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Após falas de Trump sobre guerra, mercado aposta em corte da Selic

FOTO: DIVULGAÇÃO

O mercado financeiro brasileiro encerrou a terça-feira (10) com um recuo expressivo nas taxas de juros futuros (DIs), impulsionado por um cenário externo mais favorável. A mudança de humor dos investidores decorre das recentes sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o conflito bélico com o Irã pode ter um encerramento célere.

Esse novo contexto fortaleceu as projeções de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central opte por uma redução de 0,50 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%, durante a reunião marcada para a próxima semana.

Acompanhando a desvalorização acentuada do petróleo no mercado internacional e a queda do dólar frente à moeda brasileira, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 registrou 13,6% no fim da tarde, uma retração de 14 pontos-base em comparação ao ajuste anterior de 13,741%. No trecho mais longo da curva, o DI para janeiro de 2035 apresentou baixa de 15 pontos-base, situando-se em 13,68%.

A tendência de queda já havia se manifestado na tarde de segunda-feira, logo após as primeiras falas de Trump indicando que a intervenção militar de EUA e Israel estaria em vias de conclusão.

O otimismo foi reforçado por declarações feitas pelo mandatário americano a congressistas republicanos, nas quais ele previu que a guerra “será concluída muito rapidamente”. Além disso, em entrevista à Fox News, o presidente sinalizou abertura diplomática ao afirmar ser possível que esteja disposto a estabelecer conversas com o governo iraniano.

A perspectiva de uma resolução ágil trouxe alento sobre a estabilização do fluxo de óleo pelo Estreito de Ormuz, fazendo com que o barril da commodity em Nova York despencasse para cerca de US$ 84, uma queda drástica em relação aos US$ 120 registrados na véspera.

Essa deflação do petróleo amenizou os receios sobre pressões inflacionárias globais e domésticas.

O pico do otimismo ocorreu às 14h19, momento em que o DI para janeiro de 2027 tocou a mínima de 13,455% e o dólar à vista atingiu seu menor patamar no dia, cotado a R$ 5,1326. O comportamento dos ativos reflete diretamente a precificação de 76% de chance de que o Banco Central brasileiro aproveite o alívio externo para acelerar o ciclo de cortes nos juros na próxima quarta-feira.

Diário do Poder

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