
O ex-presidente da Petrobras e ex-senador Jean Paul Prates defendeu, em entrevista à Jovem Pan, a manutenção dos Correios como empresa estatal e criticou o que chamou de “desprestígio histórico” das agências reguladoras brasileiras.
Para Prates, o Estado deve cooperar com o setor privado, mas em marcos regulatórios sólidos — e o problema é que as agências criadas para isso foram progressivamente enfraquecidas. “O Estado brasileiro criou as agências e não gosta delas. Qualquer pessoa que trabalhe em qualquer agência reguladora vai te dizer: eu podia fazer muito mais, mas não dá.”
Sobre os Correios, ele rejeitou a ideia de privatização e classificou a empresa como uma “longa-manus do Estado” — que entrega serviços onde o mercado privado não tem interesse em chegar. “Esse copo d’água não vai desaparecer no seu iPhone e aparecer no de outra pessoa. Alguém tem que pegar e levar.” Citou o US Postal Service como referência: “100% estatal americano, no país do capitalismo.”
No campo da ética no STF, Prates alertou que soluções aparentemente simples, como proibir parentes de ministros de advogar, podem gerar distorções. “Se eu tenho interesse que o ministro tal não cuide do meu caso, posso simplesmente contratar o escritório do filho dele.” Para ele, o tema exige solução legislativa e sistemas de checks and balances em todos os poderes.
Jovem Pan
