
O Hospital Municipal de Natal, que está em construção no conjunto Cidade Satélite, deverá iniciar o seu funcionamento no final de abril de 2026, com a entrega da primeira etapa da unidade, que contará com 100 leitos de enfermaria. A previsão foi dada nesta terça-feira 27 pelo secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho.
Segundo ele, além dos leitos inicialmente previstos, a Prefeitura decidiu ampliar o escopo da primeira fase, incluindo dois blocos cirúrgicos, o que permitirá ao hospital começar a realizar procedimentos e gerar receita própria desde o início das operações.
Ele explicou que o financiamento necessário para a conclusão dessa etapa está garantido com a assinatura de um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, que será formalizado pela Prefeitura do Natal.
De acordo com o secretário, a inclusão dos blocos cirúrgicos é estratégica para o equilíbrio financeiro da unidade. “É a alta complexidade que dá receita para o hospital. A gente começar a fazer parto, começar a fazer cesárea, começar a fazer pequenas cirurgias, cirurgias eletivas”, afirmou, em entrevista à rádio Mix nesta terça-feira 27. Segundo ele, essa lógica permitirá custear parte das despesas dos leitos de enfermaria desde o início do funcionamento.
Cirurgias, partos, cesáreas e procedimentos de média e alta complexidade são pagos pelo SUS por meio de tabelas e contratos. Cada procedimento realizado gera repasse financeiro ao hospital, com apoio do Governo Federal. Já leitos de enfermaria para observação ou retaguarda consomem recursos (equipe, medicamentos, alimentação, energia), mas não têm pagamento direto por diária no mesmo modelo.
Geraldo Pinho enfatizou que o impacto assistencial será expressivo já na primeira fase. “Só essa primeira etapa, com 100 leitos, já representa um Walfredo Gurgel e meio”, comparou, em referência ao maior hospital público do Estado, pertencente à rede estadual. O Hospital Municipal, quando estiver totalmente concluído, terá 330 leitos e sete blocos cirúrgicos, o que, segundo ele, corresponde a “mais do que quatro Walfredos”.
O secretário ressaltou que a abertura do hospital não se limita à conclusão da obra física. O desafio maior, segundo ele, está no custeio. “Não é só construir, não é só entregar. A gente tem que também se debruçar sobre a gestão do hospital, o custeio – que vai ser altíssimo”, declarou. Para isso, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) criou um grupo de trabalho que estuda diferentes modelos administrativos.
Entre as alternativas analisadas pela gestão municipal, estão a administração direta, gestão por Organização Social (OS), modelo misto e Parceria Público-Privada (PPP). “O caminho que deveremos seguir, muito provavelmente, será uma PPP”, disse. Segundo o secretário, a Prefeitura já trabalha na estruturação jurídica e técnica do projeto, avaliando a “vantajosidade econômica que esse modelo trará para a gestão municipal”.
Ele frisou que a decisão será baseada em eficiência e sustentabilidade financeira. “Não adianta abrir sem ter capacidade financeira de manter um serviço, principalmente um hospital novo”, afirmou. Ainda assim, garantiu que, independentemente de aportes estaduais ou federais adicionais, o hospital será entregue. “O prefeito Paulinho Freire deu a determinação, a prioridade, para que a gente entregue de fato o hospital para poder funcionar e desafogar toda a nossa rede de urgência e emergência”.
Gestão das UPAs, terceirização e ampliação dos atendimentos
Outro eixo central da entrevista foi a reorganização da rede de urgência e emergência, especialmente a gestão das UPAs e a terceirização dos serviços médicos. O tema gerou forte reação da categoria médica em 2025, com protestos e greves, mas, segundo o secretário, os resultados práticos contradizem as críticas iniciais.
“O presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira, naquela época, esbravejou aos quatro cantos da cidade que iam faltar médicos para as empresas novas”, relatou. Na avaliação do secretário, o cenário atual demonstra o contrário. “O que nós vimos foi o total contrário”, disse.
De acordo com Geraldo Pinho, hoje não há registros de falta de médicos nas unidades municipais. “Não se fala mais em falta de médico em nenhum posto de saúde, em nenhuma UPA, em nenhuma maternidade, em nenhum Caps, nada”, afirmou. Pelo contrário, segundo ele, houve ampliação expressiva da oferta.
O secretário apresentou números para sustentar a afirmação. “Natal realizou, no ano de 2025, mais de 1,3 milhão atendimentos médicos”, disse. Isso representa, conforme detalhou, “uma média de 3.500 atendimentos por dia”.
