
O Rio Grande do Norte encerrou 2025 com o melhor desempenho de sua história no comércio exterior. Mesmo em um cenário internacional marcado por restrições tarifárias, tensões geopolíticas e dificuldades logísticas, o Estado fechou o ano com superávit comercial de US$ 649,6 milhões, resultado considerado expressivo por especialistas e autoridades econômicas.
Os números mostram que as exportações potiguares superaram US$ 1,08 bilhão, enquanto as importações somaram US$ 436,7 milhões. O saldo positivo representa um crescimento de 18,7% em relação a 2024 e consolida o RN como um dos destaques do Nordeste no comércio internacional.
Para o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon-RN), Ricardo Valério, o desempenho vai além dos números e reflete uma mudança estratégica do setor produtivo e dos governos. “A balança comercial do Brasil e do RN foi muito satisfatória em 2025. Tivemos crescimento de 5,7% nas exportações, contra 2,4% das importações, o que gerou resultados bastante expressivos”, afirmou.
Segundo ele, no cenário nacional, o Brasil encerrou o ano com US$ 350 bilhões em exportações e US$ 280 bilhões em importações, movimentando uma corrente de comércio próxima de US$ 629 bilhões. “Isso mostra força do setor externo, mesmo diante de dificuldades impostas pelo tarifaço internacional”, explicou.
No caso potiguar, o avanço foi ainda mais significativo. “Batemos todos os recordes. Passamos de mais de um bilhão em exportações para cerca de US$ 436 milhões em importações, gerando um superávit de aproximadamente US$ 650 milhões, o que é extremamente satisfatório para o Rio Grande do Norte”, destacou Valério.
Um dos fatores centrais para o bom desempenho foi a ampliação dos mercados internacionais. Em 2025, o RN passou a exportar para 14 novos países, distribuídos por quatro continentes. Produtos potiguares chegaram pela primeira vez a destinos como Bangladesh, Suécia, Ucrânia, Paquistão, Luxemburgo, Cabo Verde e Ilhas Cayman.
Para Ricardo Valério, a pressão externa acabou provocando um efeito positivo. “Eu sempre disse que, às vezes, medidas duras vêm para o bem. O tarifaço despertou o empresariado e os governos a buscarem novos mercados, tanto no Brasil quanto no RN”, avaliou.
Mesmo com perdas pontuais, especialmente nos setores de pescados e sal marinho, o economista vê perspectivas de recuperação no curto prazo. “Tivemos prejuízos nesses segmentos, mas há informações seguras de que, até março, deve ser liberada novamente a exportação do nosso pescado e do sal marinho”, afirmou o economista.
Energia e frutas puxam a pauta
A pauta exportadora potiguar segue concentrada em poucos produtos, mas com forte peso econômico. O óleo combustível liderou as vendas externas em 2025, com US$ 495,6 milhões, seguido por melões frescos (US$ 139,4 milhões), melancias frescas (US$ 93,1 milhões) e ouro em forma bruta (US$ 91,2 milhões).
Esses itens responderam por quase 80% das exportações do Estado, reforçando o papel estratégico da energia e do agronegócio na economia potiguar.
Entre os principais destinos, o Panamá aparece como maior comprador, com US$ 468,4 milhões, seguido pelos Países Baixos, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido. Juntos, esses cinco mercados concentraram mais de 80% das exportações do RN em 2025.
Mesmo com restrições tarifárias, os Estados Unidos mantiveram relevância. As vendas para o país somaram US$ 91,2 milhões, crescimento de quase 36% em relação ao ano anterior.
Infraestrutura e desafios logísticos
O bom desempenho também expõe gargalos históricos. A dependência do transporte marítimo é alta: mais de 86% das exportações e 91% das importações passaram pelos portos.
Ricardo Valério aponta que avanços na infraestrutura serão decisivos para manter o crescimento. “O RN vai ter melhorias importantes, como a readequação da ponte, necessária para a passagem de embarcações de maior calado, além da dragagem do porto. São obras fundamentais para o comércio exterior”, afirmou.
Outro ponto sensível é o setor de petróleo. “Esperamos que a indústria extrativa recupere padrões de exportação que já teve. É um mercado sensível, ainda impactado pela crise internacional do petróleo provocada pela invasão da Venezuela”, avaliou.
Perspectivas para 2026
Apesar das incertezas externas, a avaliação para o próximo ano é positiva. “Vamos observar com cautela, mas acredito que teremos um bom desempenho do mercado externo em 2026, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Norte”, disse Valério.
Segundo ele, a ampliação de mercados, os investimentos logísticos e a retomada de setores estratégicos podem sustentar novos avanços. “O Mercosul pode vir aí a galope muito em breve, abrindo novas oportunidades para os produtos potiguares”, concluiu.
NÚMEROS-CHAVE DO COMÉRCIO EXTERIOR DO RN EM 2025
• Exportações: US$ 1,08 bilhão
• Importações: US$ 436,7 milhões
• Superávit comercial: US$ 649,6 milhões
• Crescimento do saldo: +18,7%
PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS
• Óleo combustível
• Melão fresco
• Melancia fresca
• Ouro em forma bruta
• Derivados energéticos
MAIORES DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES
• Panamá
• Países Baixos
• Canadá
• Estados Unidos
• Reino Unido
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