SELO BLOG FM (4)

Final da Libertadores pode virar batalha nos tribunais

Resultado de imagem para Final da Libertadores pode virar batalha nos tribunais

TAÇA DA COPA LIBERTADORES. (FOTO: FIFA)

A escolha do estádio Santiago Bernabéu como palco da final da Libertadores iniciou uma disputa nos tribunais entre Boca Juniors e River Plate. Por razões distintas, os rivais ficaram insatisfeitos e prometem apelar da decisão da Conmebol que marcou a decisão para o dia 9 de dezembro em Madri com torcidas dos dois times.

O Boca Juniors considerou insuficiente a punição aplicada ao River Plate – dois jogos com portões fechados em competições da Conmebol e multa de US$ 400 mil (R$ 1,54 milhão). Por isso, o time de Carlitos Tevez pretende ir até a Corte Arbitral do Esporte (CAS, em inglês) se necessário. O clube entende que o rival deveria ser responsabilizado pelos ataques ao ônibus na chegada da delegação ao Monumental no sábado passado. O Boca quer ser declarado campeão da Libertadores.

O recurso dificilmente chegará a tempo ao CAS. Depois da decisão da primeira instância do Tribunal Disciplinar, o Boca tem de recorrer à Câmara de Apelações. Especialistas consultados pelo Estado afirmam que o trâmite não é rápido. “Esse caminho a ser percorrido pelo Boca costuma demorar. A probabilidade de o clube conseguir uma decisão que suspenda a final é baixa. Os recursos, em regra, não têm efeito suspensivo, que só é concedido em situações muito excepcionais”, explica o advogado André Sica, especializado em Direito Desportivo.

Por sua vez, o River Plate considera que o rival levará vantagem por ter sua torcida novamente na final. No primeiro jogo, o Boca jogou diante de seus fãs no empate por 2 a 2. Nesse contexto, o jogo de volta deveria ter apenas torcedores do River Plate. Por isso, a torcida marcou para um protesto hoje no estádio Monumental. “O Club Atlético River Plate vai apresentar os recursos e apelações pertinentes contra as resoluções anunciadas pela Conmebol e seu Tribunal Disciplinar, em relação à mudança na sede da final da Copa Libertadores, à multa e à proibição de jogar diante de sua torcida em duas partidas”, anunciou o clube.

“A pena é branda, considerando-se a gravidade do ocorrido. Para efeito de comparação, apenas a multa é maior do aquela imposta ao Flamengo pelos incidentes no Maracanã na final da Sul-americana em 2017. O caso do River é substancialmente mais grave”, avalia o advogado Américo Espallargas, também especialista em Direito Desportivo. À época, o clube carioca foi multado em US$ 300 mil (R$ 1,3 milhão) por invasão dos torcedores no Maracanã.

Os espanhóis se dividem entre o temor de conflitos na capital, indignação e frustração. Santiago Solari, técnico do Real Madrid, dono do estádio onde será a final, resumiu os dois últimos sentimentos. “Não podemos esquecer os motivos que fizeram trazer esse jogo a um oceano de distância. É uma pena que uma parte da sociedade queira romper tudo”, afirmou. “Para mim, foi perdida a transcendência dessa partida. Perdi um pouco o interesse”, lamentou.

DECISÃO POLÍTICA

A punição imposta ao River Plate pelo Tribunal Disciplinar da Conmebol (dois jogos com portões fechados e multa) por causa dos ataques ao ônibus do Boca Juniors no sábado passado foi uma decisão política.

Essa é a avaliação de advogados especialistas em Direito Desportivo ouvidos pelo Estado. “Em vez de ser autônomo, o Tribunal Disciplinar se mostrou subordinado à Diretoria Executiva da Conmebol”, avalia o advogado André Sica. “Uma decisão disciplinar contra o River Plate, a essa altura, reflete os desejos do que manifestou Alejandro Dominguez, presidente da entidade, quando na verdade deveria basear-se exclusivamente na lei em busca de uma decisão justa. A determinação técnica da mudança da final deveria ter como fundamento a decisão jurídica e disciplinar. Não o contrário”, completa Sica.

Para o advogado Eduardo Carlezzo, o adiamento da partida final e a escolha de Madri como sede do clássico argentino refletem problemas estruturais do futebol sul-americano. “Uma final da Libertadores disputada na Espanha ou em qualquer outro país fora do continente por razões de segurança é um atestado de falência das instituições esportivas e governamentais sul-americanas, assim como a constatação de que uma parte dos torcedores ainda vive na idade da pedra”, avalia Carlezzo.

Estadão

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram

Comente aqui