
O senador Rogério Marinho (PL) afirmou nesta quarta-feira 21 que decidiu retirar sua pré-candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte após receber um apelo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para que ele atue na coordenação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
De acordo com Rogério, o pedido de Bolsonaro foi feito na semana passada, através de um recado enviado por um advogado que o visitou na prisão.
“Na quinta-feira passada, nós tivemos uma conversa com um dos advogados do presidente, que nos trouxe esse pedido, que para mim é uma convocação. E isso é o que ocasionou a minha decisão. Houve uma conversa com o advogado do presidente, que transmitiu a vontade do presidente de que nós ficássemos com essa posição e ajudá-lo”, detalhou Rogério, em coletiva de imprensa na sede do PL-RN.
Rogério Marinho afirmou que ser governador do Rio Grande do Norte é um “sonho”, mas que ele precisou abrir mão por um motivo nobre. “Eu não poderia deixar de atender o pedido do presidente Bolsonaro”, afirmou o senador. Com a saída da disputa, ele declarou apoio à candidatura do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos).
“Eu venho a vocês dividido. Por um lado, frustrado. Há alguns dias eu tenho dormido mal, tenho me sentido diferente, pela mudança de rumos que a vida me leva a tomar”, afirmou. Ainda assim, destacou que valores pessoais pesaram mais. “Solidariedade rima com gratidão, com reconhecimento, com lealdade”, disse, ao relatar ensinamentos familiares e sua relação política com Bolsonaro.
Papel na campanha de Flávio Bolsonaro
O senador, que é secretário-geral do PL desde julho de 2024, registrou que seu papel será o de “organizar” o partido para as eleições de 2026.
“O presidente Bolsonaro, ao longo dos últimos quatro, cinco meses, tem conversado comigo sobre a necessidade de continuarmos na posição em que nós nos encontramos, que é de secretário-geral do PL, o maior partido do Brasil. A função do secretário-geral já é, naturalmente, de organizar o partido para as eleições de 2026, a exemplo que aconteceu em 2024”, detalhou o senador.
Rogério Marinho disse ainda que, na campanha de Flávio Bolsonaro, terá a tarefa de “conversar com aqueles que têm interesse de ser candidato em vários estados brasileiros, fazendo o trabalho de transigência, de negociação com outros partidos políticos, buscando armar palanques que receberão a nossa candidatura presidencial”. E ainda falou que está atuando na elaboração do plano de governo que será apresentado na disputa presidencial.
O parlamentar potiguar registrou que, sob a sua orientação, o PL realizou em 2025 uma série de encontros regionais para iniciar a formulação da proposta eleitoral que o partido vai apresentar no próximo pleito, e que isso será aproveitado pela candidatura de Flávio.
“Ao longo do ano passado, fizemos uma série de ações ligadas à questão da mobilização e da identidade programática do partido, como seminários de comunicação e o lançamento da Universidade Conservadora de Direita, que está, inclusive, disponibilizada na internet hoje para mais de 20 mil alunos. Fizemos uma série de eventos, a exemplo que ocorreu aqui no Rio do Norte, com o Rota 22, em seis estados da federação. É uma ideia que nós implementamos para os anos ímpares, naqueles em que não há eleição, para deixar viva a imagem do partido, que o partido tem que ser orgânico, não pode ser apenas cartorial. E o senador Flávio nos convidou para participar dessa coordenação geral do partido”, declarou.
Justificativa para escolher Álvaro Dias como sucessor
Rogério Marinho reforçou que a decisão de recuar da pré-candidatura a governador não significaria afastamento da política estadual. “Eu não poderia deixar de atender o pedido do presidente Bolsonaro. E também não posso abandonar o meu Estado e o meu governo”, afirmou. Ele, então, justificou a escolha pelo nome de Álvaro Dias para concorrer ao Governo em nome do grupo. “Vamos apresentar aqui a candidatura a governador do Estado de alguém que tem experiência, que tem maturidade, que tem serviços prestados”, disse.
No discurso, Rogério sustentou que o objetivo do grupo é superar o quadro atual do Rio Grande do Norte, que ele classifica como crítico. “O Estado do Rio Grande do Norte é o último colocado em toda a Federação na questão fiscal. Nós somos o pior Estado da Federação na questão fiscal”, afirmou. Para o senador, o problema não é ideológico. “Não se trata de ideologia, nesse caso. Se trata de má gestão, se trata de descaso, se trata de incompetência”, declarou.
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