A ampliação também se deu nas especialidades. “Ampliamos em 54%, em relação a 2024, os atendimentos médicos de especialistas”, afirmou, citando áreas como oftalmologia, ginecologia, mastologia e cirurgia vascular. Nos atendimentos multiprofissionais, o crescimento foi ainda maior. “Ampliamos em 137%”, disse, incluindo fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais de nível superior.
Autismo e saúde mental: novas estruturas e ampliação do atendimento Além das urgências hospitalares, o secretário de Saúde de Natal destacou avanços na atenção ao autismo e à saúde mental, áreas que, segundo Geraldo Pinho, eram historicamente deficitárias no município.
Um dos principais projetos apresentados foi o Espaço Crescer, inaugurado em novembro dentro do Centro de Especialidades Integradas (CEI) Leste II, no bairro do Alecrim. “Esse serviço não existia dentro do município de Natal”, afirmou Geraldo Pinho. O espaço realiza avaliação global de crianças com suspeita de transtorno do espectro autista (TEA), com equipe multidisciplinar formada por psicólogo, neuropsicólogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional e nutricionista.
O impacto inicial foi imediato. “No primeiro mês, chegamos a quase 500 crianças atendidas”, disse. Segundo o secretário, o desafio agora é ampliar a assistência após o diagnóstico. “No momento que você começa a dar o diagnóstico, surge outro problema, você trata da assistência”, afirmou.
Para isso, a Prefeitura prepara a implantação de um centro especializado nos moldes da Casa Azul, de Ceará-Mirim. “A criança tem ali 40 atendimentos por mês, fica imersa num tratamento comportamental”, explicou, descrevendo um modelo intensivo voltado à autonomia e à vida diária.
Na área de saúde mental, Geraldo Pinho anunciou a retomada e ampliação da rede de Caps. “Vamos entregar agora, em fevereiro, o Caps de Santos Reis”, disse. A unidade contará com 10 leitos de internação, o que, segundo ele, é fundamental diante da redução de portas abertas no Hospital Geral João Machado.
Além disso, está em construção um Caps III na Zona Norte, de maior porte. Essas iniciativas, segundo ele, integram uma estratégia mais ampla de fortalecimento da rede municipal. “Uma coisa que Natal não tem vai passar a ter”, afirmou, ao projetar 2026 como um ano de entregas estruturantes na saúde pública da capital.
O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski recebeu autorização da CEP (Comissão de Ética Pública da Presidência) para retornar à advocacia sem a tradicional quarentena de 6 meses para ex-integrantes do alto escalão do governo federal. A decisão foi tomada na 3ª feira (27.jan.2026), depois da consulta feita pelo próprio ex-ministro, que saiu do cargo no início deste mês por “razões de caráter pessoal e familiar”.
Há, no entanto, restrições válidas por 6 meses. Entre as limitações impostas pela CEP estão a proibição de defender interesses privados junto ao Ministério da Justiça e seus órgãos vinculados. O ex-ministro também não poderá atuar em processos que envolvam informações estratégicas obtidas durante sua gestão, nem representar interesses privados em matérias sob competência da pasta, especialmente perante secretarias, PF (Polícia Federal) e PRF (Polícia Rodoviária Federal).
Após deixar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Lewandoswki retomou o seu registro profissional na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Agora, sua situação no Cadastro Nacional dos Advogados consta como “regular”.
A determinação da Comissão visa impedir o uso de informações privilegiadas ou influência indevida em benefício de interesses privados após a saída de cargos estratégicos no governo federal. Lewandowski está igualmente impedido de atuar perante órgãos colegiados vinculados ao Ministério ou em processos no Cade e na ANPD relacionados a informações privilegiadas.
Eis a nota da CEP:
“Conforme determina a Lei 12.813, de maio de 2013, o ministro Ricardo Lewandowski fez consulta à Comissão de Ética da Presidência (CEP) a respeito de eventual exercício da advocacia, assim que pediu exoneração do cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública.
Em conformidade com a legislação vigente, a CEP autorizou a atuação de Lewandowski como advogado, ressalvadas as hipóteses elencadas no Art. 6º da Lei 12.813, de 2013. Assim, pelo período de seis meses, estão fixadas as seguintes vedações, segundo a decisão: ‘a) intervir, direta ou indiretamente, em favor de interesses privados perante o Ministério da Justiça e Segurança Pública, seus órgãos e entidades vinculadas; b) atuar em processos administrativos, judiciais ou consultivos cujo mérito envolva matérias, informações estratégicas ou políticas públicas de conhecimento qualificado e privilegia.
Na 2ª feira (26.jan), a assessoria de Lewandowski confirmou a prestação de serviços ao Banco Master, em período entre a sua saída do STF (Supremo Tribunal Federal), em abril de 2023, e sua nomeação ao Ministério da Justiça, em janeiro de 2024.
