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Professor da UFRN acusado de transfobia e racismo, e recebe apoio de Silas Malafaia e Marcos Feliciano

FOTO: REPRODUÇÃO

Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) criaram um abaixo-assinado pedindo o afastamento de Tassos Lycurgo, professor do Departamento de Artes da Universidade, por falas consideradas transfóbicas e racistas. Pastor e fundador da igreja Ministério Defesa da Fé, ele já declarou que “um homem não pode se tornar uma mulher”, negou a existência de racismo estrutural no Brasil e afirmou que “o negro não gosta de negrismo”. Lycurgo, que foi diretor do Iphan durante a gestão de Jair Bolsonaro, disse que é vítima de um ataque de “alunos comunistas” e recebeu apoio dos pastores Silas Malafaia e Marcos Feliciano (PL-SP), além da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso.

O abaixo-assinado chama Lycurgo de “influencer da extrema-direita” e diz que ele ” cotidianamente propaga discurso de ódio em suas redes”. O professor tem 1,2 milhão de seguidores no Instagram, além de 376 mil inscritos no Youtube. Em seus vídeos, ele costuma criticar a “ideologia de gênero” , a esquerda e o comunismo, corrente política que ele afirma ser “satânica”, além de muitos conteúdos de teor cristão.

Alguns de seus vídeos com muitas visualizações são “O plano da esquerda para emburrecer o Brasil”, “As bases satânicas do comunismo” , “Debate: Cristão pode ser feminista ?” e “Tassos Lycurgo expõe a verdade sobre o STF e o autoritarismo disfarçado de democracia”. Nas redes, ele também vende cursos para ‘formar líderes cristões defensores da fé’

Além de seus próprios vídeos, o professor/pastor também participa de diversas entrevistas e podcasts, a maioria voltado ao segmento conservador. São trechos de falas nessas entrevistas que foram usados pelos estudantes da UFRN para o pedido de afastamento do professor. Uma denúncia formal foi realizada junto a Ouvidoria da UFRN, que recebeu um dossiê com as declarações que, segundo os alunos, ferem o Código de Conduta dos servidores.

Procurada, a reitoria da UFRN respondeu que não irá se manifestar sobre o assunto nesse momento.

Pastor relacionou veganismo a satanismo

Um vídeo, publicado pelo “Movimento Juntos”, responsável pela campanha contra o professor/pastor, reúne algumas dessas falas acusadas de transfóbicas e racistas: “Um homem não pode se tornar uma mulher”; “O transgenerismo é algo que a realidade não comporta”; e “O negro não gosta do negrismo” foram algumas dessas declarações.

Lycurgo já criticou até mesmo o veganismo, o chamando de satânico, “porque todos aqueles que veredam pelo veganismo certamente se tornarão feministas, antinatalistas, lgbtistas”, afirmou.

Em suas redes sociais, Lycurgo diz que está sendo “ferozmente atacado” por defender ideia de liberdade. Ele culpa os “alunos comunistas que dominaram espaço acadêmico”. Em um vídeo publicado nesta terça (20), Lycurgo diz que um “grupo” vem tentando implementar uma nova “religião” na universidade, que não aceitaria espaço para debates, e que buscaria alçar o “comunismo” como dogma. Em seguida, ele diz que Karl Marx criou a “ideologia do diabo”.

Após a criação do abaixo assinado, nomes importantes da Igreja Evangélica se manifestaram em apoio a Lycurgo. Em um vídeo, o pastor Silas Malafaia disse que o professor está sendo perseguido

— Um pastor está sendo perseguido por suas ideias. Como não conseguem vencê-lo no argumento, querem calar — declarou o líder da Assembleia de Deus.

O pastor e deputado federal Marcos Feliciano (PL-SP) também declarou seu “repúdio a perseguição escancarada contra Tassos Lycurgo”. Em nota, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional afirmou que o “episódio apresenta indícios graves de perseguição religiosa e ideológica”. Por isso, declarou solidariedade ao docente.

Em 2020, durante a gestão de Jair Bolsonaro, Tassos Lycurgo foi indicado ao Iphan, onde ocupou dois cargos de direção: diretor do Departamento do Patrimônio Imaterial e do Departamento de Cooperação e Fomento. Em agosto de 2022, ele foi exonerado após gravar uma live do Ministério da Defesa da Fé, igreja que fundou, de seu gabinete, na então sede do instituto em Brasília.

Correio 24h

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