
O advogado Maycon Lucas Zacarias Soares, investigado na Operação Mederi, foi nomeado assessor jurídico da Câmara Municipal de Ruy Barbosa poucos dias antes da deflagração da ação policial. A operação da Polícia Federal apura um esquema de desvio de recursos da saúde pública em municípios do Rio Grande do Norte.
Segundo apuração do NOVO, a nomeação ocorreu no dia 19 de janeiro de 2026, assinada pela presidente da Casa, Francisca Eliene de Moura Macedo. O ato foi publicado apenas oito dias antes das buscas. Maycon é apontado nas investigações como sócio formal da Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda, apontada como um dos focos do esquema de desvio de recursos públicos.
ATUALIZAÇÃO: Após a repercussão do caso, a Mesa Diretora Câmara Municipal de Ruy Barbosa decidiu exonerar Maycon Lucas nesta sexta-feira (30). Segundo a presidente da Casa, a exoneração será publicada no Diário Oficial da próxima segunda-feira (02).
As apurações da Operação Mederi indicam que Maycon Lucas atuava na emissão de notas fiscais sem lastro para lavagem de dinheiro e em articulações de processos licitatórios. Ele também teria assumido a titularidade de uma holding empresarial para ocultar patrimônio após o grupo saber das investigações.
A investgação destacou ainda que Maycon exerceria funções operacionais relevantes no esquema, conferindo aparência de legalidade a recursos ilícitos.
O esquema investigado apura desvios na área da saúde pública nos municípios de Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha.
Prejuízo de R$ 13,3 milhões
A Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal, identificou um prejuízo mínimo estimado em R$ 13,3 milhões em contratos de fornecimento de medicamentos firmados por cinco prefeituras do Rio Grande do Norte. O valor embasou decisão judicial que determinou o bloqueio e o sequestro de bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas, como forma de assegurar eventual ressarcimento ao erário.
A estimativa considera contratos firmados entre 2024 e 2025 e representa, segundo a Justiça, o dano mínimo já identificado até esta fase da investigação. As medidas têm caráter cautelar e não configuram antecipação de culpa. O montante poderá ser ampliado caso novas irregularidades sejam comprovadas no decorrer do inquérito.
Entre os municípios investigados, Mossoró concentrou a maior parte dos recursos, com pagamentos que somam R$ 9,58 milhões, o equivalente a 71,8% do total apurado. Os valores foram destinados às empresas Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda. e Drogaria Mais Saúde. As demais cidades também mantiveram contratos semelhantes no mesmo período, embora com cifras menores.
Em Serra do Mel, os repasses alcançaram R$ 1,68 milhão. Já Paraú efetuou pagamentos de R$ 577,76 mil. Em São Miguel, os contratos envolveram apenas a Dismed, com total de R$ 420,28 mil. No município de José da Penha, os pagamentos à mesma empresa chegaram a R$ 1,07 milhão, conforme detalhado na decisão judicial.
De acordo com o desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), os indícios levantados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) apontam possíveis entregas parciais de medicamentos, superfaturamento e pagamento integral de notas fiscais. A soma dos contratos investigados resultou no valor de R$ 13.339.021,31, considerado suficiente, neste momento, para garantir a reparação dos danos.
Para evitar a dilapidação de patrimônio, a Justiça autorizou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos, aplicações financeiras e criptoativos, por meio de sistemas como Sisbajud, Renajud, Criptojud e do Cadastro Nacional de Indisponibilidade de Bens. A decisão busca impedir novos prejuízos e assegurar eventual devolução dos recursos públicos.
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