
Especialistas já esperavam aumento de eleitores que não comparecem às urnas nas eleições municipais de 2020, mas consideram alto os 23,14% de abstenções, maior já registrado em pleitos municipais dos últimos 20 anos.
Os estudiosos ligam a elevada ausência à pandemia de Covid-19, a uma eleição mais “fria” (em comparação à anterior) e à descrença da população na política.
Nas eleições anteriores, ocorreram sucessivos aumentos nas taxas de ausências. No pleito municipal de 2016, a abstenção foi de 17,6% no primeiro turno e no anterior, em 2012, a taxa foi de 16,9%.
“A taxa de abstenção cresceu tanto no Brasil nessa eleição que acho que o país pode ter adotado, informalmente, o voto facultativo”, afirma o cientista político Antonio Lavareda. “O eleitor que não foi votar nessa eleição muito provavelmente não vai votar na próxima se não se vir motivado.”
Érica Anitta Baptista, doutora em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais, diz que era esperado que os números de abstenções deste ano fossem maiores em razão da pandemia e que a porcentagem é elevada para um país com voto obrigatório.
“Na eleição de 2016, a gente já teve um número consideravel de abstenções em um cenário que não tinha pandemia. Não tinha nenhum impedimento para as pessoas irem votar e muito dessa alta abstenção de 2016 foi a descrença mesmo”, afirma a especialista.
Ao mesmo tempo, Baptista questiona quão decisiva foi a pandemia no aumento visto das abstenções e diz acreditar que a descrença no sistema político e em candidatos ainda pesa nas taxas de ausência de eleitores.
Todas as capitais do país registraram aumento nas abstenções em comparação ao primeiro turno das eleições de 2016 e algumas atingiram quase o dobro do índice anterior.
Florianópolis, por exemplo, teve 28,65% de abstenções, mais que o dobro do registrado em 2016 (12,2%). Manaus também registrou acentuado aumento e passou de 8,6% no primeiro turno de 2016 para 18,23% neste ano. Já Vitória, que teve 10,8% de abstenções nas eleições municipais anteriores, registrou 25,45% em 2020.
Folha de S. Paulo
