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Entregar governo à oposição este ano seria ‘suicídio político’, diz Cadu Xavier

FOTO: REPRODUÇÃO

O secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), afirmou que a governadora Fátima Bezerra (PT) poderá desistir de renunciar antes do fim do mandato se perceber que não conseguirá eleger o sucessor em uma eleição indireta na Assembleia Legislativa. De acordo com Cadu, a governadora poderá permanecer no cargo para evitar que a oposição assuma o controle do governo na reta final da gestão, em meio às eleições gerais de outubro.

“A última cartada é dela. Se a gente tiver segurança — e nós estamos trabalhando para isso —, essa cartada vai ser a renúncia. Mas, se não criarmos esse ambiente de maioria que nos dê tranquilidade para esse processo, o que é inimaginável é a gente passar o governo para a mão da oposição durante o processo eleitoral. Isso seria um suicídio político”, afirmou Cadu, em entrevista na noite desta terça-feira 3 ao Jornal das Seis, da rádio 96 FM.

Nos últimos meses, Fátima Bezerra tem dito que pretende ser candidata ao Senado nas eleições deste ano. Para isso, ela teria de renunciar ao governo até 4 de abril, para cumprir a regra da desincompatibilização. O vice-governador Walter Alves (MDB) seria o sucessor natural até o fim do mandato, mas ele já comunicou que não vai assumir o cargo porque quer concorrer a deputado estadual.

Caso se confirmem as duas renúncias, o Estado poderá ter uma eleição indireta na Assembleia Legislativa. Neste caso, os 24 deputados estaduais teriam de escolher um governador e um vice-governador para encerrarem o mandato até 5 de janeiro de 2027, em um chamado mandato tampão. Para essa disputa, o PT tem defendido o nome de Cadu Xavier, mas o secretário tem encontrado resistência na Assembleia Legislativa.

Na 96 FM, Cadu afirmou que está trabalhando para viabilizar o nome na disputa para o mandato tampão. “A gente tem trabalhado. Hoje mesmo estive na Assembleia Legislativa representando a governadora. A minha relação com os deputados sempre foi muito boa”, afirmou o secretário da Fazenda.

Em meio à resistência dos deputados, o secretário de Fazenda disse, porém, que o PT pode apresentar outro nome para a eleição indireta. Neste cenário, Cadu seria candidato apenas nas eleições gerais de outubro.

“O meu nome, enquanto pré-candidato na eleição de outubro, é um nome natural. E eu não tenho dificuldade nenhuma. Pelo contrário, teria um orgulho imenso de assumir o Governo do Estado a partir de abril. Mas, se não for possível numa composição, numa contagem de votos dentro da Assembleia Legislativa, outro nome nosso pode assumir o governo”, declarou.

“O que a gente tem colocado é que a gente não abre mão de que seja uma pessoa do PT”, afirmou Cadu, enfatizando que esse entendimento será levado até as últimas circunstâncias, o que pode significar a permanência de Fátima Bezerra no cargo.

Secretário defende mulher como vice

Em outra entrevista dada nesta terça-feira, Cadu Xavier afirmou que defende uma mulher como vice na chapa governista. Ele destacou a importância da participação feminina nos espaços de poder e citou nomes que, segundo ele, têm trajetória política e capacidade de compor o projeto liderado pela governadora Fátima Bezerra (PT).

“A nossa grande liderança aqui no Estado da esquerda do Rio Grande do Norte é uma mulher. Eu acho que a participação feminina junto com ela e comigo nessa chapa é muito importante”, afirmou Cadu em entrevista ao Jornal da Cidade, da rádio Cidade.

Questionado diretamente sobre nomes, Cadu mencionou as ex-deputadas estaduais Larissa Rosado (PSB) e Márcia Maia (PDT) como possibilidades reais. Ao ser indagado se teria preferência por alguma delas, respondeu de forma direta: “Pode ser uma das duas, eu acho dois grandes nomes. Eu acho que uma mulher é muito importante”.

Na avaliação do secretário, além da representação feminina, a escolha da vice precisa dialogar com o eleitorado e com a história política do Estado. Ao citar Márcia Maia, ele ressaltou o peso simbólico do nome. “Ela traz a memória da mãe dela, que ainda é muito presente no imaginário, na cabeça do eleitor”, disse, referindo-se à ex-governadora Wilma de Faria.

Cadu ressaltou que a definição da chapa ainda está em discussão e envolve não apenas o PT, mas também partidos aliados. Segundo ele, o diálogo inclui siglas como PV, PCdoB, PSB, PDT e outros partidos do campo progressista. “A gente tem excelentes quadros na esquerda, no centro-esquerda do Rio Grande do Norte”, afirmou, reforçando que a preferência pessoal é por uma mulher, mas que a decisão será coletiva.

Confirmação da pré-candidatura

Ao longo da entrevista, Cadu Xavier confirmou que seu nome está colocado como pré-candidato ao Governo do Estado, tanto no cenário de eleição direta em outubro quanto na hipótese de um mandato tampão. Ele deixou claro que a pré-candidatura não surgiu de forma improvisada, mas como parte de uma construção política ligada ao contexto sucessório do governo Fátima Bezerra.

Segundo ele, a experiência acumulada na administração estadual é um dos fatores que sustentam sua decisão. “Eu sei que a gente já esteve numa situação muito mais difícil e conseguimos enfrentar com muita tranquilidade”, disse.

Cadu também enfatizou sua trajetória como servidor público – ele é auditor fiscal de carreira – para justificar a disposição de assumir novos desafios. “Eu tenho um espírito público. Eu sou servidor de carreira há 20 anos”, afirmou. Ele reforçou que sua atuação não é motivada por interesses pessoais. “O meu salário é o mesmo, se eu estivesse atuando como auditor ou como secretário. Então não é algo de projeção de carreira”, declarou.

Sobre a hipótese de eleição indireta, ele lembrou que Fátima Bezerra e Walter Alves foram eleitos para um mandato completo. “Fátima e Walter foram eleitos para governarem o Rio Grande do Norte de 1º de janeiro de 2023 a 5 de janeiro de 2027”, disse. Para Cadu, caso ambos deixem o cargo antes do fim do mandato, é legítimo que o PT conclua esse ciclo. “É justo que alguém do PT, que é a tese que nós defendemos, cumpra esses nove meses de governo interino”, declarou.

Cenário político e polarização nacional

Na rádio Cidade, Cadu Xavier também fez uma leitura mais ampla do cenário eleitoral de 2026 no Rio Grande do Norte. Para ele, a disputa tende a se alinhar à polarização nacional entre campos políticos opostos.

Nesse contexto, ele se colocou claramente no campo político alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Cadu afirmou que não pretende esconder suas posições por conveniência eleitoral. “Agora, dizer que eu não tenho as ideias na minha cabeça, por cálculo, eu não vou fazer isso. Não é da minha pessoa”, disse.

Ele também comentou críticas e questionamentos sobre a viabilidade da polarização no Estado, diante de discursos considerados ambíguos por parte de adversários. Para Cadu, esse tipo de postura faz parte de estratégias eleitorais. “Esse posicionamento aí, deixando em dúvida, eu não sou bolsonarista, eu tiro uma foto com Lula, é cálculo eleitoral”, afirmou.

Agora RN

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