
O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) afirmou que não pretende disputar a eleição indireta que ocorrerá na Assembleia Legislativa para um mandato-tampão do Governo do Estado. Em entrevista à rádio 96 FM, ele defendeu que o ideal seria um nome técnico para comandar o Estado temporariamente, após as renúncias da governadora Fátima Bezerra (PT) e do vice Walter Alves (MDB).
Na quarta-feira 20, Álvaro Dias anunciou sua pré-candidatura para o Governo do Estado, mas disse que sua disposição é apenas para disputar a eleição regular, marcada para outubro, que vai eleger os gestores para o mandato de quatro anos entre 2027 e 2030.
“Eu não tenho essa pretensão”, afirmou o ex-prefeito, sobre a eleição indireta. Em seguida, acrescentou que não vê “com bons olhos” a hipótese de um nome assumir o governo por um período curto antes de enfrentar a campanha eleitoral.
Na avaliação do ex-prefeito, o tempo reduzido tornaria a missão politicamente arriscada e administrativamente limitada. “Eu acho que tem muito pouco tempo para um pré-candidato assumir o Governo do Estado. Tem nove meses só para apresentar algum resultado e disputar uma eleição. Eu acho muito complicado”, disse, ao justificar por que rejeita se colocar nesse tabuleiro.
Apesar disso, ele admitiu que poderia reavaliar o tema caso haja deliberação do grupo político do qual faz parte – que tem, entre outros nomes, os senadores Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PSDB). “Desde que seja uma decisão do grupo, poderei analisar”, afirmou, antes de reiterar a posição contrária.
Depois de afastar o próprio nome, Álvaro detalhou qual seria, na visão dele, o caminho mais adequado para um eventual governo temporário: um perfil técnico, sem inserção político-partidária e sem objetivo eleitoral. “A gente acha que o nome ideal para assumir o Governo do Estado em uma eleição indireta seria o de um técnico, ninguém que ocupasse cargo político”, declarou.
Ele acrescentou que esse governador-tampão deveria atuar como uma gestão de transição, com foco em medidas difíceis para reorganizar o Estado. “Sem nenhum interesse político”, afirmou, defendendo que o escolhido teria mais liberdade para iniciar ajustes e decisões impopulares.
O argumento central, segundo Álvaro, é que o curto período exigiria ações duras — e que um político tenderia a evitar esse desgaste às vésperas de uma eleição (a de outubro). “Vão ter de ser tomadas muitas medidas duras, amargas. Então, se for um político, ele vai ter dificuldade nesse período curto de nove meses”, disse.
Ainda na entrevista, ao tratar do quadro das contas públicas, Álvaro reforçou que o próximo governador deverá adotar medidas de austeridade. Ele concordou com a linha de Rogério Marinho de que será necessário cortar gastos e promover ajustes. “Medidas duras, amargas, fortes, impactantes” seriam inevitáveis, afirmou.
Ao mesmo tempo, rejeitou a possibilidade de elevar impostos para reequilibrar as finanças. “Não, de nenhuma forma… Nunca ou de nenhuma forma aumentando impostos”, declarou, sustentando que, na sua visão, o caminho seria buscar recursos “fora”, com projetos, convênios e articulação em Brasília.
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