
O aumento do consumo de peixes durante o verão e às vésperas do Carnaval levou a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) a emitir uma nota técnica com orientações para prevenir casos de ciguatera no RN. A intoxicação alimentar é causada pelo consumo de pescados contaminados por toxinas naturais e já provocou dezenas de notificações no estado nos últimos anos.
A ciguatera ocorre quando peixes que vivem em áreas de recifes e corais acumulam ciguatoxinas produzidas por microalgas microscópicas. Essas toxinas passam dos peixes menores para espécies maiores e carnívoras, que acabam sendo consumidas pela população sem que haja sinais visíveis de contaminação.
Um dos principais alertas da Sesap é que a ciguatoxina não pode ser eliminada por métodos comuns de preparo. Cozinhar, congelar, salgar ou defumar o peixe não reduz o risco de intoxicação. A substância é invisível, não tem cheiro nem sabor e permanece ativa mesmo após a digestão.
As maiores concentrações costumam estar localizadas na cabeça, nas vísceras e nas ovas dos peixes, o que aumenta o risco quando essas partes são consumidas.
Principais sintomas da ciguatera
- Dor abdominal
- Náuseas e vômitos
- Diarreia
- Dor de cabeça
- Cãibras musculares
- Coceira intensa
- Fraqueza muscular
- Visão turva
- Gosto metálico na boca
Os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado e, em alguns casos, persistir por semanas ou até meses.
Não há antídoto
Segundo a Secretaria de Saúde, não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera. O atendimento é baseado no controle dos sintomas, com hidratação, medicamentos para dor e enjoo e acompanhamento clínico, conforme a evolução do quadro. A Sesap reforça que a identificação rápida dos casos é essencial para evitar novos episódios e orientar ações da Vigilância Sanitária.
O que fazer em caso de suspeita
- Procurar imediatamente um serviço de saúde
- Informar o consumo de peixe nas últimas 48 horas
- Identificar a espécie consumida, se possível
- Guardar sobras do pescado congeladas para análise
- Evitar consumir peixes de procedência desconhecida
Casos no RN
O primeiro surto confirmado de ciguatera no RN foi registrado em 2022, envolvendo dez pessoas de uma mesma família após o consumo de bicuda, também conhecida como barracuda. Entre fevereiro e maio de 2025, outros três surtos foram identificados, com 18 pessoas expostas após o consumo de arabaiana, bicuda e dourado.
Atualmente, cinco surtos seguem em investigação epidemiológica, envolvendo 36 pessoas. Entre 2022 e 2025, o estado contabilizou 77 notificações de intoxicação exógena, incluindo surtos confirmados e casos ainda sob apuração, com registros envolvendo espécies como bicuda, cioba, guarajuba, arabaiana e dourado.
Peixes associados a casos no RN
- Bicuda (barracuda)
- Arabaiana
- Dourado
- Cioba
- Guarajuba
Alerta recente em Touros
No início de janeiro, o município de Touros, no litoral Norte do estado, registrou cerca de 30 casos de intoxicação alimentar após o consumo de peixes e outros animais marinhos em um restaurante da cidade. Ao menos 27 pessoas foram atendidas no hospital municipal com sintomas gastrointestinais.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, todas relataram ter consumido cavala, arabaiana e bicuda. As amostras seguem em análise, e a principal suspeita da Sesap é de intoxicação por ciguatera.
Onde buscar orientação
- CIATOX-RN: 0800 281 7005
- WhatsApp: (84) 98883-9155
- Atendimento em regime de plantão 24 horas

