
A exumação dos corpos dos cinco integrantes do Mamonas Assassinas acontece nesta segunda-feira (23), poucos dias antes de o acidente aéreo que vitimou o grupo completar 30 anos, no próximo dia 2 de março. A decisão foi tomada em comum acordo pelas famílias dos músicos, que autorizaram a cremação dos restos mortais para a criação de um memorial no BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade onde os integrantes moravam.
Segundo informações divulgadas pelo próprio BioParque e pela banda nas redes sociais, as cinzas resultantes da cremação serão utilizadas como adubo para o plantio de cinco árvores, cada uma representando um integrante do grupo. Em uma publicação conjunta, a conta oficial da banda afirmou: “Existem histórias que o tempo não apaga”.
“Após 30 anos, a memória dos Mamonas Assassinas será celebrada por meio de uma homenagem cheia de significado. A iniciativa do BioParque utiliza as cinzas resultantes da cremação para contribuir com o desenvolvimento de uma árvore desde a semente. Cada árvore simboliza continuidade, afeto e presença. Uma homenagem que ressignifica a saudade!”, completa a postagem.
Irmã de Dinho, vocalista da banda, Grace Kelly Alves esclareceu que a ação não afetará os túmulos, que continuarão existindo e poderão receber visitas dos fãs. Segundo ela, apenas parte das cinzas será utilizada no memorial. “Apenas uma pequena parte será utilizada para nutrir as árvores que farão parte do memorial que será feito bem atrás dos túmulos para que os fãs possam visitar”, explicou por escrito na publicação.
Ela detalhou o projeto em vídeos publicados nos stories: “Atrás dos túmulos vai ter um memorial. Essas árvores vão ficar lá. [O memorial] vai ter QR Code, mural…. Vai ser um lugar para os fãs que visitam o cemitério. A ideia é que o fãs possam ir, deixar seu recadinho, ver fotos. O intuito é ter um espaço onde os fãs possam se encontrar, prestar sua homenagem”.
O projeto prevê que cada árvore seja identificada por um totem com QR Code, que reunirá memórias do artista homenageado, como textos, fotos e vídeos.
Relembre a tragédia
O acidente que vitimou os Mamonas Assassinas ocorreu às 23h15 do dia 2 de março de 1996, quando o avião em que viajavam colidiu com a Serra da Cantareira, na zona norte de São Paulo, durante a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Viajavam no Learjet 25D (prefixo PT-LSD), fretado da empresa Madri Táxi Aéreo, Dinho (Alecsander Alves), Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, além do piloto Jorge Luiz Germano Martins, do co-piloto Alberto Takeda, do roadie Isaac Souto e do segurança Sérgio Porto. Todos morreram.
A investigação concluiu que houve imperícia operacional e fadiga da tripulação após longa jornada, além de falhas de comunicação entre cabine e torre de controle e erro na execução do procedimento IFR (pouso por instrumentos). Os destroços só foram localizados por volta das 5h da manhã do dia seguinte, devido à neblina e à escuridão.
A tragédia interrompeu o auge da carreira da banda, que havia lançado seu único álbum em junho de 1995 e vendido cerca de 3 milhões de cópias. O velório reuniu cerca de 30 mil pessoas em Guarulhos. Durante o cortejo até o Cemitério Parque das Primaveras, a Polícia Militar impediu a entrada da multidão no local, o que gerou tumulto e 31 desmaios. O enterro ocorreu em 4 de março de 1996, data em que Dinho completaria 25 anos. Durante a cerimônia, foi cantado “Parabéns a Você” em sua homenagem.
Correio 24h
