
O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras, afirmou durante entrevista à Rádio 97 FM que a discussão sobre o fim da escala 6×1 precisa ser feita com cautela e com a participação dos setores produtivos.
Segundo ele, o momento é inoportuno, principalmente diante da falta de mão de obra que já preocupa o setor de transporte, que funciona 24 horas por dia.
“Não é uma discussão de Lula e Bolsonaro. É uma discussão sobre o momento. Hoje já enfrentamos dificuldade para encontrar trabalhadores e uma mudança brusca na jornada pode agravar esse problema”, afirmou.
Laranjeiras destacou que a proposta de redução da jornada de 44 para 36 horas representa um impacto significativo e precisa ser debatida nas convenções coletivas e com entidades como a Confederação Nacional do Transporte (CNT), que segundo ele não foi ouvida.
“Não somos contra discutir a escala, mas somos contra a forma e a velocidade como isso está sendo colocado. Uma mudança dessa dimensão não pode acontecer de uma só vez”, disse.
Durante a entrevista, o presidente da Fetronor também defendeu a importância do subsídio ao transporte público. Segundo ele, o apoio financeiro não beneficia empresários, mas os usuários do sistema.
“O subsídio não é para o empresário, é para o usuário. Quase 300 cidades do país já adotam algum tipo de subsídio. Medidas como isenção de ICMS do combustível, desoneração de veículos e apoio à tarifa ajudam a manter o sistema funcionando”, explicou.
Ele também comentou o debate sobre a licitação do transporte público de Natal e avaliou como positiva a discussão do tema no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Para Laranjeiras, o modelo de transbordo pode ser uma solução inteligente e atrair empresas interessadas no sistema.
Por fim, destacou iniciativas de sustentabilidade no setor e anunciou que, em maio, será realizada a premiação do Prêmio Transportar, que reconhece boas práticas ambientais no transporte de passageiros no Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Segundo ele, mais de 99% dos veículos avaliados nas inspeções ambientais apresentaram índices de emissão dentro dos padrões.
