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Assembleia Legislativa vira palco de embate após fala do senador Styvenson

FOTO: REPRODUÇÃO

A repercussão das declarações do senador Styvenson Valentim (PSDB) em Parelhas ganhou parte do debate na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte nesta terça-feira (31) e escancarou um confronto político que vai além da caserna. O deputado Francisco do PT, não apenas criticou o conteúdo da declaração, mas também o que chamou de seletividade na reação política.

“Se essa fala do senador Styvenson tivesse sido feita por alguém do PT ou da esquerda, o mundo estaria desabando hoje nas nossas cabeças. Mas, dita por um senador da extrema direita, bolsonarista e oriundo dos quadros da Polícia Militar, ainda tem gente que quer passar pano”, afirmou em plenário.

Para o petista, o episódio revela uma estratégia deliberada de comunicação e lamenta a intenção do senador com tamanho desrespeito.

“É lamentável que, para conquistar votos e likes nas redes sociais, alguém se proponha a fazer uma fala tão agressiva e tão desrespeitosa contra a sua própria instituição de origem”, disse, reforçando o argumento de que o senador ultrapassou limites ao generalizar críticas a capitães e coronéis da PM.

Francisco ainda reagiu diretamente à posição do deputado bolsonarista Coronel Azevedo (PL), que, apesar de ser coronel da reserva da Polícia Militar, adotou uma linha de defesa do senador. A resposta foi feita ao final da fala do deputado coronel.

“Vivi para ver um coronel desrespeitado aplaudir quem o desrespeitou”, ironizou.

Na outra ponta, Coronel Azevedo buscou amortecer o impacto da declaração do senador Styvenson. Classificou a declaração como “fora de contexto” e reconheceu que pode ter sido “infeliz”, mas fez questão de sustentar a atuação de Styvenson no Senado. “Ele tem feito um excelente trabalho em todo o Rio Grande do Norte, com ações na saúde, na segurança pública, na recuperação de unidades policiais”, afirmou Azevedo.

Como costume, o parlamentar também acusou setores ligados ao PT de amplificarem o episódio por conveniência política. Ele relativizou o que chamou de “erro” de Styvenson.

“Houve uma certa euforia de lideranças vinculadas ao PT para explorar essa frase. Quem nunca errou que atire a primeira pedra”, disse.

Ao tentar explicar a fala do senador, Azevedo recorreu ao argumento de estilo pessoal. Segundo ele, Styvenson costuma se expressar de forma descontraída e comparativa, o que pode ter gerado distorções.

“Não é a essência, não é o âmago do que ele quis transmitir”, pontuou o deputado do PL.

O deputado ainda fez uma analogia para justificar o papel dos oficiais superiores, comparando coronéis a gestores em diferentes áreas, do diretor de escola ao presidente de instituições, numa tentativa de contextualizar a hierarquia e afastar a interpretação de inatividade atribuída pelo senador.

“O coronel está ligado à gestão do quartel, da diretoria, do hospital, da polícia. Como tem o diretor de escola pública, que é o coronel, tem o diretor da empresa aqui, tem o Presidente da Assembleia, que seria o coronel Ezequiel. E assim por diante, cada setor tem o seu gestor. Tanto o capitão Styvenson como os demais prestaram concurso à polícia militar que é natural percorrer os postos e as graduações”, concluiu, sem explicar se ele acredita que o posto mais alto não faz nada, como afirmou Styvenson.

Comandante-geral da PM fala em “indignação” com ataque a coronéis

As declarações do senador Styvenson Valentim ganharam manifestação oficial do comando da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Em nota pública, o comandante-geral da corporação, Alarico José Pessoa Azevedo Junior, expressou “profundo lamento e discordância” e elevou o tom ao classificar as falas do parlamentar como motivo de “estranheza e indignação”.

Sem citar diretamente o contexto político, o comandante fez questão de destacar o peso simbólico da origem de Styvenson dentro da própria corporação. “Causa estranheza que tais palavras, que tentam desqualificar o trabalho de oficiais de alta patente, partam de um membro da reserva da nossa própria instituição”, afirmou.

O alvo da reação foi a declaração do senador de que “coronéis não fazem nada” e a insinuação de que a carreira na PM garantiria “dinheiro fácil”. Para Alarico, a fala ignora não apenas o risco inerente à profissão, mas também a complexidade técnica que envolve a segurança pública. “Há uma realidade de dedicação extrema que não pode ser reduzida a esse tipo de afirmação”, destacou.

Na nota, o comandante faz uma defesa enfática da estrutura da Polícia Militar, ressaltando o papel estratégico do oficialato superior. Segundo ele, coronéis não ocupam funções de inércia, mas exercem atribuições decisivas nas áreas logística, jurídica e operacional, responsáveis por garantir o funcionamento de toda a engrenagem da segurança pública.

Alarico também utilizou o documento para reforçar a relevância institucional da PM potiguar, que, segundo ele, há 192 anos atua como “pilar fundamental do Estado”. O texto destaca que a redução nos índices de criminalidade no Rio Grande do Norte está diretamente ligada ao planejamento estratégico dos oficiais e à atuação operacional da tropa.

Além do policiamento ostensivo, o comandante lembrou que a corporação atua em áreas que vão além das ruas, como a gestão de hospitais e centros clínicos, atendendo não apenas militares, mas também a população em geral. Também citou a participação de policiais potiguares em missões da Força Nacional e operações de paz da ONU, apontando reconhecimento técnico e profissional da instituição.

A nota encerra com um recado direto: a Polícia Militar “permanece inabalável” e exige respeito à sua história e aos seus integrantes. A manifestação do comando amplia a pressão sobre Styvenson Valentim, que, após a repercussão negativa entre oficiais e no meio político, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.

Diário do RN

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