
O governo federal informou que pretende negociar com a China para reduzir os impactos das tarifas adicionais de 55% anunciadas pelo país asiático sobre a carne bovina brasileira, caso as exportações superem a cota de importação estabelecida para 2026. A sinalização ocorre em meio à preocupação do setor produtivo com os efeitos da medida sobre o principal mercado externo da proteína nacional.
Em nota, o governo afirmou que atua de forma coordenada com o setor privado e que seguirá dialogando com as autoridades chinesas tanto em âmbito bilateral quanto no contexto da Organização Mundial do Comércio (OMC). O objetivo, segundo o comunicado, é mitigar os efeitos da decisão e defender os interesses de trabalhadores e produtores ligados à cadeia da carne bovina.
A decisão chinesa foi tomada após pressão de associações da indústria local, que pediram a adoção de medidas de salvaguarda imediatas até o fim do ano. O argumento central é a necessidade de estabilizar as expectativas do mercado doméstico e proteger a renda dos produtores chineses, que vêm enfrentando dificuldades financeiras.
Desde 2023, o setor de pecuária bovina da China acumula prejuízos em razão de uma combinação de fatores, entre eles o aumento das importações. Esse cenário levou muitos criadores a anteciparem o abate de animais reprodutores como estratégia para reduzir custos, aprofundando o desequilíbrio do mercado interno.
As salvaguardas anunciadas por Pequim fazem parte dos instrumentos de defesa comercial previstos pelas regras da OMC e costumam ser acionadas em situações de crescimento abrupto das importações. Diferentemente de medidas antidumping ou compensatórias, essas ações não têm como objetivo coibir práticas desleais de comércio, mas oferecer proteção temporária a setores domésticos sensíveis.
No caso brasileiro, a tarifa adicional só será aplicada se as importações chinesas de carne bovina do Brasil ultrapassarem a cota de 1,106 milhão de toneladas em 2026. Esse intervalo, entre 1 milhão e 1,2 milhão de toneladas, corresponde à média histórica das exportações brasileiras para o mercado chinês, o que indica que a maior parte dos embarques deve permanecer isenta da sobretaxa.
Em 2025, no entanto, as exportações brasileiras de carne bovina para a China devem alcançar um patamar recorde, estimado em cerca de 1,6 milhão de toneladas. Na avaliação do governo, esse volume é considerado atípico e está diretamente relacionado ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre a carne brasileira.
Com as tarifas adicionais adotadas pela gestão do presidente Donald Trump, parte relevante dos embarques brasileiros foi redirecionada para outros mercados, especialmente a China. A expectativa das autoridades brasileiras é que esse fluxo volte gradualmente à normalidade ao longo de 2026, reduzindo o risco de acionamento efetivo da tarifa adicional chinesa.
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