“O ministro Ricardo Lewandowski, depois de deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2023, retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”, diz a nota.
O comunicado também afirma que “ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), deixando de atuar em todos os casos”.
Segundo reportagem publicada pelos jornalistas Andreza Matais e Andre Shalders, o escritório de advocacia de Lewandowski manteve contrato com o Master de agosto de 2023 a setembro de 2025 –mais de 1 ano e meio depois de ele assumir o cargo de ministro da Justiça. O ministro formalizou sua saída do projeto em 17 de janeiro de 2024.
O valor mensal da consultoria jurídica, segundo a reportagem, era de R$250 mil. Com isso, o contrato do Master com o escritório Lewandowski Advocacia, cujos sócios são os 2 filhos do ex-ministro (Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski), resultou em pelo menos R$ 6,5 milhões brutos.
Este jornal digital procurou a assessoria de Ricardo Lewandowski para perguntar a data exata e os valores do serviço de consultoria jurídica prestado ao Banco Master. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu o pagamento de um crédito extra de fim de ano — conhecido como “vale-peru” — aos funcionários dos Correios.
A decisão, tomada de forma liminar (provisória e urgente), interrompe benefícios que haviam sido determinados pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), mas que, segundo a empresa, poderiam gerar um impacto financeiro de quase R$ 2 bilhões, informa a Folha de S. Paulo.
A medida atende a um pedido da própria estatal, que atravessa um processo de reestruturação financeira. Segundo a Folha, os Correios argumentaram que o TST excedeu seu poder ao conceder benefícios que superam as garantias da CLT e que só deveriam ser renovados por meio de negociação direta entre as partes.
Além do abono do “vale-peru” ou “vale Natal”, a decisão de Moraes atingiu outras cláusulas consideradas “generosas” pela gestão da companhia. Confira os pontos principais detalhados pela Folha de S. Paulo:
Vale-Peru de R$ 2,5 mil: o benefício seria pago em duas parcelas (setembro de 2025 e janeiro de 2026), com um custo estimado de R$ 197,2 milhões.
Gratificação de férias: o TST previa um adicional de 70%, valor bem acima dos 33% assegurados pela Constituição e pela CLT. O impacto seria de R$ 272,9 milhões.
Hora extra tripla: pagamento de 200% de adicional para trabalho em fins de semana e feriados, enquanto a lei prevê 100%. Custo anual: R$ 17 milhões.
Plano de saúde: Moraes suspendeu o trecho que obrigava os Correios a serem “mantenedores” do plano, arcando com todos os riscos e dívidas. O modelo atual deve ser de “patrocinador”, onde a empresa contribui, mas não assume o risco total da operação.
A manutenção do modelo de plano de saúde era a maior preocupação da empresa. Conforme apurado pela Folha, essa cláusula isoladamente representaria um custo extra de R$ 1,45 bilhão por ano, além de exigir uma reserva contábil de R$ 2,7 bilhões.
Moraes ressaltou em sua decisão que a situação financeira da estatal é “periclitante”. No final de 2025, os Correios precisaram contratar um empréstimo de R$ 12 bilhões para viabilizar seu plano de reestruturação. Para 2026, a previsão é de que a empresa precise de mais R$ 8 bilhões, seja via novos créditos ou aporte direto do Tesouro Nacional.
“Todas essas alegações sinalizam indevida extrapolação do poder normativo da Justiça do Trabalho”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes, dizendo que benefícios expirados não podem ser incorporados automaticamente aos contratos sem novo acordo.
Caiçara do Norte e São Bento do Norte. Duas cidades vizinhas, no interior do Rio Grande do Norte, e que não deveriam existir. Pelo menos, na visão de Renan Santos, pré-candidato à Presidência da República pelo MBL e que recentemente visitou o Estado.
“Caiçara do Norte é a mesma coisa de São Bento do Norte, mas mais pobre”, afirmou, destacando os vários problemas das duas cidades, como falta de esgotamento sanitário, ruas calçadas e acesso a saúde.
Por outro lado, há gastos milionários com os poderes legislativos, que poderiam ser revertidos para outros investimentos, como uma base da Polícia Militar, segundo Renan Santos.
“Naturalmente, quem paga a conta disso é você, que mora em outros estados, e é obrigado a sustentar uma classe política local parasitária, corrupta e totalmente incompetente, que não liga para a melhoria da vida das pessoas”, avaliou Renan Santos, acrescentando que a proposta dele, enquanto presidente, é juntar Caiçara do Norte, São Bento do Norte e outras cidades da região em uma só, com uma só administração.
