
Com a decisão da governadora Fátima Bezerra (PT) de desistir de disputar o Senado e permanecer no cargo até o fim do mandato, a candidatura do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, ao Governo do Estado nas eleições de outubro passou a ser tratada como prioridade absoluta para o PT, segundo apurou o AGORA RN.
Na coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira 17 em que falou sobre o futuro político, Fátima falou sobre a estratégia. “Prioridade absoluta mesmo. Não só a candidatura do Cadu para governador, mas todas as candidaturas, como a do Senado, a nominata para deputado federal e a nossa nominata para deputado estadual”, afirmou a petista.
A governadora tratou do tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda-feira 16. A reportagem apurou que o presidente solicitou a Fátima que, com a desistência da disputa ao Senado, ela concentrasse esforços na candidatura de Cadu Xavier no pleito de 4 de outubro. Ficou definido, durante a reunião, que a candidatura será considerada uma prioridade para o PT nacional. Uma fonte do PT afirma que a candidatura de Cadu entrará, inclusive, na mesa de negociação com outras legendas.
No Rio Grande do Norte, o arco de alianças montado por Fátima tem a participação da federação formada por PT, PCdoB e PV e pelos partidos PDT e PSB. Há, ainda, a possibilidade de adesão da federação formada por Psol e Rede, apesar de os socialistas terem lançado a pré-candidatura do professor universitário Robério Paulino.
Uma fonte a par das conversas relatou que Lula pediu a Fátima que ficasse no mandato diante do risco de o PT não conseguir eleger o sucessor em uma eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa — que aconteceria se fosse confirmada também a renúncia do vice-governador Walter Alves (MDB), que é pré-candidato a deputado estadual.
Em entrevista ao AGORA RN, Cadu Xavier endossou a decisão da governadora e reforçou o discurso de unidade interna. Segundo ele, a permanência de Fátima no governo fortalece o projeto político em curso. “Esse ato da governadora é mais um ato de compromisso com o povo do Rio Grande do Norte”, declarou.
O secretário também classificou a escolha como resultado de “coragem e compromisso”, e afirmou que a decisão tem apoio não apenas do PT, mas também dos partidos aliados.
Em publicação nas redes sociais, Cadu disse ter “orgulho de caminhar” com a governadora. “Hoje foi mais um dia em que só fez aumentar a minha admiração pela senhora”, afirmou o secretário.
“Eles estão pensando, governadora, que vão tirar você do jogo. Mas não vão não. Você é a camisa 10 do time de Lula aqui no nosso Estado. E nós vamos andar juntos os 167 municípios, para levar os avanços do seu governo e do presidente Lula e apontar um futuro ainda melhor para o nosso povo. Nós estamos juntos e sempre estaremos. Sigamos!”, declarou o pré-candidato ao governo.
Com a desistência da disputa ao Senado, Fátima assume papel ainda mais central na campanha de 2026. Ela própria deixou claro que participará ativamente do processo eleitoral, mesmo permanecendo à frente do Executivo. Na prática, a governadora deve funcionar como principal cabo eleitoral de Cadu Xavier, além de coordenar a montagem das chapas proporcionais e a articulação com partidos aliados.
A estratégia segue um desenho já testado em outros estados: manter a máquina administrativa sob comando do grupo político e utilizá-la como base de sustentação eleitoral. Foi o que aconteceu na Bahia em 2022. O então governador Rui Costa (PT), hoje ministro da Casa Civil, abriu mão da disputa ao Senado e conduziu o governo rumo à eleição de Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador.
Lula teria dito a Fátima que, como compensação por ficar fora da disputa eleitoral em 2026, ele acolherá a governadora em um eventual quarto mandato presidencial, a partir de janeiro de 2027. Neste caso, Fátima poderia virar ministra — foi citada a possibilidade de ela assumir a pasta da Integração e Desenvolvimento Regional, que é responsável por obras de segurança hídrica.
Expansão das bancadas
Além da disputa pelo governo, o PT definiu como prioridade a ampliação de sua presença no Legislativo, tanto em Brasília quanto no Rio Grande do Norte. Atualmente, o partido conta com dois deputados federais — Fernando Mineiro e Natália Bonavides — e três deputados estaduais: Divaneide Basílio, Francisco do PT e Isolda Dantas.
A meta é ampliar esse número em 2026, fortalecendo a base parlamentar que dá sustentação política ao projeto petista no estado e ao eventual quarto mandato de Lula no plano nacional.
A própria governadora destacou que a eleição terá peso estratégico na disputa nacional. “O Nordeste é muito importante nesse contexto da disputa a nível nacional”, afirmou, ao relatar conversas com Lula.
Agora RN
