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Escândalo Epstein explode no RN e Ministério Público Federal investiga possível aliciamento a partir de Natal

FOTO: REPRODUÇÃO

O nome do financista americano Jeffrey Epstein volta ao centro de uma investigação que agora alcança o Rio Grande do Norte. Documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mencionam uma jovem da Região Metropolitana de Natal e indicam possível tentativa de aliciamento para encontro com o empresário nos Estados Unidos.

Diante do conteúdo revelado, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento sigiloso para apurar eventual conexão brasileira com o esquema internacional de exploração sexual atribuído a Epstein. A apuração está sob responsabilidade da Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), vinculada ao órgão em Brasília.

O MPF informou que acompanha a divulgação dos arquivos estrangeiros e que atua para verificar se houve envolvimento de cidadãos brasileiros ou prática de fatos em território nacional. O procedimento tramita sob sigilo devido à sensibilidade do tema e à necessidade de proteção das possíveis vítimas.

E-mails revelam contatos e pedido de fotos

Entre os milhões de páginas divulgadas pelas autoridades norte americanas, há trocas de mensagens datadas de 2011 que mencionam a possível intermediação da viagem de uma jovem dos arredores de Natal para encontrar Epstein. Nos diálogos, ela é descrita como oriunda de família simples, sem domínio da língua inglesa e sem experiência internacional.

Em uma das mensagens, a interlocutora afirma ter enviado fotografia da jovem e declara que o financista iria apreciá la. A resposta atribuída a Epstein solicita novas imagens, inclusive em lingerie ou biquíni, além de recursos financeiros para viabilizar passaporte e visto.

Os registros não indicam a idade da jovem nem confirmam se a viagem chegou a ocorrer. Especialistas ressaltam que a simples menção em mensagens não configura comprovação de crime, mas defendem investigação rigorosa diante do teor do conteúdo e da eventual vulnerabilidade da pessoa citada.

Conexões empresariais e ramificações internacionais

O nome de Alexia Righi Suriani aparece associado a empresa registrada em Parnamirim, com capital social declarado de R$ 10 milhões. Registros públicos também apontam endereço vinculado a ela em Nova York, nos Estados Unidos.

A documentação integra conjunto mais amplo que cita viagens de pessoas ligadas a Epstein ao Brasil, inclusive à região Nordeste. Entre os nomes mencionados em investigações internacionais está Jean-Luc Brunel, agente de modelos apontado como colaborador na captação de jovens em diferentes países. Ele foi encontrado morto em prisão na França, em 2022, enquanto respondia a acusações de abuso sexual que negava.

Promotores norte americanos também relacionam o esquema ao uso de agências e contatos no mercado da moda. A ex companheira de Epstein, Ghislaine Maxwell, foi condenada nos Estados Unidos por tráfico sexual de menores.

Desafios jurídicos e investigação em curso

A procuradora da República Cinthia Gabriela Borges, integrante da UNTC, declarou que o procedimento busca identificar se houve aliciamento de brasileiras e eventual estrutura organizada no país.

Segundo ela, os fatos remontam a mais de uma década e podem envolver atos praticados fora do Brasil, o que amplia a complexidade da coleta de provas. Alterações na legislação brasileira sobre tráfico internacional de pessoas, promovidas em 2016, passaram a exigir comprovação de fraude, coação ou abuso de vulnerabilidade para caracterização do crime.

O procurador chefe do Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte, Gilberto Barroso de Carvalho Júnior, confirmou o recebimento das informações que deram origem à apuração preliminar. O órgão reforçou que mulheres mencionadas nos documentos não são investigadas como autoras de crime, mas consideradas potenciais vítimas.

Dimensão global do escândalo

Os arquivos divulgados fazem parte de investigações conduzidas ao longo de mais de dez anos nos Estados Unidos. Autoridades norte americanas apontam que cerca de 250 meninas, muitas delas menores de idade, teriam sido exploradas entre 2002 e 2005.

Epstein foi preso em 2019 em Nova York e encontrado morto na cela meses depois. A autópsia concluiu que ele tirou a própria vida. Mesmo após sua morte, promotores sustentam que outras pessoas envolvidas no esquema podem ser responsabilizadas.

A investigação jornalística que identificou as menções ao Rio Grande do Norte contou com apoio técnico especializado para organização de bases públicas e arquivos oficiais. O caso, agora sob análise do MPF, amplia a dimensão internacional do escândalo e indica que seus desdobramentos ainda estão longe de terminar.

BNews Natal

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