
O senador Ângelo Coronel anunciou que está deixando o PSD e a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia. A decisão foi comunicada após semanas de insatisfação com o espaço político reservado a ele nas articulações da base governista no estado, especialmente em relação à disputa pelas vagas ao Senado nas eleições de 2026.
Coronel sinaliza que se sentiu isolado nas negociações conduzidas pelo PT e pelo PSD baiano, que passaram a priorizar uma composição com maior protagonismo do partido de Lula. Segundo interlocutores, o parlamentar avaliou que não havia garantia de espaço na chapa governista e que sua permanência na base se tornou inviável.
A saída do senador tensiona o apoio de Lula em um dos principais colégios eleitorais do país, com mais de 11 milhões de eleitores aptos a votar. A Bahia é um dos redutos eleitorais de Lula e é considerada estratégica pelo PT para 2026. Com o rompimento, o governo perde um aliado no Senado e abre espaço para o avanço da oposição no estado.
A tendência é de que o PT forme uma chapa própria ao Senado na Bahia, com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner como candidatos. No governo estadual, o partido trabalha para tentar a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), enquanto partidos de oposição, como o União Brasil, avaliam a possibilidade de atrair ao menos parte do PSD.
A cúpula do PSD no estado, comandado por Otto Alencar, mantém a aliança com o PT. Na oposição, Ângelo Coronel deve se unir a João Roma, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), para disputar uma das duas vagas ao Senado, enquanto ACM Neto (União) caminha para ser candidato opositor ao governo estadual. Neste ano, 54 cadeiras do Senado estarão em disputa.
No plano nacional, lideranças petistas reconhecem que o movimento de Coronel expõe dificuldades na acomodação de aliados regionais à medida que o calendário eleitoral se aproxima. Avaliação semelhante é feita por integrantes do PSD, que veem o episódio como reflexo da disputa por palanques e vagas majoritárias nos estados.
O rompimento pode ter efeitos além da Bahia, ao sinalizar um ambiente de maior disputa interna na base governista. Na disputa contra o bolsonarismo, o desafio do PT será manter alianças amplas sem perder o controle dos palanques estaduais, sobretudo em estados onde o partido possui forte influência.
Apesar do desgaste, interlocutores do Planalto afirmam que o governo trabalha para evitar novos rompimentos e preservar o apoio de partidos do centro no Congresso, fundamentais para a governabilidade e para a estratégia eleitoral de 2026.
O Tempo