A Operação Mederi, deflagrada na manhã desta terça-feira (27), expôs um esquema de fraudes em licitações, pagamento sistemático de propinas e desvio de recursos públicos na área da Saúde em Mossoró e outros municípios do Rio Grande do Norte. No centro das investigações está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal em sua residência.
De acordo com a PF, diálogos interceptados entre empresários do setor farmacêutico detalham com precisão o funcionamento do esquema e apontam o prefeito como beneficiário direto de percentuais fixos sobre contratos públicos. Em uma das conversas, o empresário Oseas Monthalggan, sócio da distribuidora de medicamentos DISMED, descreve o que chamou de “a matemática de Mossoró”.
“Tem uma ordem de compra de quatrocentos mil. […] Ele entrega duzentos, tudo a preço de custo.
Dos duzentos, ele pega trinta por cento. Sessenta. Aqui ele comeu sessenta mil”, diz Oseas, em diálogo captado em maio de 2025. O “ele” em questão é Allyson Bezerra.
Na sequência, o empresário detalha a divisão final dos valores e cita nominalmente o prefeito: “Dos 130 nós temos que pagar 100 mil a Allyson e a Fátima, que é 10% de Fátima e 15% de Allyson. Só ficou 30 mil pra empresa”, descreve a decisão que determinou a operação da PF, assinada pelo Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira.
Para a Polícia Federal, “o contexto geral destas conversas deixa claro que o ‘Allyson’ mencionado é o prefeito de Mossoró”, não havendo ambiguidade quanto ao destinatário das vantagens indevidas.
Outro diálogo interceptado pela PF reforça a suspeita de que havia um percentual previamente definido destinado ao prefeito. Em escuta ambiental realizada nas dependências da DISMED, Oseas volta a tratar da divisão da propina: “Quinze do homem e dez disso aí, vezes vinte e cinco por cento”.
Segundo os investigadores, “‘o homem’ é uma referência indireta a Allyson Bezerra, utilizada como forma de identificação velada”. Para a PF, a repetição da expressão e o contexto das conversas afastam qualquer interpretação genérica.
Durante a captação ambiental, o nome de Allyson foi mencionado pelos sócios Oseas e Moabe como ladrão.
“Ah, esse prefeito é ladrão, quem rouba é ele, pode falar, não me importa não!”, aponta investigação atribuindo a Oseas.
A Polícia Federal é explícita ao posicionar o prefeito e seu vice, Marcos Bezerra (PSD), no comando da engrenagem criminosa. A Controladoria-Geral da União (CGU) reforçou essa leitura ao informar que “todas essas práticas ilícitas teriam sido encabeçadas pelo alto escalão das gestões municipais”.
“Allyson Bezerra e Marcos Bezerra operavam o topo do esquema, recebendo propina em percentuais definidos sobre os contratos firmados com a DISMED”, afirma a investigação.
De acordo com os autos, a organização funcionava em camadas. No topo, o prefeito e o vice-prefeito; em um nível intermediário, secretários e gestores administrativos, responsáveis por “garantir as condições institucionais”; no nível operacional, estavam fiscais e gestores de contrato que atestavam entregas parciais ou inexistentes; e externamente, empresários que executavam o esquema no setor privado.
Além das referências diretas a pagamentos, a PF aponta indícios claros de que Allyson tinha consciência da ilegalidade. Em outro trecho das conversas, Oseas descreve o comportamento do prefeito: “Os cara é um cuidado… não porque ninguém pode saber não”.
Para os investigadores, essa fala demonstra que o prefeito adotava uma postura deliberadamente cautelosa para ocultar sua participação: “Os interlocutores percebem no prefeito um comportamento cauteloso voltado a manter oculta sua participação nos esquemas discutidos, o que é indicativo de conhecimento da irregularidade das práticas”, registra a PF.
A empresa apontada como pivô do esquema, a DISMED, firmou R$ 6,39 milhões em contratos com a Prefeitura de Mossoró entre 2024 e 2026. Em 2023, a empresa operava no prejuízo. Em 2024, ano eleitoral, apresentou lucro superior a R$ 2 milhões, crescimento que, segundo a investigação, decorre quase exclusivamente dos contratos públicos.
A PF também destaca a fragilidade da estrutura empresarial da distribuidora, que tinha como sócio Maycon Lucas, jovem residente na zona rural de Serra do Mel, sem histórico no setor farmacêutico e com atividade pública registrada como oficina mecânica. Meses antes da operação, Maycon transferiu suas cotas para uma holding de sua própria titularidade, movimento visto como possível tentativa de blindagem patrimonial.
