
Muito antes da ofensiva militar que culminou na retirada de Nicolás Maduro do poder, os Estados Unidos já operavam silenciosamente dentro da Venezuela. Em agosto, agentes da CIA ingressaram clandestinamente no país com a missão de reunir informações detalhadas sobre a rotina do líder venezuelano, classificado pela administração Trump como “narcoterrorista”.
As informações, reveladas em uma reportagem detalhada do jornal americano The New York Times, apontam que, sem embaixada americana em funcionamento em Caracas, os agentes tiveram de atuar sem a proteção do disfarce diplomático. Ainda assim, conseguiram permanecer meses na capital sem serem detectados.
Nesse período, os americanos mapearam minuciosamente os deslocamentos de Maduro, seus hábitos alimentares e até informações banais, como quais eram seus animais de estimação, segundo o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto. O trabalho foi complementado por fontes próximas ao presidente e por uma frota secreta de drones, o que permitiu à inteligência traçar um quadro preciso de sua rotina.
O risco da missão era elevado, mas o resultado foi preciso. A ação ocorreu na madrugada do último sábado (3) e envolveu tropas de elite do Delta Force, numa operação considerada a mais arriscada conduzida pelos EUA desde a morte de Osama bin Laden, em 2011. Internamente, a avaliação entre pessoas com conhecimento direto da operação foi de que a execução foi impecável.
Para a execução, os comandos do Delta Force treinaram durante semanas em uma instalação construída no Kentucky que reproduzia em escala real a residência onde Maduro se encontrava. O objetivo era ensaiar, repetidas vezes, a entrada forçada em portas reforçadas, reduzindo o tempo de reação ao mínimo possível.
A janela para a ofensiva, no entanto, era estreita. Maduro alternava entre seis e oito locais distintos e, muitas vezes, os serviços de inteligência não sabiam onde ele ficaria até tarde da noite. A operação só poderia avançar quando houvesse certeza de que ele estava no local exato para o qual os militares haviam se preparado.
Nos dias que antecederam a incursão, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região, deslocando aeronaves de operações especiais, drones armados Reaper, caças, helicópteros de resgate e navios da Marinha. Analistas interpretaram o movimento como sinal de que a decisão já estava tomada — restava apenas definir o momento exato.
Uma semana antes do ataque principal, a CIA havia conduzido uma ação com drone contra uma instalação portuária venezuelana. Pouco antes da ofensiva, Maduro ainda tentou negociar. De acordo com Trump, o ditador venezuelano ofereceu acesso ao petróleo do país.
Um oficial americano afirmou que, em 23 de dezembro, foi apresentada a Maduro a possibilidade de deixar o país rumo à Turquia. A proposta foi rejeitada, o que selou o caminho para a operação militar. Trump autorizou formalmente a missão em 25 de dezembro, mas delegou ao Pentágono e ao comando de Operações Especiais a decisão final sobre o momento do ataque.
A escolha do período de festas não foi casual: muitos integrantes do governo venezuelano estavam de férias, assim como parte significativa das Forças Armadas do país. O mau tempo adiou a ação por alguns dias. Quando as condições melhoraram, os comandantes identificaram uma nova janela de oportunidade. Às 22h46 da última sexta-feira (2), Trump deu a autorização final.
A ofensiva começou com uma operação cibernética que derrubou o fornecimento de energia em amplas áreas de Caracas, mergulhando a cidade na escuridão. Em seguida, mais de 150 aeronaves militares decolaram de cerca de 20 bases e navios, incluindo drones, bombardeiros e caças.
Explosões foram registradas durante a madrugada, quando forças americanas atingiram radares e sistemas de defesa aérea venezuelanos. Segundo autoridades dos EUA, os alvos atingidos foram torres de transmissão de rádio e instalações de radar.
Mesmo com as defesas aéreas neutralizadas, helicópteros americanos foram alvejados durante a aproximação ao complexo onde Maduro se encontrava. Um deles chegou a ser atingido, e cerca de seis militares americanos ficaram feridos.
Transportados pelo 160° Regimento de Aviação de Operações Especiais, chamados de Night Stalkers, os comandos do Delta Force desembarcaram na base militar mais fortificada do país. Em poucos minutos, avançaram pelo edifício até localizar Maduro. Toda a ação era acompanhada em tempo real por Trump e assessores, a partir de uma sala segura em Mar-a-Lago, na Flórida.
Segundo o presidente, Maduro e a esposa tentaram se refugiar em um cômodo fortificado, mas não conseguiram se trancar antes da entrada das forças americanas. Cerca de cinco minutos após o início da incursão, o Delta Force comunicou que o presidente venezuelano estava sob custódia.
O casal foi rapidamente levado de helicóptero ao USS Iwo Jima, posicionado no Caribe. De lá, seguiram para a base naval de Guantánamo Bay e, posteriormente, embarcaram em uma aeronave com destino a uma instalação militar próxima a Nova Iorque.
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