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Turismo do RN cresce com ‘agenda positiva’ e ocupação hoteleira sobe 12% em um ano

FOTO: JOÃO GILBERTO

A ocupação hoteleira no Rio Grande do Norte cresceu 12% na virada do ano, em relação ao Réveillon anterior, superando as expectativas do setor. De acordo com Edmar Gadelha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), a expectativa inicial já era alta, mas o desempenho acabou superando as projeções.

“Nós abrimos o mês de janeiro com uma expectativa de 90% para o Réveillon. Nós ultrapassamos os 90%, chegando a 92%”, afirmou Edmar, em entrevista ao Jornal da Mix, da rádio Mix, nesta terça-feira 13.

O dirigente da ABIH-RN acrescentou que os primeiros 10 dias de janeiro também apresentaram avanço significativo em relação a 2025. “Em relação ao mesmo período do ano passado, nós temos um crescimento real de 12%”, resumiu Edmar Gadelha.

Para o empresário, os números são resultado de um conjunto de fatores. Parte deles está ligada ao cenário internacional, mas há também efeitos diretos de ações de promoção turística realizadas ao longo de 2025. Entre os fatores externos, ele citou a recuperação da economia argentina e a desvalorização do Real frente a outras moedas.

Esse contexto, segundo Edmar, impulsionou o fluxo internacional para o Brasil como um todo e para o Rio Grande do Norte de forma específica. “Não é à toa que nós nunca chegamos a atingir 7 milhões de turistas internacionais ano no Brasil, e chegamos em 2025 a mais de 9 milhões”, disse.

O presidente da ABIH-RN avaliou que há um “movimento espontâneo do mercado”, mas frisou que o crescimento também decorre de um esforço coordenado entre poder público e iniciativa privada no Estado. “Nós temos desenvolvido aqui um trabalho de divulgação e promoção do destino, juntamente com o governo do estado e com os governos municipais que têm vocação turística”.

Na entrevista, Edmar ressaltou que um dos papéis centrais da ABIH-RN tem sido atuar como ponte entre o setor público e o privado. “Esse é um dos principais papéis da ABIH: fazer a articulação entre os poderes públicos e a iniciativa privada. Porque de nada adianta o poder público investir se a iniciativa privada não estiver junto, fechando negócios concretamente e trazendo esse turista para o melhor acolhimento possível aqui no nosso estado”.

Conexão para a Argentina

Um dos pontos destacados por ele como decisivos para o aumento do turismo internacional foi a ampliação da conectividade aérea. Para citar um exemplo, em 30 de dezembro de 2025, a companhia JetSmart começou a operar uma rota direta entre Buenos Aires e Natal, com voos diários na alta estação.

O impacto, segundo Edmar, é expressivo. “A JetSmart tem uma capacidade de aproximadamente 176 passageiros por voo, de modo que isso representa um incremento de quase 1.800 passageiros internacionais chegando ao destino do Rio Grande do Norte toda semana”.

O mercado argentino, de acordo com o presidente da ABIH-RN, já vinha demonstrando crescimento antes mesmo do voo direto, impulsionado por ações de marketing colaborativo. “Em relação ao mercado argentino, nós desenvolvemos uma ação de marketing colaborativo e tivemos um crescimento do mercado argentino ano passado de 27% em relação ao destino Natal”, afirmou. Para ele, o aumento da conectividade tende a criar um ciclo virtuoso. “Uma coisa chama a outra. Se o poder público faz o investimento, a iniciativa privada chega junto para concretizar negócios”.

Apesar do bom momento, Edmar fez críticas à deficiência histórica da malha aérea do Estado. “Essa malha aeroviária, que é tão deficitária aqui no nosso estado, só tem de crescer”, disse, defendendo planejamento conjunto e ações consistentes para ampliar a oferta de voos e reduzir custos.

