
O diretório do Psol no Rio Grande do Norte agendou uma reunião para o dia 6 de março para decidir qual será o posicionamento da legenda na disputa eleitoral deste ano. O partido avalia dois caminhos distintos: ter candidaturas próprias ao Governo do Estado e ao Senado ou declarar apoio à chapa formada por Cadu Xavier (PT) para o Governo e Fátima Bezerra (PT) para o Senado.
Em julho de 2025, o Psol potiguar aprovou uma resolução, por unanimidade, definindo que teria candidaturas próprias ao Governo e ao Senado. O documento foi ratificado em dezembro. Mas, segundo o presidente estadual do partido, Sandro Pimentel, é preciso reavaliar o cenário. “A política é muito dinâmica. Hoje pode ter uma decisão e amanhã, outra. A política precisa ser analisada com bastante critério e responsabilidade. O Psol tem tido muita responsabilidade, e não será diferente agora”, afirmou Sandro, em entrevista ao AGORA RN.
O dirigente reforça que as circunstâncias políticas e eleitorais sofreram mudanças desde a última reunião deliberativa do diretório do Psol. “Da última resolução para cá, alguns meses se passaram, a conjuntura mudou. A gente continua com a mesma decisão ou a gente mantém? Se vai mudar, por que será? Vamos decidir e anunciar isso”, destaca.
O diretório do Psol tem 17 membros. Sandro Pimentel explica que, depois de o partido tomar sua decisão internamente, uma outra reunião será realizada com a Rede Sustentabilidade. As duas legendas mantêm uma federação e precisam estar juntas no mesmo projeto eleitoral em 2026.
O presidente do Psol afirma que, nacionalmente, o Psol já fechou entendimento de que vai apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que facilita as negociações com o PT no RN. “Quando se tem uma aliança nacional, abre-se um leque de aproximação muito maior”, enfatiza Sandro.
Reunião com o PT
Na última segunda-feira 23, a governadora Fátima Bezerra e o secretário da Fazenda, Cadu Xavier, se reuniram com um grupo de representantes partidos de esquerda para discutir a tática eleitoral do grupo para as eleições de 2026. O Psol foi convidado para o encontro, mas não enviou representantes. À imprensa, o PT havia dito que o Psol faz parte do grupo e que Sandro Pimentel não foi à reunião porque estava em viagem. A informação surpreendeu membros do Psol que reafirmam a validade da resolução sobre candidatura própria.
De acordo com Sandro Pimentel, a participação do Psol na reunião não significa uma adesão imediata às candidaturas de Cadu e Fátima. “Não tenho problema de participar de reunião com um bloco de esquerda. Participar não significa assumir compromissos”, afirmou o presidente do Psol.
Ao todo, participaram do encontro representantes dos seguintes partidos: PT, PV, PCdoB, PSB, PDT, Cidadania e Rede — que tem a federação com o Psol. Durante o encontro, a governadora pediu aos partidos aliados que indiquem membros para uma comissão que será responsável por montar o plano de governo do candidato do PT.
Ala do partido critica governo Fátima e defende candidaturas próprias
Uma ala do Psol defende a manutenção da resolução que está em vigor. Eles criticam a gestão da governadora Fátima Bezerra e sustentam que o Psol deve ter candidaturas próprias ao Governo e ao Senado em vez de apoiar Cadu e Fátima. Esse grupo tem, entre outros integrantes, o ex-vereador de Natal Robério Paulino.
“A nossa defesa é da completa manutenção da resolução em vigor. Na maior parte dos estados, a decisão é lançar candidato a governador. Não tem por que ser diferente aqui no RN. E é o que está acontecendo em vários estados: o Psol apoia o Lula, mas vai lançar candidato ao governo”, afirma Robério, citando o caso da Bahia, onde o Psol anunciou a candidatura ao governo de Ronaldo Mansur, militante do MTST.
Em entrevista ao AGORA RN nesta quinta-feira 26, uma comitiva de filiados defendeu a defesa da manutenção da resolução. O grupo é formado pelos psolistas Robério Paulino, Santino Arruda, Rodrigo Tomazini, José Wilson e Cícero Che. Todos reiteraram a defesa de que o partido tenha candidaturas próprias.
Eles reforçam também que têm críticas à gestão de Fátima Bezerra, especialmente em áreas como a educação. “Nós não pretendemos fazer disso o centro da campanha. Nosso objetivo é enfrentar a direita. Mas temos restrições críticas ao governo Fátima e defendemos um programa independente”, destaca Robério.
O grupo critica, ainda, o atraso da direção estadual em avançar com a discussão dos nomes para a disputa eleitoral. Eles preparam um documento para pedir que as tratativas sejam aceleradas para que o Psol tenha um nome competitivo na disputa. “Nós estamos atrasados. Éramos para estar discutindo nomes, programas”, afirma Rodrigo Tomazini.
Agora RN
