
O setor hoteleiro projeta taxa média de ocupação de 79% nos hotéis do Rio Grande do Norte durante o Carnaval de 2026. A estimativa é resultado de uma pesquisa espontânea realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN) junto aos seus associados. O índice representa uma retração de sete pontos percentuais em relação a 2025, quando a ocupação alcançou 85%.
Para Edmar Gadelha, presidente da ABIH-RN, a redução reflete os desafios pelos quais o turismo do RN tem passado, principalmente em relação à competitividade. “Essa queda reflete desafios significativos, entre os quais se destaca a escassez de conectividade aérea, agravada por preços mais altos para vir ao destino RN”, disse. “Esse movimento impacta diretamente no fluxo de turistas, comprometendo o crescimento do setor hoteleiro e turístico”, explica.
Gadelha afirma que Natal tem uma demanda turística considerável durante o Carnaval, “devido, principalmente, ao fácil acesso às praias urbanas e à oferta de programação”. Ele cita outras cidades potiguares que também recebem um número considerável de turistas nesse período, como São Miguel do Gostoso e Pipa (Tibau do Sul) no litoral, além de Mossoró e Caicó no interior.
Antônio Neto, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem no RN (ABAV-RN), diz que a expectativa do trade turístico é positiva para o Carnaval, evento que é “sustentado por três pilares: alta ocupação hoteleira, malha aérea reforçada e fluxo regional forte, que costuma decidir a viagem mais perto da data”.
Neto observa que a capital potiguar é um destino de verão consolidado, com apelo de praia e boa estrutura hoteleira, o que fortalece a procura por este destino no período carnavalesco. “O Carnaval acontece na cauda da alta estação [final da alta temporada], então o verão funciona como motor de continuidade: mantém o destino quente em visibilidade, sustenta a malha aérea e melhora a conversão de vendas por já existir demanda instalada”, explica.
Edmar Gadelha diz que para o turista regional, principalmente do Nordeste, essa continuidade é ainda mais relevante. “O destino se torna uma alternativa mais próxima e acessível, compensando os altos custos das passagens aéreas para o RN”.
“Esse efeito aparece na prática quando a hotelaria já entra no período com bons níveis de ocupação e quando as companhias ampliam assentos/voos para o Nordeste no Carnaval, reforçando o fluxo turístico”, diz Antônio Neto.
Expectativa moderada
Por outro lado, Gadelha aponta que a expectativa para receber turistas neste ano é moderada. Segundo o presidente da ABIH-RN, os preços das passagens aéreas limitam a chegada de turistas ao estado. “Como consequência, ocorre uma maior interiorização e regionalização do turismo, com crescimento significativo de visitantes de outros estados do Nordeste, que chegam ao RN principalmente por via rodoviária”.
O diretor-presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Raoni Fernandes, também frisa que o turismo regional impacta o Carnaval potiguar, com destaque para o turismo de deslocamento das cidades do interior do RN e de cidades de estados vizinhos.
Fernandes diz que o Carnaval torna-se um “ingrediente a mais” para atrair e fazer com que o turista permaneça no estado. “Estamos em meio à maior alta temporada dos últimos 12 anos. O Carnaval é um elemento para diversificar a oferta dos turistas que estão aqui e tem como característica a folia, a festa, a animação”.
Na visão dele, o evento atrai o público jovem e um público internacional, principalmente os argentinos. “O RN tem um dos carnavais mais tradicionais, que performa entre os maiores do Nordeste, como o de Caicó. Temos muitas festas grandes pelo interior do estado e, mais recentemente, temos um carnaval mais forte em Natal”.
Tribuna do Norte