Infraestrutura do Estado para receber turistas

Outro eixo central da entrevista foi a infraestrutura turística e urbana. Segundo Edmar, melhorias recentes têm sido determinantes para reposicionar Natal e o Rio Grande do Norte no mercado. Ele citou a participação da ABIH em feiras internacionais, como a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), onde o Estado apresentou avanços concretos.

Entre os exemplos, ele mencionou a recuperação de estradas, especialmente nos principais corredores turísticos. Ele reconheceu que as obras tiveram impacto positivo, assim como a melhoria nos indicadores de segurança pública. “Isso é uma coisa que o mercado internacional valoriza muito”, destacou Gadelha.

Nesse ponto, Edmar destacou o reconhecimento de Natal como a capital mais segura do Nordeste em 2024. “Percebíamos a surpresa dos operadores quando tomavam conhecimento de que Natal tinha sido considerada a capital mais segura do Nordeste no ano 2024”, afirmou. Ele também citou intervenções urbanas recentes, como a engorda da praia de Ponta Negra. “Na realidade, Ponta Negra foi devolvida à população do Natal, que já não conseguia mais usar”, disse.

A requalificação urbana, segundo ele, envolve uma série de ações complementares: recapeamento de vias, recuperação de praças, a entrega do terminal turístico da Redinha e melhorias em acessos rodoviários para destinos como Pipa e São Miguel do Gostoso. “É uma agenda positiva que a gente fala, que tem que levar para os operadores, para que eles percebam que o Natal tem sim sido muito bem cuidado”.

Edmar também chamou atenção para a necessidade de avançar na chamada zeladoria das praias urbanas, tema recorrente nas cobranças do trade turístico. “Em Natal nós temos a necessidade de implantação de uma zeladoria das praias urbanas. Já foi feito um decreto, está na iminência de implantar, e nós estamos constantemente cobrando isso do secretariado, cobrando isso do prefeito”, afirmou.

Outro tema abordado foi o alto custo das passagens aéreas para Natal, frequentemente apontado como entrave ao turismo. Para Edmar, a explicação é objetiva. “A explicação central é a lei da oferta da procura”, disse.

Ele argumentou que, apesar da forte demanda, o nível de investimento em promoção e subsídios no RN ainda é muito inferior ao de estados vizinhos. “Nós temos um nível de investimento que chega a aproximadamente 10% do estado de Alagoas, do estado de Pernambuco, do estado do Ceará”, comparou. Segundo ele, isso afeta diretamente a capacidade de negociação com companhias aéreas e operadoras.

Outras opções além do sol e mar

A diversificação da atividade turística foi outro ponto defendido pelo presidente da ABIH-RN. Ele ressaltou que o Estado não pode depender apenas do turismo de sol e mar e destacou o potencial do turismo de eventos. “Porque a gente não pode viver só do turismo de sol e mar”, afirmou, defendendo maior profissionalização na gestão de equipamentos como o Centro de Convenções e mais protagonismo da iniciativa privada.

No interior do Estado, Edmar destacou a importância da capilarização do turismo, com o fortalecimento de rotas alternativas e do turismo religioso. Um dos exemplos citados foi o Santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz. “É o maior monumento religioso do Brasil e que trouxe, como repercussão, como consequência, um aumento de 100 leitos para mais de 800 leitos na cidade de Santa Cruz”, relatou.

Edmar lembrou que o RN não possui uma base industrial forte, o que torna o turismo ainda mais estratégico. “Nosso Estado não tem uma economia fomentada no segmento da indústria. Então o turismo é a indústria sem chaminé. É a nossa principal indústria”, afirmou, defendendo mais investimentos públicos no setor.

Na entrevista, ele também projetou um calendário turístico cada vez mais robusto, com eventos distribuídos ao longo do ano, como Réveillon, Carnaval, São João, Carnatal e o Natal em Natal. “Nós sentimos que há uma necessidade de enveloparmos essas informações, esses produtos, para levar para a prateleira das principais feiras e roadshows que realizamos durante o ano”, disse, citando ainda ações digitais e a criação de conteúdos audiovisuais para promoção do destino.

Agora RN

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