A Operação Mederi cumpriu 35 mandados de busca e apreensão e aplicou medidas cautelares e patrimoniais contra os investigados. Ao todo, 15 servidores públicos são investigados, entre secretários, chefes de gabinete e pregoeiros, em cinco municípios potiguares.
Segundo a PF, os indícios apontam para sobrepreço, não entrega de medicamentos, uso irregular de atas de registro de preços e dispensas emergenciais fraudulentas, com prejuízo estimado em R$ 13 milhões.
O que diz Allyson
Em nota, o prefeito tenta afastar de si a responsabilização sobre os desvios. Afirmou que colaborou com a diligência e negou envolvimento pessoal nos fatos, alegando que a investigação se baseia em diálogos de terceiros. A Polícia Federal, porém, sustenta que as conversas interceptadas fazem referências nominais e indiretas reiteradas ao prefeito, descrevem percentuais específicos e revelam um esquema estruturado de desvio de recursos públicos.
Agora, a investigação avança para rastrear o fluxo financeiro e esclarecer quanto da “matemática de Mossoró” permaneceu com os empresários e quanto retornou aos agentes políticos que comandavam a máquina pública.
O Tribunal Regional Eleitoral do RN (TRE-RN) confirmou, nesta terça-feira (27), a cassação do prefeito de Itaú, André Júnior, e do vice, Paulinho de Enoque. Por decisão unânime, a Corte rejeitou os embargos de declaração apresentados pela defesa, mantendo a perda imediata dos mandatos por irregularidades graves na eleição.
O relator do caso, juiz Daniel Maia, apontou que houve abuso de poder e condutas proibidas durante o pleito, justificando a medida extrema. Com a decisão unânime, a sentença se torna definitiva no estado e será cumprida nos próximos dias.
Com a confirmação da cassação, André Júnior e Paulinho de Enoque devem se afastar imediatamente da prefeitura. A Câmara Municipal de Itaú será oficialmente notificada pelo TRE-RN e assumirá o comando do município de forma provisória, garantindo a continuidade dos serviços básicos da cidade.
Governo interino
O presidente da Câmara terá a responsabilidade de conduzir a administração municipal até a realização de uma eleição suplementar, que será convocada pela Justiça Eleitoral para escolher os novos representantes.
Defesa pode recorrer ao TSE
A defesa do prefeito e do vice deve recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, buscando uma liminar para suspender o afastamento. O objetivo é permitir que os dois retornem temporariamente aos cargos enquanto o caso é analisado na instância máxima, embora especialistas alertem que liminares em situações como essa são raras.
O TRE-RN reforça que a decisão sobre a cassação é definitiva no estado e deve ser cumprida integralmente até que o TSE se pronuncie. O processo reforça a atuação da Justiça Eleitoral na fiscalização das eleições e na punição de irregularidades que comprometam a lisura do pleito.
A população de Itaú agora se prepara para participar de uma nova eleição, definindo quem assumirá o comando da cidade e encerrando o período de instabilidade política.
Em entrevista à FM Universitária, a governadora Fátima Bezerra (PT) declarou que é “candidatíssima ao Senado”. A afirmação sepulta especulações sobre sua pré-candidatura, deixando claro que mantém o projeto para 2026.
Fátima apresentou sua trajetória como base para o projeto, citando experiência como servidora pública, parlamentar e gestora. Entre os marcos destacados estão a relatoria do novo Fundeb, políticas de valorização de profissionais da educação, expansão da rede federal de ensino superior e técnico, criação dos Institutos Estaduais de Educação Profissional (IERNs) e interiorização universitária, incluindo o campus de Ciências Médicas do Seridó e a perspectiva de um Hospital Universitário em Caicó.
A governadora falou da necessidade de sua candidatura, atrelando ao projeto nacional, e afirmando que a eleição de 2026 será determinante para a governabilidade do presidente Lula e a composição do Congresso Nacional. Ela ressaltou a importância do Senado como espaço para garantir estabilidade institucional, citando episódios de confrontos às instituições, como os do dia 8 de janeiro de 2023.
No âmbito estadual, Fátima confirmou a pré-candidatura de Cadu Xavier ao governo do Estado e informou que PT e federação de esquerda trabalham na montagem de chapas para Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Ela também comentou a decisão de Walter Alves de não disputar a reeleição, destacando que o diálogo institucional foi mantido.
Ao se declarar “candidatíssima ao Senado”, Fátima reforça sua posição na disputa de 2026, sinalizando que pretende ocupar espaço político relevante no RN e na agenda nacional, sem fazer comentários sobre possíveis alianças ou estratégias partidárias além das confirmadas.
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