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Cabidão dos Correios: estatal usava terceirizadas para contratar até parentes de diretores

FOTO: AGÊNCIA GOV

Nos corredores de Brasília, apesar da legislação antinepotismo, é comum encontrar sobrenomes de políticos em cargos de gabinetes parlamentares e em órgãos da administração pública. Para burlar a regra, a contratação é feita de forma cruzada, quando parentes de uma liderança política são contratados por aliados em outros gabinetes ou órgãos, ou ainda por empresas que prestam serviços ao poder público.

Em geral, esses são “acordos de cavalheiros” entre políticos e empresários, mas, nos Correios, segundo denúncia apresentada ao MPF (Ministério Público Federal), a gestão do advogado Fabiano Silva dos Santos, ligado ao grupo Prerrogativas, que reúne advogados apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teria consolidado um cabide de empregos por meio de pressão e chantagem contra terceirizados.

O caso envolve uma disputa com a empresa GO2B, que terceirizava cerca de 7 mil trabalhadores e hoje cobra uma dívida superior a R$ 380 milhões da estatal.

Segundo mensagens obtidas pelo ND Mais, assessores da Presidência dos Correios e dos diretores José Rorício (Administração) e Paulo Penha (Operações) pressionavam a GO2B, responsável por mão de obra terceirizada em centros de triagem de correspondência do país, a contratar — inclusive para funções operacionais — familiares de dirigentes e apadrinhados políticos indicados pela direção da estatal.

O empresário Adriano Hamu, dono da GO2B, disse à reportagem que os Correios foram capturados por um mecanismo sofisticado de “toma lá, dá cá”. Segundo ele, o esquema não ocorreria por desvio financeiro clássico, mas pelo uso da máquina pública para criar um “cabide de empregos” terceirizado, blindado por uma rede de influência que alcançaria ministérios e cortes superiores.

A empresa de Hamu detinha, até 2023, cerca de 70% da operação terceirizada de triagem da estatal e, segundo o empresário, recebeu 68 atestados de capacidade técnica. Ele afirma que, ainda em 2022, a companhia passou a enfrentar atrasos nos repasses dos Correios, mas que, em 2023, os valores em aberto dispararam. Naquele ano, diz, pagamentos passaram a ser travados sem justificativa, o que embasou a ação de cobrança na qual a GO2B pede cerca de R$ 387 milhões em notas fiscais não pagas.

NDMais

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