
A Biomm, empresa de biotecnologia que tem o Banco Master, de Daniel Vorcaro, como seu principal acionista, firmou contratos que somam pelo menos R$ 303,65 milhões com o governo Lula (PT) ao longo de 2025. Os acordos envolvem o fornecimento de insulina ao Ministério da Saúde.
Os valores constam em comunicados divulgados pela própria companhia ao mercado e fazem parte de parcerias de desenvolvimento produtivo com previsão de duração estimada de dez anos.
Um dos contratos foi anunciado em 30 de junho de 2025, no montante de R$ 142 milhões, para fornecimento de insulina humana ao SUS. Nesse caso, a Biomm atua em parceria com a farmacêutica indiana Wockhardt e com a Fundação Ezequiel Dias (Funed).
Outro acordo foi formalizado em 3 de novembro de 2025 e prevê a entrega de insulina glargina ao Ministério da Saúde. O contrato inicial tem valor estimado em R$ 131 milhões e envolve parceria com a empresa chinesa Gan&Lee Pharmaceuticals e com Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Além desses dois contratos, o Ministério da Saúde também firmou um termo específico com a Biomm para a compra de 2,01 milhões de doses de insulina glargina, ao custo de R$ 30,65 milhões. O contrato tem validade de 12 meses, com possibilidade de prorrogação por até uma década. A entrega do medicamento foi organizada em quatro lotes, com prazo máximo previsto até 15 de abril de 2026.
LULA EM INAUGURAÇÃO DE FÁBRICA DA BIOMM
Em abril de 2024, Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da Biomm, em Nova Lima (MG). A empresa tem como principal acionista o Banco Master, por meio do Fundo Cartago, com 25,86% do capital. Apesar de o Master deter a maior fatia da companhia, Vorcaro não esteve presente na cerimônia de abril de 2024.
Na ocasião, Lula dividiu o palco com outros sócios da Biomm, como Walfrido dos Mares Guia, que possui 5,53% da empresa, e Lucas Kallas, da Cedro Participações, acionista com 8%.
Kallas, por sinal, também é um nome que já esteve nos noticiários por ter sido citado em investigações da Polícia Federal, como as operações Parcours e Rejeito. Empresário do setor de mineração, ele nega irregularidades. Um ponto de convergência entre Vorcaro e Kallas, aliás, é que ambos figuram em inquéritos sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal.
Toffoli é responsável na Suprema Corte tanto pelo caso do Banco Master, relacionado à Operação Compliance Zero, quanto pelo inquérito da Operação Rejeito, no qual o nome de Kallas aparece como citado.
A proximidade de Lula com Lucas Kallas, porém, não se restringe à inauguração da fábrica da Biomm em abril de 2024. Em fevereiro de 2025, o petista elogiou o empresário durante a assinatura do contrato de concessão do terminal ITG-02, no Porto de Itaguaí (RJ). O Grupo Cedro arrematou a área por R$ 1 milhão e assumiu o compromisso de investir cerca de R$ 3 bilhões ao longo de três anos.
Na ocasião, Lula afirmou que Kallas era sério, comprometido com o desenvolvimento do país. O empresário, no entanto, tem um histórico de menções em investigações. Em 2008, foi preso durante a Operação João de Barro, que apurava desvios de recursos do PAC no segundo mandato de Lula. Em entrevista à Agência Pública, ele afirmou que a maioria das ações foi encerrada com reconhecimento de sua inocência.
Em março de 2025, voltou a ser citado pela Operação Parcours, que investigou supostas irregularidades ambientais na Mina Curumi, em Minas, atribuídas à Empresa de Mineração Pau Branco. Segundo a PF, o prejuízo ambiental estimado chegaria a R$ 832 milhões. Kallas afirmou que sua inclusão no inquérito era “completamente descabida”.
Já em setembro de 2025, seu nome apareceu citado em documentos da Operação Rejeito, que apurou crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro com lucro estimado em ao menos R$ 1,5 bilhão. A investigação chegou ao STF após menção ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ficando sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
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